Procurando algum texto desgarrado para passar o tempo? Talvez vc encontre aqui algo que interesse. Encontro os textos perdidos por aí, às vezes em algo do dia a dia, em alguma fala, na minha mente tresloucada, e reúno aqui para vc levar para casa.
segunda-feira, fevereiro 16, 2015
Tijolos amarelos
Se a Dorothy volta pra casa
Coração para o Homem de Lata
Para ele não enferrujar
Depende do Oz
Dar coragem pro Leão medroso
Pro Espantalho um cérebro novo
Mal sabem como acabará
***
Titãs cantam:
"Homem de Lata!
E o Leão sem Coragem
Ô ôô ô!"
Pavlov
Pavlov, Pavlov!
Pavlov, Pavlov, Pavlov, Pavlov...
Quero de novo com você
Ver condicionamento, testar a salivação
Assim, vou poder entender
Como opera o reflexo em cada situação.
Cãozinho, vou esperar, assistir ao seu prazer
Enchendo o saco de sol a sol
Vou experimentar, explorando você
Da ciência vou entrar no rol
Autobiografia
– o leitor até acredita –,
ele finge que é do autor
o texto que deveras edita.
domingo, maio 19, 2013
E um rinoceronte dobrado
Dentro da minha caixa de sapatos
Eu guardaria todos os hiatos,
ditongos e encontros consonantais
Das palavras que amo mais.
Depois a caixa eu sacudiria
Para formar novos amores,
Palavras de outros sabores,
Que levem embora a agonia.
****
Proparoxitonia
Na minha caixa de sapatos
Colocaria uma epífita,
Um estômato, uma cítara
E uma lâmpada mínima
Alice, por onde anda?
Já te vi grande,
Já te vi pequena,
Já te vi correndo,
Tomando chá.
Dizem que está
No País das Maravilhas.
Mas que diferença há
Para o lugar onde vivia,
Onde o poder da imaginação
Te levava aonde queria,
Às vezes de supetão,
Ao Sítio, à Terra-Média,
A Nárnia, à Terra do Nunca...
Alice, por onde anda?
Ah, está aqui na sala
Acompanhada da gata
Lendo um livro...
Não precisa ir a nenhum lugar.
Pensamentos Desencontrados - Estamos indo de volta pra casa
"Fecharam as estações
Tudo mudou
Eu sei que dava pra ter feito antes
Mas é tudo assim, tão bagunçado...
Se lembra quando a gente
Chegou um dia a prometer
Que o metrô ia melhorar
Sem você ver
Que 'melhorar'
Não diz nada..."
sábado, maio 26, 2012
Pensamentos Desencontrados - A balada do herói
"Eu sou Teseu
E quero chegar
No labirinto
O mais longe que der
Só pra poder
Matar o Minotauro
E chamar toda a atenção para mim
Eu preciso de ti, Ariadne
Eu preciso de ti, princesa
Sou pequeno demais
Me dá o teu novelo
Faço tudo pra não morrer!
Entra no labirinto,
Entra e não se perde
Nessa grande estrutura
Que está cheia de armadilhas
É preciso ter sagacidade
Pra depois poder sair
Perseverança é o bem maior
É só não desistir!"
Em tempo: para quem não conhece a versão original... http://letras.mus.br/regis-danese/1506456/
Pensamentos Desencontrados - O poder astral
Ele é Cavaleiro
Ele é de Leão
Ele é Cavaleiro
Ele é de Leão!
Aioria ê ê! Aioria é é! Aioria ê ê! Aioria ééé...
domingo, dezembro 25, 2011
Otto
domingo, dezembro 18, 2011
Pacotão de fim de ano
2010 foi mais marcante para mim pelos acontecimentos do meio do ano. Havia 6 meses que estava estagiando em Produção Editorial, e fazia a faculdade ao mesmo tempo (a 2ª, pois já era jornalista). Muitas dúvidas me assaltavam, pois, como era formado, não me contentava muito com estágio, mas, ao mesmo tempo, não tinha experiência suficiente para trabalhar na área, achava. Ir para outro estágio? Procurar um trabalho e largar a faculdade? Na passagem de 2009 para esse ano, os questionamentos haviam surgido, mas naquele instante apareciam com mais força.
