Procurando algum texto desgarrado para passar o tempo? Talvez vc encontre aqui algo que interesse. Encontro os textos perdidos por aí, às vezes em algo do dia a dia, em alguma fala, na minha mente tresloucada, e reúno aqui para vc levar para casa.
domingo, setembro 24, 2006
Paternostro
Paternostro, que está na ECO, maldito seja o seu nome, afaste de nós a sua matéria, NÃO seja feita a sua vontade.
Assim no binário como no hexadecimal, o entendimento nosso de cada dia nos dê hoje.
Perdoe a nossa ignorância, assim como nós perdoamos a sua falta de didática. E não nos deixe cair em reprovação, mas livre-nos do mal.
41 6D 2C 65 6D 2E oops! Amém.
sexta-feira, setembro 01, 2006
"Seja o que Deus quiser..."
domingo, julho 30, 2006
Desafio
Façam suas apostas nos comentários!
domingo, julho 23, 2006
Pensamentos desencontrados - [Sugestão de título?]
Pensamentos desencontrados - A Vingança!
...
Pensamentos desencontrados - A Missão!
O verdadeiro Murphy, até hoje, não recebeu o prestígio que lhe é devido por causa de suas Leis tão famosas mundo inteiro. O verdadeiro Murphy ainda tem Leis que não são difundidas, mas que são de importância capital, dentre elas estas duas:
- Todo produto químico tomado imprudentemente gera uma nova personalidade indesejável
- Cuidar muito de animais pode levar o veterinário a ouvir constantemente vozes deles
Decepcionado com seu ostracismo, o verdadeiro Murphy resolveu se dedicar à vida de ator, o que faz até hoje escondido sob um disfarce.
Reparem bem que alguns filmes têm Leis suas inseridas...
segunda-feira, julho 17, 2006
Pensamentos desencontrados - O Retorno!
"Vai ter Hezbollah"
quinta-feira, julho 13, 2006
...
segunda-feira, julho 10, 2006
Mandarins, gaviões e borboletas
Com esse marido, ao contrário de com o anterior, Nicoll se deu muito bem, ambos ariscos e agitados. Além do mais, Nil lembra Zento (lembram-se dele, do texto "Sem noção"? Claro que não, né?), adora rasgar jornal para colocar no ninho e "pimbar" (nosso dialeto para "acasalar", "namorar"), ainda que ele e Nicoll adorem matar filhotes, e tem o canto parecido com o de Joe, seu vizinho. Notícia fresquinha para os senhores, visto que só se passaram 1 ano e 1 mês que Nil está conosco!
Tudo ia bem, até o dia derradeiro... Como meu pai sempre faz, ele tinha colocado os "meninos" (passarinhos) na sala, para verem a paisagem e para tomarem sol: as 2 gaiolas dos mandarins no parapeito da janela e o viveiro dos calafates em frente a esta. Enquanto isso, eu estava no computador, querendo saber se o Corel Draw estava instalado, devido ao Laboratório que fazia na faculdade (no período que acabei de terminar, o 2º). Assim, chamei meu pai, que se encontrava na sala, para tirar a dúvida. Quando estávamos vendo isso, no quarto da minha irmã, escutamos os Bicões (como chamamos os calafates, Bicão e Biquinha) fazendo barulho, seu "pic pic" costumeiro, só que mais frenético, mas pensamos que fosse só alguma palhaçada que eles faziam de vez quando e não demos bola.
Porém, depois de um tempo, meu pai resolveu ir ver o que era. Quando chegou na sala - depois ele me contou - ele viu algo grande voando de cima das gaiolas dos mandarins. Olhando para o céu, lá estava um gavião. E, dentro de uma das gaiolas, Joe estava morto. A princípio, meu pai pensou que ele tivesse morrido de susto, mas, depois, viu que faltava um pedaço do corpo, mais especificamente a cabeça... Ainda bem que eu não vi, deve ter sido horrível; meu pai até contou pra minha irmã e pra minha mãe a primeira versão, para não chocar.
