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domingo, dezembro 18, 2011

Pacotão de fim de ano

Já é Natal na Leader Magazine, 2011 está terminando e resta pouco mais de 365 dias para o fim do mundo. Época propícia para um texto-de-fim-de-ano. Só que um texto duplo, encorpado. Por quê? Porque quero torturar meus 435 leitores? Não só isso. É que ano passado não teve textinho (Que tragédia, ahn?).

2010 foi mais marcante para mim pelos acontecimentos do meio do ano. Havia 6 meses que estava estagiando em Produção Editorial, e fazia a faculdade ao mesmo tempo (a 2ª, pois já era jornalista). Muitas dúvidas me assaltavam, pois, como era formado, não me contentava muito com estágio, mas, ao mesmo tempo, não tinha experiência suficiente para trabalhar na área, achava. Ir para outro estágio? Procurar um trabalho e largar a faculdade? Na passagem de 2009 para esse ano, os questionamentos haviam surgido, mas naquele instante apareciam com mais força.

No final de junho, na última terça, houve uma adoração no grupo de que faço parte (a Comunidade de que já falei). Num momento em que algumas pessoas rezariam pelas outras, eu me ajoelhei para que uma garota viesse orar por mim. Entre outras coisas, a menina disse que o que eu estava procurando se resolveria. Na hora não soube exatamente de que ela estava falando e deixei pra lá.

Após 6 meses, é época de tirar 15 dias de férias (sim, estagiário agora tem regalia). Em meio àqueles dias de descanso, recebo um e-mail falando para ligar para a coordenadora. Estranho, mas ligo. “Gabriel, você gostaria de ser contratado?” Aceito de prontidão, muito feliz, porém só depois me lembro das palavras da garota. E percebo que a ligação foi dada no Dia do Amigo, 20/07 (se é que existe isso mesmo). De qualquer forma, o Amigo estava ali presente comigo.

E não tinha sido a primeira vez. Em 2009, quando estava procurando mudar para Produção Editorial mas não conseguia nenhum estágio, recorri a um grupo de e-mail da Igreja que reúne centenas de pessoas, e por lá eu soube da vaga na editora.

Felizmente, cada vez mais confirmo que essa é a área onde quero trabalhar. E também percebo minha “quedinha” pelos livros infanto-juvenis e YA (Young Adult), de fantasia especialmente. Aonde isso vai me levar não sei; só Deus sabe, e eu entrego tudo em Suas mãos. Só sei que estou formado mais uma vez, agora em Produção Editorial, após uma árdua monografia, desta vez sobre Editoras católicas no Brasil, mas permanecendo na seara da religião, tema pouco abordado no meio acadêmico. O que me espera nos estudos? Não sei, ainda é difícil vislumbrar, principalmente pensando em conciliar com trabalho e outras atividades...

A Comunidade continua firme e forte rumo a águas mais profundas, e agora mudará a coordenação. Renovação é o que há! Não vejo a hora de começar 2012 =) E permaneço engajado no coral na capela, junto com a Carla. Aliás, reconheço que crescemos e amadurecemos em nosso namoro durante mais esses 2 anos, e a tendência é só melhorar, aprimorando a compreensão, o diálogo, a cumplicidade, o amor, o carinho... 4 anos não é pra qualquer um!

E ano passado comecei uma nova atividade, que ainda não está firme nem se sabe qual será seu rumo, mas que permanece viva. É o grupo jovem da Santa Teresinha, que ressurgiu das cinzas após algumas tentativas anteriores sem sucesso e que ainda engatinha, mas já com seus frequentadores cativos.

O que me aguarda daqui pra frente? Que decisões tomar? Destino, assim você me mata.

domingo, janeiro 10, 2010

Era, é e será uma vez...

Todo mundo adora uma boa história. Pode ser apenas uma história contada naquele momento em que você quer ser o centro das atenções, num bar por exemplo, para os amigos, ou aquelas que brotam dos livros, ou aquelas novelas água-com-açúcar. Desde os primórdios, as pessoas se reuniam em volta de fogueiras para ouvir os mais velhos ou os aventureiros – ou talvez apenas bons contadores ou charlatães -, e surgiam por aí muitas lendas, fábulas, contos de fadas e histórias da carochinha.

Tramas, personagens, surpresas e afins, eu sempre admirei contar histórias, especialmente as pessoas que se dedicam a isso e parecem trazer um outro mundo de fantasia para perto de nós, tornar o que já é tão conhecido à nossa volta em algo estranho e mágico ao mesmo tempo. Sinto nesse gosto uma certa motivação para a idéia do jornalismo ter se aproximado de mim: é contar histórias, não é? Ser o primeiro a contar alguma coisa, fazer descobertas, mostrar o mundo aos outros. Mas não é tão encantador assim. Quer dizer, até pode ser para quem é apaixonado.

E também essas técnicas jornalísticas de contar do mais importante para o menos... não me cativa. Eu gosto é do antigo e do nariz-de-cera, ainda que não tenha habilidade suficiente para pô-la em prática. Ir criando o clima, o suspense, o segredo, o mistério, que vai culminar na descoberta e no que é importante. Que graça tem contar direto?

Todas essas histórias presentes em livros e filmes me apaixonam. Mas não é só necessária uma boa história, mas o jeito certo de ser contado, os detalhes certos a serem colocados, inovação... é difícil. Eu mesmo tenho várias e várias ideias borbulhando sempre, mas não sei como colocar satisfatoriamente no papel ou na tela. Nunca parece estar bom, sempre poderia estar melhor, desenvolver é um problema, finalizar, pior ainda. Rubem Fonseca em um de seus contos revela o segredo do escritor: “As palavras são nossas inimigas.” Tantas coisas maravilhosas para dizer e desvendar, mas as palavras impedem muitas vezes.