No final de junho, na última terça, houve uma adoração no grupo de que faço parte (a Comunidade de que já falei). Num momento em que algumas pessoas rezariam pelas outras, eu me ajoelhei para que uma garota viesse orar por mim. Entre outras coisas, a menina disse que o que eu estava procurando se resolveria. Na hora não soube exatamente de que ela estava falando e deixei pra lá.
Após 6 meses, é época de tirar 15 dias de férias (sim, estagiário agora tem regalia). Em meio àqueles dias de descanso, recebo um e-mail falando para ligar para a coordenadora. Estranho, mas ligo. “Gabriel, você gostaria de ser contratado?” Aceito de prontidão, muito feliz, porém só depois me lembro das palavras da garota. E percebo que a ligação foi dada no Dia do Amigo, 20/07 (se é que existe isso mesmo). De qualquer forma, o Amigo estava ali presente comigo.
E não tinha sido a primeira vez. Em 2009, quando estava procurando mudar para Produção Editorial mas não conseguia nenhum estágio, recorri a um grupo de e-mail da Igreja que reúne centenas de pessoas, e por lá eu soube da vaga na editora.
Felizmente, cada vez mais confirmo que essa é a área onde quero trabalhar. E também percebo minha “quedinha” pelos livros infanto-juvenis e YA (Young Adult), de fantasia especialmente. Aonde isso vai me levar não sei; só Deus sabe, e eu entrego tudo em Suas mãos. Só sei que estou formado mais uma vez, agora em Produção Editorial, após uma árdua monografia, desta vez sobre Editoras católicas no Brasil, mas permanecendo na seara da religião, tema pouco abordado no meio acadêmico. O que me espera nos estudos? Não sei, ainda é difícil vislumbrar, principalmente pensando em conciliar com trabalho e outras atividades...
A Comunidade continua firme e forte rumo a águas mais profundas, e agora mudará a coordenação. Renovação é o que há! Não vejo a hora de começar 2012 =) E permaneço engajado no coral na capela, junto com a Carla. Aliás, reconheço que crescemos e amadurecemos em nosso namoro durante mais esses 2 anos, e a tendência é só melhorar, aprimorando a compreensão, o diálogo, a cumplicidade, o amor, o carinho... 4 anos não é pra qualquer um!
E ano passado comecei uma nova atividade, que ainda não está firme nem se sabe qual será seu rumo, mas que permanece viva. É o grupo jovem da Santa Teresinha, que ressurgiu das cinzas após algumas tentativas anteriores sem sucesso e que ainda engatinha, mas já com seus frequentadores cativos.
O que me aguarda daqui pra frente? Que decisões tomar? Destino, assim você me mata.
quinta-feira, dezembro 15, 2011
Causos de Ouro II
Eu: Pô, o que menos tem nessa estante é lançamento, só tem livro antigo.
Scooby: É... tem até a Bíblia de Gutenberg!
Bloody Mary: Onde tá a Bíblia de Gutenberg?
Nota do editor: Devido à recessão econômica e à falta de conservação dos materiais, há um tempo razoável que a Bíblia de Gutenberg não tem mais reimpressões. O desinteresse do sistema capitalista neoliberal não permitiu sua sobrevivência, e ela só resistiu até a 435ª impressão.
Causos de Ouro I
D: Tem um monte de ônibus que vai para lugares que não conheço, que passam na Av. Brasil.
GC: ...
D: Tem um lugar pra onde vão muitos ônibus, um lugar que nunca ouvi falar. Se chama Paradór.
O Garoto Circunspecto dá sua risadinha marota, achando boa a piada... só que não era piada.
Alguém viu se passou o ônibus para Expresso?
sábado, julho 17, 2010
É chato demais!
- Gabriel, já são 8 horas!
Hora em que devia estar na faculdade.
Saio correndo, de saco cheio por ter perdido a hora de novo.
Em pé no ônibus lotado, a Musa da Inspiração vem me encontrar e Rick e Renner povoa minha mente, resultando nesta obra-prima.....