Nessa época, eu estava meio depressivo e fiquei pensando que tinha sido minha culpa o Joe ter sido atacado. Eu tinha feito besteira ao escolher o Laboratório (caíra num que não queria) e, por causa dele, tinha que instalar o tal Corel Draw. Assim, chamara meu pai, que, se estivesse na sala na hora, teria evitado a tragédia, já que o gavião não faria nada com um humano por perto. Fiquei pensando em mil e uma coisas, como no (ótimo) filme "Efeito Borboleta", em que pequenos detalhes geram um grande acontecimento, o bater de asas de uma borboleta que gera um furacão. Claro que depois vi ser tudo bobagem da minha mente, pois a vida toda é fruto desse tipo de coisa e não havia razão de eu ser culpado por nada.
Jana ficou, então, por muito tempo, sozinha. Isso porque não havia mandarim para comprar – o único disponível era careca e caolho – e porque não queríamos arriscar comprar um, que iria querer "namorar" e podia prejudicar Jana, que já tinha problema numa das patas, sem dedos (para quem não sabe, o acasalamento é feito com o macho subindo na fêmea). Contudo, chegou o dia em que surgiu um macho e ele veio pra casa. É o oposto de Joe: grande, gordo e com voz de grossa, e, como naturalmente, imitou o canto de Nil. O problema era esse: Jana sempre gostara de Joe, o seu oposto, e ainda o vira ser assassinado na sua frente.
Jana e Carlinhos (ou Charlie, nome dado a muito custo) não pararam de brigar um minuto, foi preciso fazer um ninho novo pra eles domirem separados, mas, depois de muito tempo, eles se conciliaram. Dá para perceber que não é a mesma coisa que com Joe, ainda brigam de vez em quando, mas está bem melhor. Jana soube se defender e não deixou ele vir com segundas intenções para cima dela - literalmente.
sexta-feira, julho 07, 2006
Acidente de desenho animado
- Um banheiro minúsculo
- Uma lâmpada que demora a acender
- Um rodo
Obs: uma pessoa alta e de óculos é requerida para preparar esta receita
Modo de preparar:
Aperte o interruptor da luz. Já sabendo que ela demora a acender, adiante-se para dentro do banheiro, se abaixando um pouco para levantar a tampa do vaso. Ainda na escuridão, pise na “base” do rodo, que está apoiado na parede. Deixe que o cabo deste siga direto em direção a sua cara. O baque deve produzir um repentino clarão e entortar ainda mais os óculos.
Rendimento: incontáveis porções de idiotice.
quarta-feira, julho 05, 2006
Torneira na cabeça
Vejamos: a primeira que eu descobri eu nem sabia que tinha, mas com o tempo ela se desenvolveu e aflorou destacadamente (ninguém pode dizer que não sabe de sua existência). Ela foi descoberta nos livros do Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato, pois uma das personagens também a tem: é a torneirinha de asneiras. Quanta infâmia, quanta besteira eu já falei na minha vida, principalmente desde o início de meu Ensino Médio, quem me conhece sabe que não deve ter sido pouca.
A segunda deve ser genética e descobri com o livro "A casa da madrinha", da Lygia Bojunga Nunes. Eu adoro os livros dela e devo ter sido o único aluno do Pedro II que gostei desse livro; não sei qual o preconceito. Na história, há um pavão que passou por uma operação, em cuja cabeça foi colocada uma torneira para controlar seus pensamentos, de acordo com a intensidade do fluxo. Por isso, ele tinha pensamento pingado (é, a história era assim, surreal). Não podia haver algo mais parecido comigo, com minha lerdeza.
Na verdade, não sei se são duas torneiras, ou apenas uma, multifuncional, mas que elas existem, existem.
Acredite se quiser!
terça-feira, julho 04, 2006
Copa do Mundo 2006
quinta-feira, junho 22, 2006
Pensamentos desencontrados
Hitler nasceu em 20/04 - por sinal, minha mãe também, porque a parteira não queria que ela nascesse no mesmo dia que Getúlio Vargas (19/04), por não gostar dele, mas a situação foi ainda pior.