Tenho uma percepção que gosta de ver a vida e suas circunstâncias como uma história, como se estivéssemos num livro, filme ou até num game. Personagens que se cruzam, situações que se desenrolam, lugares intrigantes. Um portão, um jardim, uma caixa fechada, um beco, um quarto, um caderno, uma chave.... centenas e milhares de objetos e locais que remetem a signos e mistérios e histórias e referências, a imaginação voando sempre, a bordo de um triciclo de Bobby. Parece amenizar a vida e torná-la mais interessante também, mesmo em meio a adversidades. Só não se pode viver num mundo paralelo e esquecer que existem pessoas reais do seu lado.

Entre em grandes armários, caia em buracos de coelho, conheça um castelo com um porteiro-robô, ande por um caminho de pedras amarelas e se divirta num sítio brasileiro. Acomode-se num sofá que adentra o corredor e morda uma maçã. Senta que lá vem história sempre, e aproveite para ver tudo com novos olhos.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Hoje Livre Sou

Pra variar, sempre tem que ter um texto-de-final-de-ano em dezembro. Lembrar o que aconteceu, fazer um “balanço” e planos para o ano que vem... Acho construtivo e saudável, sim. Ainda mais agora em 2009, pois foi um ano muito especial.

Como não sou economista nem tenho ações na Bolsa, não estava preocupado com “marolinhas” ou não, e com previsões de 2009 ser o pior ano de todos. Só não esperava que fosse ser tudo o que foi – de bom.

2008 não havia terminado bem para o grupo da Igreja de que faço parte, a Comunidade Duc in Altum: muitas “baixas”, desânimo, a iminência de acabar. Eu fazia parte do grupo desde seu início em novembro de 2005, a partir de um grupo de Crisma, passáramos por altos e baixos, mas acabar era algo muito forte e que nos derrubava.

Fora naquele grupo que eu começara a me engajar na Igreja, a amá-la e a Deus, onde fizera grandes amizades e conhecera minha namorada, mas não estava dando mais certo. Um membro da Crisma se ofereceu para nos ajudar e deu uma palestra. Ao final, a foto da reunião do grupo cheia, todos alegres, e ele nos questionou sobre o que tinha acontecido com aquelas pessoas e com aquele grupo tão ardoroso.

Ah, aquilo, bem ou mal, tocou no nosso orgulho: iríamos deixar a Comunidade acabar sem fazer nada, justamente depois das fundadoras terem se ausentado contra a vontade? Poderia ser Vontade de Deus que não continuasse, mas não acabaria sem luta. A coordenação mudou – eu fui um dos que saí – e fizemos reuniões de partilha e de oração; precisávamos crescer e nos unir. As reuniões voltaram a acontecer, chamamos pessoas novas, mudamos nosso jeito de ser, querendo partilhar e viver realmente juntos, e nos formar na doutrina, e missionar as casas com a presença de Nossa Senhora, e louvar a Deus todo mês.

As reuniões de equipe foram imprescindíveis para nosso crescimento e planejamento, até o Padre Carlos, nosso diretor espiritual, está sendo tocado e animado para esta nova missão renovada e restaurada. Como o Nelson, coordenador, disse, foi o ano da Confirmação: sim, Deus quer que continuemos, e a nossa festa de 4 anos comprovou isso. “Uma comunidade de barquinhos”, como o padre falou, em que ninguém naufraga e ninguém sai: “Desde a primeira vez que você põe o pé na Comunidade, você nunca mais deixa de fazer parte dela.”

É o ano de 2010 que promete agora. Promete também na minha vida profissional. Formado em Jornalismo, com uma monografia que deixou de ser um bicho-de-sete-cabeças como eu pensava, mas, ao contrário, foi uma bênção, pela oportunidade de estudar a Comunicação dentro da minha Igreja. Os professores até disseram que vai “virar bibliografia”, uma honra dada por Deus.

Mas não é Jornalismo que eu quero. Especialmente durante 2009, pude confirmar, em meio ao estágio dentro de uma editora de livros, conversando com amigos do ramo editorial e estudando na faculdade, que essa é a minha área de verdade. Sempre fui apaixonado por livros, por textos, Português, línguas e afins, mas não era em Letras que eu encontraria minha casa. Mas em Produção Editorial, uma habilitação do próprio curso de Comunicação em que acabei de me formar. Cheguei a querer sair de Jornalismo, desanimado, mas o incentivo das pessoas me dissuadiu.

Se não fosse por isso, como teria ido para o estágio na Assessoria de Imprensa da editora e feito grandes amigos? Se não fosse por isso, como poderia me formar e pedir manutenção de vínculo, podendo conseguir o diploma de PE em apenas 2 anos? E, para completar, após pedir muito a Deus, dezembro também me presenteia com uma vaga de estágio na área editorial, e justamente na parte textual! Amanhã começará esta nova fase em minha vida. Em dezembro, em primeiro lugar mês do nascimento de Jesus, mas também da Imaculada Conceição, cuja intercessão foi valiosa.

E todas as dores e tribulações eu pude suportar com a Presença essencial de Deus, mas também com a presença da Carla, que não me abandonou nem quando eu mesmo não dava razão para que ela continuasse, por eu estar mais dentro de outras coisas do que dentro do relacionamento. E, para reforçar nosso laço, outra mudança ocorrerá no início do ano: depois de 2 anos, voltaremos a servir juntos e, para isso, sairei de um outro serviço, em que já estava há 5 anos. E o serviço será na capela... da Imaculada Conceição.