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Não consigo acordar logo de primeira
É chato demais!
E às vezes perco a aula quase inteira
É chato demais!
Isso tudo por causa da minha soneira
É chato demais!
O professor até acha que tô de zuera
É chato demais!
Isso logo na semana derradeira
É chato demais!
domingo, janeiro 10, 2010
Era, é e será uma vez...
Tramas, personagens, surpresas e afins, eu sempre admirei contar histórias, especialmente as pessoas que se dedicam a isso e parecem trazer um outro mundo de fantasia para perto de nós, tornar o que já é tão conhecido à nossa volta em algo estranho e mágico ao mesmo tempo. Sinto nesse gosto uma certa motivação para a idéia do jornalismo ter se aproximado de mim: é contar histórias, não é? Ser o primeiro a contar alguma coisa, fazer descobertas, mostrar o mundo aos outros. Mas não é tão encantador assim. Quer dizer, até pode ser para quem é apaixonado.
E também essas técnicas jornalísticas de contar do mais importante para o menos... não me cativa. Eu gosto é do antigo e do nariz-de-cera, ainda que não tenha habilidade suficiente para pô-la em prática. Ir criando o clima, o suspense, o segredo, o mistério, que vai culminar na descoberta e no que é importante. Que graça tem contar direto?
Todas essas histórias presentes em livros e filmes me apaixonam. Mas não é só necessária uma boa história, mas o jeito certo de ser contado, os detalhes certos a serem colocados, inovação... é difícil. Eu mesmo tenho várias e várias ideias borbulhando sempre, mas não sei como colocar satisfatoriamente no papel ou na tela. Nunca parece estar bom, sempre poderia estar melhor, desenvolver é um problema, finalizar, pior ainda. Rubem Fonseca em um de seus contos revela o segredo do escritor: “As palavras são nossas inimigas.” Tantas coisas maravilhosas para dizer e desvendar, mas as palavras impedem muitas vezes.
Tenho uma percepção que gosta de ver a vida e suas circunstâncias como uma história, como se estivéssemos num livro, filme ou até num game. Personagens que se cruzam, situações que se desenrolam, lugares intrigantes. Um portão, um jardim, uma caixa fechada, um beco, um quarto, um caderno, uma chave.... centenas e milhares de objetos e locais que remetem a signos e mistérios e histórias e referências, a imaginação voando sempre, a bordo de um triciclo de Bobby. Parece amenizar a vida e torná-la mais interessante também, mesmo em meio a adversidades. Só não se pode viver num mundo paralelo e esquecer que existem pessoas reais do seu lado.
Entre em grandes armários, caia em buracos de coelho, conheça um castelo com um porteiro-robô, ande por um caminho de pedras amarelas e se divirta num sítio brasileiro. Acomode-se num sofá que adentra o corredor e morda uma maçã. Senta que lá vem história sempre, e aproveite para ver tudo com novos olhos.
terça-feira, dezembro 29, 2009
Um pedido
A maioria deles foi trazida para lá pelo irmão de Liesel Meminger, filha de Markus Zusak. O garotinho, ainda pequeno, branquinho e de cabelo meio arrepiado na frente, aparecia no quarto e deixava, cada dia um – às vezes dois ou até três -, na casa que ainda existia, aliás, que ainda estava lá. Mas foi só no começo. Alexander – mais conhecido como Axt – chegou um dia e se espantou de ver que todos estivessem em caixas. Onde estava aquela grande estrutura de madeira, com diversos andares? Arrumou-se um jeito. Porém, aqueles livros já não suportavam viver embaixo de um pano sujo de tinta, tantos e tantos, que Axt já nem mais sabia quem estava ali ou não; não registrara a identidade de cada um. Melancólicos, os livros já iam perdendo sua identidade, sem saber o que era um lar. Outros mais vieram se juntar a eles, através de um veículo que transitava embaixo do oceano.