Logo, o ditador (me refiro ao primeiro) é do signo de Áries.
Por isso que, para Hitler, a raça superior se chamava ariana?
P.S.: Que falta do que fazer... Ou não!
sábado, junho 17, 2006
Ó, Suzana (nova versão)
domingo, maio 07, 2006
Paixão aprisionada
O carcereiro pega seu molho de chaves e, com o prato seguro na outra mão, abre a cela. A comida é colocada de qualquer jeito no chão de concreto e a porta é novamente trancada. Ouvindo os passos do carcereiro ressoarem à distância, o presidiário pega com avidez o prato e leva a colher à boca repetidamente, sofregamente, em uma velocidade surpreendente.
Largando o prato no chão, ele limpa sua longa barba desgrenhada com as costas da mão e emite um sonoro arroto. Tudo bem que a comida era uma porcaria, mas que diferença fazia isso agora? Esperando ainda um pequeno tempo, ele resolve que já está na hora. Apoiando-se na balaustrada da cama miserável, o velho enfia, num rompante, o dedo indicador na goela. O vômito é lançado a seus pés e ele desaba de joelhos, quase em cima da imundície.
Os sons chamam a atenção do carcereiro, que surge à porta e vê o homem ajoelhado, tiritando, uma poça a sua frente.
- Mas que diabos está acontecendo, cara? Vem aqui!
Com um braço apoiando-o, o guarda leva o cambaleante presidiário para um pequeno quarto, ao mesmo tempo em que brada por seu companheiro. Depois de acomodarem mal e mal o preso, os carcereiros decidem limpar-lhe os resquícios do vômito e aquecê-lo com um cobertor. Quando estão contactando um médico, vêem, aliviados, o doente adormecer. Apesar disso, um deles fica de guarda à porta fechada do quarto, enquanto outro vai vigiar os demais delinqüentes.
Dentro do cômodo, o presidiário abre os olhos lentamente. Perscrutando o ambiente, ele se certifica de que está sozinho e se levanta, se livrando do cobertor, que já o fazia suar. Sem o mínimo sinal de debilidade, anda com decisão para perto da janela e começa a trabalhar. Como as instalações ali são precárias e não são fiscalizadas há muito tempo, não havia problema algum em forçar uma passagem. É preciso menos de um minuto para escancarar a janela e pular para fora.
Correndo em desabalada carreira, ele escala o muro e cai do outro lado, rolando pela calçada. Logo se levanta e continua correndo pelas ruas, como se ainda estivesse na flor da idade. Raimundo não iria esperar que o médico chegasse e os carcereiros se dessem conta de sua burrice. Burrice, sim, ainda que eles estivessem há apenas duas semanas naquela prisão, pois a rotatividade no cargo era grande. E o presidiário se valeu disso para enganar mais uma vez a lei. O delegado, que já estava há um bom tempo trabalhando ali, não era muito de aparecer e nem devia se importar com suas fugas.
Agora seu objetivo está bem próximo. Já podia avistá-lo, grandioso, pessoas e mais pessoas a sua volta, um coro de vozes reboando, o êxtase alimentando sua agilidade. Raimundo já sabe para onde deve se dirigir. Embrenhando-se na multidão para despistar seus perseguidores, mas depois se afastando dela, ele chega a um recanto abandonado. Olhando ao redor, o presidiário se aproveita de sua magreza e se espreme por entre as grades. Ainda que saiba o caminho a seguir, Raimundo tem toda a precaução do mundo e espera ansiosamente.
Depois do que parece uma eternidade, um homem atarracado aparece no terreno e abre um sorriso. Os dois se abraçam e querem saber como o outro está, mas isso não demora e logo ambos estão andando por um caminho estreito, em silêncio. Chegam a uma porta depois de certo tempo e Raimundo não consegue se controlar. Passando à frente de seu amigo, ele ultrapassa o portal e se vê em meio à multidão novamente. A porta bate às suas costas e o presidiário, ao olhar para baixo, percebe que chegara no momento glorioso.