Como falei, tenho confiança em Deus de que 2010 será mais um grande ano, abundante de graças. Deus sempre esteve e continuará olhando por mim. E por cada um de nós. É só se entregar a Ele e a seu Amor Incondicional. Seus caminhos são insondáveis, mas Ele sabe o que é melhor para nossas vidas. Eu tenho certeza disso! Tenha você também.

domingo, fevereiro 15, 2009

Rumo ao mundo mágico

Admirar e contemplar a vida. Não aquela mesma conversa do texto anterior, mas acho que uma natural continuação.

Nesta minha saga de querer observar a vida, encontrei nos livros e na literatura meus aliados. É nos milhares de mundos presentes nos textos, nas histórias que consigo absorver tudo o que a vida tem a ofertar. Inúmeras perspectivas e novos ângulos presentes no mundo que nunca poderia deslumbrar ou sobre os quais nem poderia pensar, são caminhos que os livros me abrem.

A boa literatura, com toda a sua carga poética, suas metáforas, sua sensibilidade, conseguem nos pôr novos olhos para enxergar o viver. Adoro estar na pele de diversos personagens, percorrendo diferentes mundos reais, fictícios ou numa mescla dos dois, pensando sobre o que está ao meu redor, e não simplesmente captando tudo por osmose, mas filtrando e elaborando e ruminando e transformando...

É o mundo da linguagem, das línguas, símbolos, desenhos que se juntam num emaranhado, que dançam, se associam, pintam e bordam, e perfazem um sentido todo especial, manipulado com maestria pelos grandes escritores. Símbolos que têm sons próprios e fluem, voam, se chocam, se pronunciam ou travam, em conversas e falas e apresentações que se enchem de significado porque nós aprendemos na escola a capturá-los e a decodificá-los e a revertê-los em novos despejos de ruídos e rabiscos.

Um mundo mágico pelo qual sempre me fascinei e sobre o qual sempre quero saber mais e estudar e conhecer e destrinchar e passear por seus caminhos. Sempre estava em minha mente, mas por que não consegui perceber antes que ali estava minha verdadeira vontade? Por que fui seguir por outros papéis, também de letras e sons, mas não tão mágico e fascinante?

Medo, pressão, falta de jeito... vários fatores podem explicar... mas o amor volta e não é possível refrear. O desejo, a vontade, o ânimo, a instigação! Será só uma paixão, cuja chama, em certo momento, se extinguirá? Creio que não.

Creio que encontrei meu caminho, para este mundo mágico. Sempre tive pistas, vindas de amigos, professores, aulas, mas não queria dar ouvidos a elas e fingia não ver. Vou agora mergulhar. Rumo a águas mais profundas.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Frenesi

Um turbilhão de idéias. Um turbilhão de interesses. Minha mente fica a mil, pensando em várias coisas ao mesmo tempo.

Ora são livros, ora são filmes, ora é o blog, ora é o Twitter, ora são meus livros e histórias em quadrinhos, a Comunidade, o namoro, a UFRJ, a UERJ, a literatura, os amigos, a vida!

Tantas coisas pra fazer, tantos objetos interessantes, tanta imaginação, criatividade, vontade de escrever, de se divertir, de extravasar, de desenhar, de ensinar, de amar!

Sempre existem momentos de tédio, mas como ter tédio com tanta coisa? Numa hora, minha cabeça só pensa num assunto, na outra perdeu todo o interesse por ele e só pensa em outro; em um minuto tem preconceito sobre algo, no outro não sai daquilo...
Desconfiava que fosse bipolar, mas agora já vejo que não: na verdade sou multipolar!

Quero temas que me instiguem, atividades que incentivem meus pensamentos e idéias e alucinações e divagações, minhas viagens! Coisas que façam viver a vida, ainda que seja a meu modo, de forma mais introspectiva e contemplativa, mas também social e animada.

Por que esquecemos de admirar nossa vida, de ver o mundo como se fosse com olhos de criança, olhos virgens? Por que não podemos sentir e descobrir tudo de forma especial?

Em suas crônicas, Rubem Braga sempre busca esse alumbramento pelas coisas simples -mas tão importantes - da vida. A natureza, a solidão, a amizade.
E Jostein Gaarder, autor do famoso "O Mundo de Sofia", defende essa visão "filosófica" sobre a vida, como se nascêssemos de novo.

Questionar as coisas - os inúmeros "por quês" da criança -, deixar a beleza aflorar.

"Viver, e não ter a vergonha de ser feliz! Cantar a beleza de ser um eterno aprendiz!"

Pode não ser tão fácil, mas é sempre bom tentar.

terça-feira, janeiro 20, 2009

Na Casa Verde

Itaguaí. Um senhor alto, de óculos, está sentado em uma cadeira, absorto em suas reflexões. Sua mão apoia a cabeça, em meio ao emaranhado da barba, e seu olhar está fixo em um ponto qualquer da casa de paredes brancas e janelas verdes. Batem à porta.

Calmamente, o Dr. Simão Bacamarte se levanta e anda até a porta de entrada. Abre-a de supetão.
- Olá, caro doutor! – um homem moreno de cabelos revoltos exclama - Há tempos que não nos víamos! Posso entrar?
Diante de um esboço de sorriso do alienista, Hilário adentra a Casa Verde, olhando em volta.

- Oh, esta casa parece meio descuidada, vazia... Só você mora aqui, não?
- Meu caro Hilário – a voz gutural do doutor se faz ouvir – o senhor crê que perderia meu precioso tempo com futilidades? Os pensamentos e descobertas que estão por vir são muito importantes para minha vida e esses, sim, me nutrem.
- Sim, concordo com você. Os livros que escrevo e também minhas histórias em quadrinhos, desenhos, são os que me fortalecem. Meus personagens vivem em mim e ao meu redor e convivem comigo. Vejo-os sempre ao meu lado, mas... acho que deva ter bom senso!
- Creio que, tempos atrás, internaria o senhor aqui na Casa Verde, porém, agora, este lugar é reservado somente para mim, o único digno deste espaço sublime...