Até que chegou o momento em que até o menininho resolveu parar de levar a cabo a sua arte. Do que aquilo valia se os livros permaneciam negligenciados e perdiam seu encanto e seu poder mágico? Eles ainda não entendem por que aquele senhor de paletó e chapéu coco apareceu um dia, prometendo reformar a casa deles, e depois sumiu, levando a estante que lhes dava guarida. Só não há choro porque as lágrimas podem enrugar e manchar as páginas já empoeiradas. Mas os livros pedem encarecidamente solidariedade e respeito nesta época que teoricamente deveria ser de harmonia e perdão.
*Baseado em fatos reais.
segunda-feira, dezembro 14, 2009
Hoje Livre Sou
Como não sou economista nem tenho ações na Bolsa, não estava preocupado com “marolinhas” ou não, e com previsões de 2009 ser o pior ano de todos. Só não esperava que fosse ser tudo o que foi – de bom.
2008 não havia terminado bem para o grupo da Igreja de que faço parte, a Comunidade Duc in Altum: muitas “baixas”, desânimo, a iminência de acabar. Eu fazia parte do grupo desde seu início em novembro de 2005, a partir de um grupo de Crisma, passáramos por altos e baixos, mas acabar era algo muito forte e que nos derrubava.
Fora naquele grupo que eu começara a me engajar na Igreja, a amá-la e a Deus, onde fizera grandes amizades e conhecera minha namorada, mas não estava dando mais certo. Um membro da Crisma se ofereceu para nos ajudar e deu uma palestra. Ao final, a foto da reunião do grupo cheia, todos alegres, e ele nos questionou sobre o que tinha acontecido com aquelas pessoas e com aquele grupo tão ardoroso.
Ah, aquilo, bem ou mal, tocou no nosso orgulho: iríamos deixar a Comunidade acabar sem fazer nada, justamente depois das fundadoras terem se ausentado contra a vontade? Poderia ser Vontade de Deus que não continuasse, mas não acabaria sem luta. A coordenação mudou – eu fui um dos que saí – e fizemos reuniões de partilha e de oração; precisávamos crescer e nos unir. As reuniões voltaram a acontecer, chamamos pessoas novas, mudamos nosso jeito de ser, querendo partilhar e viver realmente juntos, e nos formar na doutrina, e missionar as casas com a presença de Nossa Senhora, e louvar a Deus todo mês.
As reuniões de equipe foram imprescindíveis para nosso crescimento e planejamento, até o Padre Carlos, nosso diretor espiritual, está sendo tocado e animado para esta nova missão renovada e restaurada. Como o Nelson, coordenador, disse, foi o ano da Confirmação: sim, Deus quer que continuemos, e a nossa festa de 4 anos comprovou isso. “Uma comunidade de barquinhos”, como o padre falou, em que ninguém naufraga e ninguém sai: “Desde a primeira vez que você põe o pé na Comunidade, você nunca mais deixa de fazer parte dela.”
É o ano de 2010 que promete agora. Promete também na minha vida profissional. Formado em Jornalismo, com uma monografia que deixou de ser um bicho-de-sete-cabeças como eu pensava, mas, ao contrário, foi uma bênção, pela oportunidade de estudar a Comunicação dentro da minha Igreja. Os professores até disseram que vai “virar bibliografia”, uma honra dada por Deus.
Mas não é Jornalismo que eu quero. Especialmente durante 2009, pude confirmar, em meio ao estágio dentro de uma editora de livros, conversando com amigos do ramo editorial e estudando na faculdade, que essa é a minha área de verdade. Sempre fui apaixonado por livros, por textos, Português, línguas e afins, mas não era em Letras que eu encontraria minha casa. Mas em Produção Editorial, uma habilitação do próprio curso de Comunicação em que acabei de me formar. Cheguei a querer sair de Jornalismo, desanimado, mas o incentivo das pessoas me dissuadiu.
Se não fosse por isso, como teria ido para o estágio na Assessoria de Imprensa da editora e feito grandes amigos? Se não fosse por isso, como poderia me formar e pedir manutenção de vínculo, podendo conseguir o diploma de PE em apenas 2 anos? E, para completar, após pedir muito a Deus, dezembro também me presenteia com uma vaga de estágio na área editorial, e justamente na parte textual! Amanhã começará esta nova fase em minha vida. Em dezembro, em primeiro lugar mês do nascimento de Jesus, mas também da Imaculada Conceição, cuja intercessão foi valiosa.