O coro à sua volta aumenta mais ainda quando surgem de uma escada vinte e dois homens, acompanhados de crianças, quase todos vestindo a mesma camisa que Raimundo tem no corpo, camisa essa da qual ele se separaria só quando morresse, ainda que estivesse bem gasta e suja. Olhando para os milhares de pessoas aglomeradas naquele grande estádio que era o Maracanã, para a multidão vibrante e multicolorida, ele sente uma paz maravilhosa.
Mas uma paz que não iria durar muito tempo. Logo se inicia um dos jogos mais aguardados pelo presidiário, a final do Estadual entre Flamengo e Fluminense, e Raimundo passa a ser o torcedor que mais sofre, que mais cobra, que não tira os olhos da bolinha que rola e salta de um lado para outro do campo. O espetáculo o hipnotiza e o leva às lágrimas quando seu time, mesmo sob pressão do adversário, abre o placar aos 15 minutos. Raimundo pula mais que todos os outros torcedores, gritando como um alucinado, abraçando todo mundo.
Mas o jogo se mantém equilibrado, os dois times atacando e contra-atacando. O intervalo entre os tempos chega e, só aí, o detento resolve verificar se algum policial está vindo em seu encalço, se ele corre perigo. Porém, tudo parece tranqüilo, como sempre.
O segundo tempo começa e a alegria de Raimundo não dura muito, pois o Fluminense empata em jogada espetacular, calando o presidiário e a torcida ao seu redor. Ainda haveria várias jogadas de tirar o fôlego, bolas na trave e até brigas que resultariam em expulsões para os dois lados, mas nada de gol. Com as unhas bastante roídas, o velho torcedor vê, sem acreditar, o juiz concluir o jogo, levando-o para os pênaltis.
Raimundo se senta e fecha os olhos, sem querer olhar as angustiantes cobranças. Sabendo que o Flamengo iria começar, ele adivinha os acontecimentos pelas reações dos torcedores. Vibra intimamente com os acertos de seu time e os erros do outro, até que não agüenta mais ficar sem ver. Abre os olhos e aguarda a cobrança do Flamengo, que pode garantir o título. Apesar de ser ateu, ele pede a Deus que o jogador acerte.
O atleta corre para a bola e chuta. O goleiro se joga e espalma a bola. Enquanto ele comemora, Raimundo se desespera. Contudo, o inimaginável acontece: a bola faz uma curva e, espetacularmente, sem que o goleiro tenha tempo de reagir, adentra o gol.
O presidiário não se contém e grita tresloucado. Pleno de alegria, ele corre por entre a multidão e sai do estádio, pulando e cantando o hino do Flamengo com toda a força. Agora que seu sonho se realizara, agora que conseguira ver seu tão amado time, ainda mais sendo campeão, ele podia voltar em paz para a prisão, pois estava satisfeito.
quinta-feira, março 30, 2006
"Diga-me com quem conversas e eu te direi quem és"
"Se rir fosse bom, hiena não comia carniça" (Hilário V. B. Cumaddig)
quinta-feira, março 23, 2006
...munMUNmundoDOdo...
A história é muito interessante e tem muito a ver com ele: conta sobre um garoto que, gostando muito de ler, resolveu andar perto de casa, até o dentista, lendo um livro, não se preocupando com o resto ao redor. Seu livro trata de um menino apreciador da leitura, que não larga o livro um minuto, até quando anda pelas ruas num tremendo frio.
Mas Nudmo não pôde saber do assunto do livro do garoto que estava na história do livro do menino, cuja história era contada no livro de Nudmo. Dessa vez o esbarrão é mais forte e o menino leitor cai no chão, só vendo que dois homens correm pela praça a sua frente, levando o livro. Nudmo esquece-se completamente do dentista e, aficionado pela história misteriosa, corre em desabalada carreira atrás dos ladrões.