A campainha toca de novo, contradizendo o médico. Passos fortes e a porta se abre.
- Doutor Escopeta e meu amigo Cômico! Que bom vê-los! – um garoto super-risonho está na soleira, com os braços abertos.
- Ah, não, lá vem de novo ele com suas piadinhas! – Hilário exclama insatisfeito.
- Ora, ora, se vocês não gostassem não teriam me chamado aqui.
- Mas não fomos nós que te chamamos, Pacadinho. – o escritor retruca.
- De qualquer forma vou entrando, messieurs.

A porta se fecha e a luz exterior some, deixando o cômodo na penumbra.
- Vocês não acham que devíamos acender alguma luz, não? Não virei morcego ainda! – ironiza o menino.
- Somente consumo minhas velas, valiosas para o estudo, em circunstâncias especiais. E creio que este é o caso.

Dr. Bacamarte pega uma caixa de fósforos em cima da mesa de estudos e acende uma vela já quase toda consumida.
- Sentemo-nos em volta desta vela para aproveitarmos bem sua luz. Para usufruir dela ainda melhor, lerei algumas anotações minhas realmente geniais.
Hilário e Pacadinho se sentam e se entreolham, resignados.

Neste momento, um grito assustador se ouve e os dois quase caem de suas cadeiras. Somente o doutor está impassível, olhando seus manuscritos. Um homem baixo e gordinho aparece no raio de luz da vela, gargalhando.
- Seu idiota! – grita raivoso Hilário – Tinha que ser você, sua mala!
- Sr. Furtivo Bag, a seu dispor – o homenzinho estende a mão pegajosa, sarcasticamente – Ah, alguém tem um cigarro aí ou algo que se possa fumar?
- Isso, continue fumando bastante e bata logo as botas!
- Sempre o certinho irritadinho, né, Sr. Cumaddig? Não sei para que vim a esta joça!
- Não se impaciente, saberão agora. – uma voz diferente das outras é ouvida.

Um homem alto de cabelos negros surge da escuridão e se posta entre o doutor e o menino.
- Quem é você? – pergunta, insolente, Furtivo.
- Sentem-se. – todos se ajeitam sem questionar – Por que vocês vieram?
- Não sei. – falou Pacadinho - Só sei que tive uma vontade impressionante de vir, como se a Casa me atraísse. Achei que estava ficando lelé, que nem o Doutor Carabina.
Os outros concordaram.

- Pois bem, fui eu que os convoquei. – todos se entreolharam, menos o médico – Meu nome é Machado. Vocês, bem ou mal, se conhecem já. Esbarram-se por aí. Mas possuem uma ligação muito mais forte do que podem imaginar. Entre si e comigo.
Todos o olhavam em silêncio, até Dr. Simão se mostrava interessado.
- Vocês são como irmãos e são como meus filhos. Quando sou inventivo e criativo, recorro ao Hilário. Quando sou engraçadinho, recorro ao Pacadinho. Quando sou maluco ou casmurro, recorro ao Dr. Simão. E quando me viro ao avesso e me mudo... sou o Furtivo. Muitas vezes vocês não aparecem sozinhos, há momentos misturados, é inevitável, por isso já se conhecem. E vocês todos estão dentro de mim, fazem parte de mim, estão aqui – Machado coloca a mão no coração – e aqui – repousa a mão na cabeça. Não sei se existem outros, mas vocês farão parte da minha vida para sempre.

Havia uma grande emoção no ar.
Todos se aproximaram e Machado os abraçou de uma vez só.
Fechou os olhos. Soltou-os.
Olhou em volta e eles já se haviam ido. Sozinho mais uma vez na Casa Verde.

terça-feira, dezembro 23, 2008

Adeus ano velho... feliz Ano Novo?

Esse ano passou muito rápido. Não sei se é a "velhice" - pois com o envelhecer o tempo se acelera - mas os meses se seguiram em velocidade. Um ano de dilemas e lutas interiores, como prolongamento do que se iniciara em 2007. Profundamente desanimado com Jornalismo, cheguei até a pensar em trancar a faculdade este ano - quando passava ao 6º período - para cursar Letras-Espanhol, pois passara no vestibular. Mas uma confusão me fez passar para o 2º semestre na UERJ e deixar livre 6 meses.

Acabei continuando na UFRJ e, num ato de loucura, me inscrevi em matérias em 2 faculdades, ambas de manhã, em agosto. Como de praxe, a UERJ entrou em greve, me deixando mais aliviado, mas me legando aulas em janeiro e fevereiro, num calor de derreter! Estou adorando o curso, sempre adorei Português, mas, infelizmente, o monstro da Monografia já está me assolando e terei que trancar a UERJ para poder terminar a ECO com mais tranqüilidade, ainda que só no fim de 2009 – desânimo gera acúmulo de eletivas por fazer, capicce?

Ainda por cima, finalmente comecei a fazer estágio – em Jornalismo, obviamente – e o tempo torna-se ainda mais comprimido. Primeiro numa empresa de transportes, passei à Editora Record e estou adorando ficar em meio a livros e mais livros. Trabalhar numa assessoria de editora seria o máximo!
O meu lado Letras me puxa muito, mas também vejo que 4 anos seria muito. Que tal um mestrado, 2 anos? Falar é fácil, passar é difícil, fazer dissertação... melhor nem comentar.