E todas as dores e tribulações eu pude suportar com a Presença essencial de Deus, mas também com a presença da Carla, que não me abandonou nem quando eu mesmo não dava razão para que ela continuasse, por eu estar mais dentro de outras coisas do que dentro do relacionamento. E, para reforçar nosso laço, outra mudança ocorrerá no início do ano: depois de 2 anos, voltaremos a servir juntos e, para isso, sairei de um outro serviço, em que já estava há 5 anos. E o serviço será na capela... da Imaculada Conceição.
Como falei, tenho confiança em Deus de que 2010 será mais um grande ano, abundante de graças. Deus sempre esteve e continuará olhando por mim. E por cada um de nós. É só se entregar a Ele e a seu Amor Incondicional. Seus caminhos são insondáveis, mas Ele sabe o que é melhor para nossas vidas. Eu tenho certeza disso! Tenha você também.
quarta-feira, junho 03, 2009
A incidência sonora das ondas fantasmagóricas
Cidadãos do meu território varonil!
Venho por meio desta conclamar-vos a usurpar a diferença dos pagãos. Não é cabível que escalafobéticos batráquios dominem tantas potestades hediondas! Basta de usura ignominiosa!
É claro como a água cristalina e límpida que proceder peremptoria e drasticamente acarretará um engavetamento colossal, contudo não podemos nos ater a soluções belicosas e catedráticas!
Proclamo, a partir de outrora, deveras cleptomaníaco e mentecapto todo aquele que escorregar pelas baias marginais da metrópole e ousar tropeçar nas franjas energúmenas dos pecados irrisórios!
Outrossim, outrem outorgará outros outeiros ou todos se arruinarão esdruxulamente. E o que sucederá à vida extraterrestre? Marcianos escaparão desabalados pela via magnética transatlântica e surgirão rola-bostas fosforescentes e transgênicos mutantes. Não presumo pânico e faniquitos megalomaníacos, todavia haverá bile sulfurosa durante a fotossíntese indígena. Oxalá!
Vossas Senhorias injetarão soporíferos suínos em clavículas pedintes, sem ardilosidade e conjecturas exegéticas, entretanto a hermenêutica herética sobressairá, mister assaz sotoposta e circuncidada, posto que abastecida.
Moiras desembestadas regurgitarão protozoários apocalípticos e múmias paralíticas tombarão milimetricamente petrificadas e fatiadas à francesa e com francesinha.
domingo, abril 26, 2009
Ela
“Ela é bonita”, pensei, na terceira vez que a vi. Por que terceira? Não sei, das outras vezes não prestei muita atenção. Mas ali, em meio a um jogo na casa de uma amiga, olhei melhor.
E, desde então, do meu jeito, sempre tentava estar ali próximo e me tornei amigo. Mas, como sempre, só amigo mesmo; uma sina. A vantagem é que, regularmente, três vezes por semana eu a encontrava, em grupos da Igreja. Não adiantava.
Mandei depoimento pelo Orkut, demonstrando meu amor... “uma garota que conquista qualquer um, com seu jeitinho fofo e doce”. Ela gostou muito, ela sabia que eu tinha interesse, porém eu não fazia mais nada... Não vai dar em nada mesmo mais uma vez...
Os meses se passavam. Surgiu um acampamento, um retiro católico. Eu fiquei com muita vontade de ir, ainda mais que lá ela iria. Mas acabei trocando o preço e achei que não teria dinheiro. E desisti. Mas ela foi e, quando soube do erro, me arrependi.
Ela voltou pulando de alegria junto com nossos amigos, falando que era maravilhoso. Ah, no próximo eu ia, só que tinha perdido a grande oportunidade... Pois cada um apenas podia fazer uma vez.
Mais tempo se passou e lá estávamos nós em viagem: rumo a São Paulo, para ver o Papa, junto com muitos outros jovens. Mas por que eu estou contando isso? Todos já sabem que sou devagar e que aquilo tudo mais parecia casamento, de tanto “arroz de festa”. Então será que ia dar casamento?