O garoto vê os dois desaparecerem ao dobrarem a esquina e, aflito, aumenta a velocidade, sentindo o vento gelado fustigar seu corpo. Na rua seguinte, ele avista um vendedor de rua anunciando promoções e, de relance, vê a capa de seu livro. Rapidamente, ele pára e, com sua mesada, compra-o. Agora Nudmo não precisa mais se preocupar. Só precisa reiniciar de onde parara.
O livro do segundo menino diz ser sobre um menino que adora ler... mas era a mesma coisa! Achando que a seqüência interminável ocuparia o livro todo, Nudmo se espanta ao ler que o menino do livro não conseguira ler o resto porque fora derrubado e roubado. Mas, sem se importar com os compromissos, o garoto perseguiu os delinqüentes até dar de cara, por acaso, com o livro desejado.
Nudmo já está zonzo com aquilo tudo. Ele segue mais no livro e percebe que teria de interrogar o vendedor acerca dos bandidos. Só um teste, pois a resposta já está estampada nas páginas do livro.
- Viu dois homens correndo com um livro na mão?
- É claro, foram para lá. - ele aponta uma porta estreita numa casa verde ali perto - Roubaram você?
Nudmo nem responde, espantado que está com os fatos iguais, assim como acontecia com o menino do livro, ao ler seu próprio livro. Será que o livro teria sua vida toda? Mas ele é bem pequeno. Então iria até que parte? Ele resolve não olhar mais à frente, deixando a curiosidade de lado; não quer saber do futuro próximo. Quem sabe ele não morreria daqui a pouco? "Estou ficando maluco!", pensa o garoto, adentrando a casa verde com o livro na mão, marcado na parte em que parara.
Agora ele se encontra num hospício. Nudmo está assustado diante dos homens e mulheres que o fitam com olhares débeis e que agem de modo estranho. Um dos enfermeiros surge, saindo de um quarto, com o livro de Nudmo nas mãos. Mas ele não é um dos ladrões. O menino corre para o enfermeiro, mas é barrado por outro no corredor.
- O que você está fazendo aqui? Os loucos já te deram esse maldito livro? Muitos deles vieram parar aqui por causa dele. Largue isso! Não leia!
Ele arranca o livro da mão de Nudmo e se afasta, decidido. Estarrecido, o garoto só consegue olhar para o lado, para dentro do quarto ao lado, cuja porta está aberta. Lá dentro, estão os bandidos que Nudmo perseguia, mas com camisas-de-força. Ou haviam lido o livro ou queriam continuar a lê-lo, depois de loucos.
"Puxa, será que isso é verdade? Um mero livro não vai fundir a cabeça de ninguém!" Um paciente se aproxima e lhe estende furtivamente outro exemplar do livro que o enfermeiro levou embora. Dizendo "com os cumprimentos de Napoleão", o maluco se distancia.
A curiosidade é mais forte e Nudmo folheia o livro até a parte em que o vendedor respondia a sua pergunta. Depois disso, os acontecimentos se repetiam detalhadamente. O menino já está assustado, imaginando se ele mesmo não estaria na verdade num livro, uma vida inventada por outros. Da mesma forma que o menino do livro agia.
A história continua depois com a reaparição do enfermeiro, repreendendo Nudmo e dizendo:
- Garoto, você está ficando maluco! Esse livro está te prendendo, não percebe? Ele não vai te revelar nada! Me dê ele aqui. É sério!
Parecia a Nudmo que ele ouvia um eco da fala do livro. Pensando que a maluquice já está agindo, o menino levanta a cabeça e dá de cara com o mesmo enfermeiro que lhe confiscou o livro. Ele volta a olhar para o livro e vira a página, ávido por saber do resto. Mas só há uma folha em branco, sem nenhuma letra. O que aquilo quer dizer?
segunda-feira, março 20, 2006
Econotícias - 1ª edição
sexta-feira, março 17, 2006
“Um corpo na gaiola" II
Mas você deve estar pensando: qual será o assunto? Passarinhos assassinos? Bichos de estimação interesseiros? Ou, ainda, conflitos familiares por um nome? Bem, realmente esses seriam assuntos muito interessantes, mas não é nada tão edificante assim. Prefiro falar de histórias do mesmo gênero que a que contei: histórias policiais.