Por conta dos estágios, tive que sair do coral, ficou mais apertada a coordenação da Comunidade - grupo da igreja - mas resistem firmes e fortes, graças a Deus, meu serviço na Nossa Senhora do Líbano e meu namoro com a Carlinha (1 ano!).


Descobri o Twitter ( twitter.com/pacadinho ), descobri meu gosto por contos e pela literatura de verdade.
Um dos livros que me marcaram foi “A menina que roubava livros”, e talvez eu esteja me transformando em um personagem.

Agora é esperar por 2009 e pelo que o Futuro, esse garoto brincalhão, me reserva.

sexta-feira, agosto 01, 2008

435

Voltando com textos antigos só para entulhar isso aqui. Haja criatividade !
***
Em uma aula do curso de inglês, a professora, por um motivo que não consigo me lembrar, mandou que escrevêssemos números que tivessem a ver com nossa vida, que possuíssem algum significado para nós. E esse numerozinho bonito aí de cima me veio logo à cabeça – ou pode ter sido que demorou algum tanto – mas o fato é que surgiu. Muito provavelmente, você não conseguiria deduzir seu sentido, como meus colegas não conseguiram adivinhar, na continuação da dinâmica. Número de amigos? Esquece. Data de nascimento? 4/3/5... Ônibus? A mais cabível, mas não há relação.

Realmente há o ônibus 435, Grajaú-Gávea, que só peguei uma vez, e o aniversário de meu personagem, não à toa, é 12/6, que seria um 43/5, mas nada disso chega na resposta. Não precisa me bater, já vou dizer. 435 é... o meu número favorito! “Ah... agora sim tudo faz sentido!” E de onde esse número bizarro apareceu na minha mente? Boa pergunta. Também queria saber. Número tão insosso, não tendo nada de cabalístico ou algo de misterioso.

Mas a questão é que ele passou a me seguir e, sempre que me lembro, anoto as situações que o envolvem, como uma notícia de rádio sobre um roubo de 435 galinhas ou o fato de eu ter sido logo o 435º a assinar uma lista na Internet, além de recortar suas aparições. E acabei criando um código, meio ruinzinho, que se chama 435: separa-se as 4ª, 3ª e 5ª letras da palavra nessa ordem, juntando o resto; repete-se o processo com o resto até sobrar três letras no máximo. Veja as palavras tenebrosas que se formam, me forçando a usar o código alternativo 324.

Assim, percebo que um número favorito só serve para besteiras como procurar situações que o envolvam ou chegar ao cúmulo de inventar um código. E pode ser que algum dia eu consiga escrever um livro que está na minha mente, com o título “435”, ou ganhar dinheiro jogando-o na loteria, com variações. Um dia, vocês verão que o 435 sempre esteve na essência do mundo e está ligado aos mistérios insondáveis...

Como eu consigo falar tanta besteira! Eu poderia continuar aqui até alcançar a quantidade de 435 palavras, mas não costumo torturar meus 435 não-leitores; até a palavra “besteira”, foram 354 palavras (um anagrama de 435). Chega disso. Vou fechar com um acróstico maluco – a frase abaixo - que esconde palavras que têm muito significado. Tentem descobrir sozinhos, porque nem o significado de “acróstico” vou lhes dar. Tomem, é fácil:

Quando um alienado tiver roubado os caramelos esverdeados novos, todos os sonhos e tramóias ressurgirão incrivelmente num tempo alucinado e coisas inimagináveis nortearão cidadãos obtusos.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Sem sentido

Vocês acham que eu só tenho uma ótima memória? Não, não, eu tenho muitos outros atributos. Os meus cinco sentidos, por exemplo. O que dizer do meu paladar, da minha audição, do meu olfato, da minha visão, do meu tato?

Minha visão é a mais patente: qualquer um logo vê que eu tenho algum problema no olho, pois ando de óculos de um lado para o outro. Desde o C.A. Com o tempo, minha miopia foi aumentando e os borrões ao longe também, chegando hoje a uns quatro graus, além de uns dois de astigmatismo. E as pessoas cismam em achar que posso ver coisas tão pequenas, enxergar palavras ao longe. Mas se elas, que nem precisam de óculos para longe, não vêem, não é porque eu uso óculos que distinguirei tudo. Não uso lunetas!

Outro dos piores é a audição. Sei que me dizem que “quando você quer, você escuta sim”, mas meu ouvido decididamente não é bom. Às vezes, pergunto tantas vezes o que me disseram que fico até com vergonha de indagar de novo e sem saber afinal o que fora dito. Por isso, não gosto de filmes dublados, por não entender todas as falas, e defendo o que é feito nos filmes alemães: colocar legandas em filmes nacionais; além da compreensão dos dizeres, é bom para ver a ortografia das palavras e para ler. E, também devido à minha audição apurada, o que tenho mais dificuldade em cursos de língua é... adivinhem... a parte de escuta, que ainda cai nos testes, com perguntas. Será a gravíssima poluição sonora das cidades? Ou falta de cotonete?

Na seqüência dos meus sentidos aguçados, é a vez do olfato. Identificar um aroma não é comigo, ainda mais contribuindo para isso eu viver resfriado e respirar mais pela boca que pelo nariz. E, como se diz que o olfato é essencial para o paladar, você já deve ter intuído que esse outro sentido também não funciona direito. Os outros aqui em casa podem confirmar.

Não sinta pena de mim, pois posso ainda estar a salvo em relação ao tato. Tal sentido não é tão valorizado e percebido no cotidiano, assim não tenho certeza se tenho algum problema. Mas, no máximo, ele deve ser normal. Na verdade, acho que ele não vai deixar de acompanhar os outros e acabar me deixando na mão numa ocasião mais necessária.