Mês após mês, mês após mês... até que se aproximava novamente o tal acampamento. Agora eu não podia deixar de fazer. Sem ela, mas também não queria dar muita bola mais, já estava chateado.
Missa de Santa Teresinha na paróquia dela. Estava lotado. Encontrei uma amiga da faculdade. Fui junto com a menina para a frente da igreja e passei direto por ela. Hora da Paz de Cristo. Ah, vou lá dar a Paz! Deixei rapidamente a menina e ela já estava lá com seu grande sorriso, marca característica dela.
“É uma garota linda, sempre com seu sorriso que ilumina qualquer lugar para onde vá, que irradia ânimo e alegria para as pessoas ao redor.” Outra frase do depoimento do Orkut, que não pude deixar de enviar para ela de novo, no dia seguinte. “Amo seu sorriso!”
O retiro estava próximo e uma menina da igreja, que nem conhecia direito, se ofereceu para emprestar um saco de dormir – estaria muito frio e eu ia precisar. A menina levou-o num evento onde eu e ela estávamos e depois, durante o lanche, ficamos conversando. Porém, ela entrou no meio da conversa e ficou sozinha conversando com a menina. Depois com o tempo se percebem as coisas.
Chegou o tão esperado dia: dia de viajar para o acampamento. Cinco dias fora. Retiro realmente maravilhoso, de união, oração, amor. Ali me desliguei do mundo. Mas um dos ótimos momentos do acampamento aconteceu: em meio à forte escuridão, no meio do mato, os coordenadores falavam de forma impressionante: “Imagine que você fosse morrer agora. Pense em cinco minutos: O que você faria antes de ir embora?” No meio do turbilhão de diversos pensamentos, veio à minha cabeça: dizer a ela que a amo. Sim, nunca tinha dito isso diretamente.
O retiro foi se seguindo, até o último dia, de grande comoção, com o Espírito Santo agindo. Dia de se despedir do acampamento. No ônibus, um dos coordenadores veio fazer uma pesquisa sobre se eu indicaria alguém para o retiro. “A namorada, não?” “Não tenho.”
Ele voltou para seu lugar. Porém, resolveu me chamar para seu lado no ônibus.
- Eu não podia deixar de falar com você, não podia ficar guardado comigo. Sabe por que eu te fiz aquelas perguntas, perguntei se você tinha namorada? Durante o momento do Espírito Santo, quando estava impondo minhas mãos sobre você, Deus me falou que a sua namorada estava chegando.
Fui surpreendido.
- Isso quer dizer alguma coisa pra você?
- Não. – eu já havia perdido as esperanças e até estava um pouco irritado com isso.
Voltei para meu lugar, sem entender direito. Mas, ao mesmo tempo, também inconscientemente motivado para falar com ela.
Liguei no dia seguinte e falei bastante. Falei dos 5 minutos, que foram o único momento que lembrei de verdade dela. Ela ficou meio desapontada. Liguei no outro dia. “Posso ir aí?” Me arrumei todo. Dei um forte abraço nela. Falei, falei, falei. Nada de mais. Que droga, não consigo! Mais um telefonema, no dia seguinte. Tentei expressar o que estava guardado... não de forma satisfatória. Deprimente.
No domingo próximo, seria o churrasco pós-acampamento. Comentei com ela e ela falou que queria ir, mas tinha vergonha de chegar sozinha. Será? Pedi algumas orientações e fui buscá-la no dia. O caminho até o churrasco já estava traçado estrategicamente.
“Queria falar uma coisa com você. Vamos sentar aqui?” Era um banco de concreto, numa pracinha tranquila. Ela pareceu nervosa. Falei o que estava preso há meses. E foi o primeiro beijo.
Não começamos logo a namorar. Mas, dentro de pouco tempo, “minha namorada chegou”. Depois de 10 meses.
E hoje estou junto com ela, e cada dia mais com a certeza de que Deus está do nosso lado, e nada nem ninguém no mundo vai nos separar.
Não disse que dava casamento?