Quem sabe não sou como cegos e surdo-mudos? Na falta de um sentido, eles têm os outros mais aguçados, para compensar. Dessa forma, com a deficiência – mas não completa, graças a Deus – de pelo menos quatro sentidos, há a possibilidade de que eu seja recompensado. Será que tenho um sexto sentido desconhecido? E o que eu conseguiria fazer com ele? Leria mentes, veria o futuro? Ou veria pessoas mortas?

Bem, creio que, no final das contas, não recebi recompensa alguma. E entrar na justiça não deve ajudar em nada. O jeito é me conformar, olhar para o futuro, ouvir só os conselhos confiáveis, sentir cheiros e sabores diversos da vida e sempre ter tato. Se é que consigo.

“Peter Piper picked a peck of pickled peppers. A peck of pickled peppers Peter Piper picked. If Peter Piper picked a peck of pickled peppers, where's the peck of pickled peppers Peter Piper picked?” (Trava-língua)

sexta-feira, julho 07, 2006

Acidente de desenho animado

Ingredientes:

- Um banheiro minúsculo
- Uma lâmpada que demora a acender
- Um rodo
Obs: uma pessoa alta e de óculos é requerida para preparar esta receita

Modo de preparar:

Aperte o interruptor da luz. Já sabendo que ela demora a acender, adiante-se para dentro do banheiro, se abaixando um pouco para levantar a tampa do vaso. Ainda na escuridão, pise na “base” do rodo, que está apoiado na parede. Deixe que o cabo deste siga direto em direção a sua cara. O baque deve produzir um repentino clarão e entortar ainda mais os óculos.

Rendimento: incontáveis porções de idiotice.

quarta-feira, julho 05, 2006

Torneira na cabeça

Não sei qual surgiu primeiro, ou se as duas surgiram juntas, no meu nascimento, mas a questão é que tenho duas torneiras na cabeça.
Vejamos: a primeira que eu descobri eu nem sabia que tinha, mas com o tempo ela se desenvolveu e aflorou destacadamente (ninguém pode dizer que não sabe de sua existência). Ela foi descoberta nos livros do Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato, pois uma das personagens também a tem: é a torneirinha de asneiras. Quanta infâmia, quanta besteira eu já falei na minha vida, principalmente desde o início de meu Ensino Médio, quem me conhece sabe que não deve ter sido pouca.
A segunda deve ser genética e descobri com o livro "A casa da madrinha", da Lygia Bojunga Nunes. Eu adoro os livros dela e devo ter sido o único aluno do Pedro II que gostei desse livro; não sei qual o preconceito. Na história, há um pavão que passou por uma operação, em cuja cabeça foi colocada uma torneira para controlar seus pensamentos, de acordo com a intensidade do fluxo. Por isso, ele tinha pensamento pingado (é, a história era assim, surreal). Não podia haver algo mais parecido comigo, com minha lerdeza.
Na verdade, não sei se são duas torneiras, ou apenas uma, multifuncional, mas que elas existem, existem.
Acredite se quiser!

sexta-feira, março 17, 2006

“Um corpo na gaiola" II

Não, não vá embora! Não é o que você está pensando! Eu não vou continuar aquela história modorrenta da morte do meu passarinho. Só estou fazendo uma alusão ao assunto tratado por mim no post anterior. Acredite se quiser, mas aquela “historinha” de antes era para ser só uma introdução para o tema em mente. Imagine você lendo um texto monstruoso, de 1000 km, uma "tonelada" de comprimento. Eu não iria fazer tamanha tortura. A não ser que pudesse ser pior.
Mas você deve estar pensando: qual será o assunto? Passarinhos assassinos? Bichos de estimação interesseiros? Ou, ainda, conflitos familiares por um nome? Bem, realmente esses seriam assuntos muito interessantes, mas não é nada tão edificante assim. Prefiro falar de histórias do mesmo gênero que a que contei: histórias policiais.
Desde que me entendo por gente, gosto de ler. Influenciado pela minha mãe - é difícil achar algum familiar próximo que goste de ler mesmo, além dela - fui cultivando meu gosto pela leitura e descobrindo um prazer que muitíssimas pessoas não enxergam - o que é uma pena. Com o tempo, fui filtrando meu gosto, percebendo os meus maiores prazeres dentro daquele prazer. Além de livros de aventura e fantasia, com certeza um dos meus "subprazeres", o principal é o gênero policial. Bem junto a ele, lá também estão histórias de suspense, mistério, não necessariamente policiais.
Estive perscrutando minha mente, à procura de uma possível origem, de um provável incentivo inicial para minha preferência. Minha memória não me ajuda muito, mas dessa vez consegui lembrar de indícios muito importantes. Na 5ª série, um dos livros paradidáticos chamava-se "O gênio do crime", do autor J. C. Marinho Silva. Era a história de um grupo de meninos, Edmundo, Pituca, Bolachão e Berenice, que investigavam a identidade do personagem-título, juntamente com o detetive inglês Mister, passando pelo rapto de Bolachão pelo criminoso. É um livro muito lembrado pelos ex-alunos do Pedro II que o leram, como eu. Mas é claro que todos esses detalhes só foram reavivados quando desencavei o livrinho do meu armário.
Mas mais importante ainda é a biblioteca pública de que sou sócio desde 96. Começando naturalmente pela seção infanto-juvenil, encontrei livros de mistério como os de Stella Carr, Marcos Rey (Coleção Vaga-lume!) e Pedro Bandeira - os tão conhecidos livros do grupo dos Karas, formado por Magrí, Calú, Chumbinho, Miguel e Crânio, com o Código Vermelho, o Tênis Polar, num total de cinco livros (e dizem que o sexto vem por aí!). Nessa biblioteca, estava minha iniciação aos policiais, complementando a biblioteca do Sesc, aonde comecei a ir ainda pequeno. Felizmente, depois de algumas mudanças, moro bem pertinho da biblioteca pública e a freqüento sempre.
E o que dizer de "O caso dos dez negrinhos", da Agatha Christie? Para mim, o melhor livro da autora, com uma trama engenhosa, sem precisar de detetives para sustentá-la. Li também outros dela que tenho aqui em casa - livros da minha mãe - mas foi esse livro, principalmente, que me levou a policiais mais "adultos" - apesar de quase ter desistido de ler Agatha Christie devido ao final de "Assassinato no Expresso do Oriente".
Os casos de Hercule Poirot, Miss Marple e Tommy e Tuppence me levaram aos de Sherlock Holmes e Watson, o que é elementar. Cheguei às aventuras do ladrão de casaca Arsène Lupin, do autor Maurice Leblanc, agora levado por um grande amigo meu, também apreciador de policiais - esses livros são muito antigos, mas, pelo menos na minha querida biblioteca, achei vários deles; não há só em sebos.
Na feira de livros na praça perto de casa, descobri um autor pouco divulgado por aqui: James Patterson. É difícil achá-lo em português em livrarias e em bibliotecas, sendo que geralmente são os mesmos poucos livros, apesar de existirem muitos livros publicados. Só fui tomar conhecimento dele por um filme, que na Net quase não passa: "Na teia da aranha". Comprei o livro em que foi baseado - como de praxe, muito melhor que o filme - e, depois, não pude deixar de levar outros dois: "O beijo da morte" - que também virou filme - e "Caçada ao predador", os três com o detetive Alex Cross, além de ler "Esconde-esconde".
Que eu me lembre agora, esses são os meus principais conhecidos de leitura, e já estou me familiarizando agora com Hieronymus (Harry) Bosch, do autor Michael Connelly, que eu já estava para ler há um tempão, mas que não encontrava. Em breve, encontrarei Marlowe, de Raymond Chandler, e Spinoza, de Garcia-Roza, além do suspense de Koontz, que estão à espera de minha aprovação.
E, assim, vou seguindo lendo e conhecendo cada vez mais personagens únicos e autores ímpares, ou apenas simples personagens e simples autores, não me esquecendo de assistir também a filmes policiais, de suspense, de mistério, mas que não ultrapassam minha preferência pelos livros do gênero.
Sim, já estou para acabar. Se você conseguiu chegar até aqui é porque também tem um certo gosto por esse tipo de literatura, pois senão acho que não agüentaria ler tudo. Além do mais, em que a minha vida lhe interessa? Mas o suspense e o mistério sempre interessam a muita gente, com seu clima de surpresas e truques, de revelações e tramas bem urdidas. Mas isso nem sempre é o bastante para atrair de verdade pessoas para a leitura, ainda mais com diversos fatores negativos atrapalhando, como falta de incentivo e de bibliotecas, entre outros.
Porém, fico feliz que também haja gente que cultive esse gosto e que lerá tudo até a última linha. A linha onde sempre ficará um jogo de palavras ou letras, exceto nos dias de história. Dessa vez, o que surge é um pangrama, trecho curto que contém todas as letras do alfabeto, em inglês:
“The quick brown fox jumps over a lazy dog”
***
Este texto até que não tem muitos problemas, mas queria acrescentar alguns aspectos que o tempo modificou, ou nem tanto: a biblioteca do Sesc não mais empresta para não-sócios (como eu) e não pude mais ir lá, porém já a substituí pela Biblioteca Popular do Rio Comprido, um pouco afastada, mas boa; já li todos os livros do Michael Connelly que estavam ao meu alcance nas bibliotecas, são difíceis de encontrar, mas gostei muito, porém ainda nem li nada dos outros autores que citei, só um livro da P.D. James e mais uns do James Patterson e do Dennis Lehane (que estou lendo agora).

quinta-feira, março 09, 2006

Sou todo olvidos

Às vezes penso que exagerei um pouco neste texto, ainda que minha memória seja bem ruinzinha, sim. Para saberem, só realmente convivendo comigo. Mas eu não desejo isso nem para meu pior inimigo...
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Vocês devem não ter percebido que fiquei ausente por um tempo. Depois que voltei de viagem, só postei uma vez e olhe lá! É... bem... admito que não tenho desculpa, foi apenas distração, esquecimento, ou como vocês quiserem chamar.
Durante esse ínterim, meus 435 não-leitores ficaram preocupados comigo e também interessados por palíndromos, anagramas e afins, depois do post "Palavras". Fui bombardeado pelos pedidos deles, principalmente do meu xará Gabriel Gusmão, da minha admiradora Thayllanny Nayara, e da minha jabota heroína, Super Gorda. Mas quem me convenceu mesmo foi meu grande amigo Hilário. Pois, a partir de hoje, ao final dos posts, colocarei tais "jogos" de palavras. Sei que vocês não vão adorar muito.
E agora... do que eu ia falar mesmo? Ah, sim! Sobre a minha ótima memória. Sem sombra de dúvida, a frase que mais falo é "Ih, esqueci!". Se é que não olvidei de alguma outra – vou ser obrigado a usar palavras alternativas. O esquecimento começa pelos objetos: já perdi mais de um guarda-chuva, botando minha mãe fora do sério, além de esquecer coisas variadas em diversos lugares, como material escolar, casaco, até o celular. Sorte que eu conto com a sorte, senão teria que ser gasta uma dinheirama. Sempre procuro colocar os objetos os mais próximos possíveis de mim, evitando, por exemplo, colocar o guarda-chuva para secar num canto. Ainda bem que eu sinto falta dos meus óculos, senão eu perigava perdê-los.
Mas é claro que meu esquecimento não se resume a meros objetos. Acho que o pior é o que tem que guardar na mente, o que não deixa de estar ligado com o fato de lembrar que o objeto tem que voltar para casa, e não ficar abandonado ou ter um novo dono. É muito perigoso falarem para mim: "Me lembra de tal coisa?". Não confiem na minha memória atrofiada, eu aconselho de pronto. Lembrar de fazer algo ou de algum fato ou de quando aconteceu certa coisa: não contem comigo para isso. Só quando é algo bem marcante, que fica incrustado na minha mente, ainda que não tenha um motivo certo, ainda que seja uma lembrança totalmente desimportante; de qualquer jeito, tem que estar gravado mesmo.
O problema é que isso tudo não é um problema só meu. Claro que eu sou ruim mesmo, mas milhares de pessoas têm, atualmente, um sério problema de memorizar as coisas. Em parte pelo estresse, em parte pela avalanche de informações, dados, palavras e mais palavras invadindo nossa mente, entrando na minha mente já não tão eficiente. O jeito é filtrar tudo, pegar uma Penseira - leitores de Harry Potter sabem do que estou falando - e tacar fora tudo de porcaria ou de pouco importante, ou pelo menos esvaziar um pouco o cérebro.
Sempre exercitar a memória é muito bom, tanto em palavras cruzadas e demais jogos próprios para isso - como o velho joguinho com cartelas e pares de desenhos iguais - quanto em exercícios que você mesmo pode criar para malhar o cérebro – não é só tórax, bíceps e todo o resto propalado pelos fisioculturistas. Bem, todos os diversos métodos de ajudar a memória já foram muito divulgados pela mídia e muita gente já conhece vários, mas não põe em prática. Como já devem ter deduzido, eu também não sou adepto de jogos de memória, apesar de até gostar deles, palavras cruzadas em especial.
Tenho que me preocupar é com o passar dos anos. A tendência é que minha memória vá piorando, à medida que a preocupação, o estresse, as informações vão aumentando. Vou chegar num ponto em que não vou saber nem quem sou, de onde vim, para onde vou. Aliás, isso ninguém sabe. Acho que vou ter de contratar lembradores para mim ou gastar pilhas de papel com lembretes; fitas presas nos dedos e Lembrol não servem para droga nenhuma.
Ufa, escrevi demais! Agora é deixar o meu "joguinho" - hoje um palíndromo - e ir-me embora. Desde agora, farei isso sempre. Se eu não esquecer, é claro.

"Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos!"

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Palavras

Já estou colocando um novo post por aqui porque viajo amanhã e ficarei um bom tempo sem postar nada (para alegria dos internautas). Este texto foi escrito quando ainda não havia começado a faculdade - agora vou para o 2º período - e ainda fazia o curso de latim, durante minhas férias prolongadas, mas já o tranquei - aliás, o professor citado no texto é o de latim. Já o curso de alemão continuo a todo vapor e vou para o 3º nível. O problema é conciliar as duas atividades e melhorar na faculdade (o que poderá prejudicar as postagens aqui). Veremos...

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"Te faço duas promessas: vou amar-te e vou a Marte."
"A seca luz azul acesa."
"O Tempo perguntou pro Tempo quanto tempo o Tempo tem. O Tempo respondeu pro Tempo que o Tempo tem tanto tempo quanto o tempo que o Tempo tem."
Esses são alguns exemplos de coisas que adoro. A primeira frase, que inventei - como se perde tempo, não? - lida com trocadilhos, expressões de mesmo som reunidas na mesma frase. As pessoas que me conhecem sabem como adoro fazer piadas com trocadilho, o que muita gente já não agüenta mais (já até prevêem o que vou falar). Adoro pegar palavras iguais e com sentidos diferentes e lançar no ar.
Já na segunda, também de minha autoria, encontra-se um palíndromo, palavrão que significa: palavra que lida de frente pra trás e ao contrário são a mesma coisa. Experimente ler a segunda frase de trás para frente, não levando em consideração os espaços e a união originais das letras. Palíndromos existem em diversas línguas e são outra fonte de diversão minha.
Por último, aparecem os trava-línguas, que adoro ficar exercitando. São uma boa prática para nossa dicção; num curso de locução que um professor meu faz, eles aparecem para incrementar.
Claro que esse embolador de língua não fui que inventei; muitas pessoas podem até já tê-lo ouvido. Experimente lê-lo rápido. Não é tão fácil assim.
Isso tudo mostra o grande amor que tenho pelas palavras. Adoro brincar com elas, embaralhar suas letras, destrinchá-las, descobrir suas origens, vendo suas partes - não é à toa que estou fazendo curso de latim, além de um de alemão. Por isso adoro códigos, anagramas e tudo relacionado a isso. Sim, e até criei um código meu, baseado em meu número favorito. Não é muito bom para codificar a palavra, mas serve.
Afinal, isso tudo foi provocado ou provocou meu gosto pelo Português, mas também pelo aprendizado de línguas. Assim, novas palavras me aparecem para fazer companhia, não é mesmo? Dessa forma também gosto de ler muito e escrever, e agora vou fazer Comunicação Social na UFRJ; começo em agosto. Tomara que tudo corra bem.
Aqui cheguei, para escrever um blog e me expressar num site. Só assim para falar bem em público, pois, na vida real, a timidez atrapalha. Espero que, depois deste texto, vocês também sintam o gostinho bom das palavras e se interessem cada vez mais por elas. Não há nada melhor.