Desde que me entendo por gente, gosto de ler. Influenciado pela minha mãe - é difícil achar algum familiar próximo que goste de ler mesmo, além dela - fui cultivando meu gosto pela leitura e descobrindo um prazer que muitíssimas pessoas não enxergam - o que é uma pena. Com o tempo, fui filtrando meu gosto, percebendo os meus maiores prazeres dentro daquele prazer. Além de livros de aventura e fantasia, com certeza um dos meus "subprazeres", o principal é o gênero policial. Bem junto a ele, lá também estão histórias de suspense, mistério, não necessariamente policiais.
Estive perscrutando minha mente, à procura de uma possível origem, de um provável incentivo inicial para minha preferência. Minha memória não me ajuda muito, mas dessa vez consegui lembrar de indícios muito importantes. Na 5ª série, um dos livros paradidáticos chamava-se "O gênio do crime", do autor J. C. Marinho Silva. Era a história de um grupo de meninos, Edmundo, Pituca, Bolachão e Berenice, que investigavam a identidade do personagem-título, juntamente com o detetive inglês Mister, passando pelo rapto de Bolachão pelo criminoso. É um livro muito lembrado pelos ex-alunos do Pedro II que o leram, como eu. Mas é claro que todos esses detalhes só foram reavivados quando desencavei o livrinho do meu armário.
Mas mais importante ainda é a biblioteca pública de que sou sócio desde 96. Começando naturalmente pela seção infanto-juvenil, encontrei livros de mistério como os de Stella Carr, Marcos Rey (Coleção Vaga-lume!) e Pedro Bandeira - os tão conhecidos livros do grupo dos Karas, formado por Magrí, Calú, Chumbinho, Miguel e Crânio, com o Código Vermelho, o Tênis Polar, num total de cinco livros (e dizem que o sexto vem por aí!). Nessa biblioteca, estava minha iniciação aos policiais, complementando a biblioteca do Sesc, aonde comecei a ir ainda pequeno. Felizmente, depois de algumas mudanças, moro bem pertinho da biblioteca pública e a freqüento sempre.
E o que dizer de "O caso dos dez negrinhos", da Agatha Christie? Para mim, o melhor livro da autora, com uma trama engenhosa, sem precisar de detetives para sustentá-la. Li também outros dela que tenho aqui em casa - livros da minha mãe - mas foi esse livro, principalmente, que me levou a policiais mais "adultos" - apesar de quase ter desistido de ler Agatha Christie devido ao final de "Assassinato no Expresso do Oriente".
Os casos de Hercule Poirot, Miss Marple e Tommy e Tuppence me levaram aos de Sherlock Holmes e Watson, o que é elementar. Cheguei às aventuras do ladrão de casaca Arsène Lupin, do autor Maurice Leblanc, agora levado por um grande amigo meu, também apreciador de policiais - esses livros são muito antigos, mas, pelo menos na minha querida biblioteca, achei vários deles; não há só em sebos.
Na feira de livros na praça perto de casa, descobri um autor pouco divulgado por aqui: James Patterson. É difícil achá-lo em português em livrarias e em bibliotecas, sendo que geralmente são os mesmos poucos livros, apesar de existirem muitos livros publicados. Só fui tomar conhecimento dele por um filme, que na Net quase não passa: "Na teia da aranha". Comprei o livro em que foi baseado - como de praxe, muito melhor que o filme - e, depois, não pude deixar de levar outros dois: "O beijo da morte" - que também virou filme - e "Caçada ao predador", os três com o detetive Alex Cross, além de ler "Esconde-esconde".
Que eu me lembre agora, esses são os meus principais conhecidos de leitura, e já estou me familiarizando agora com Hieronymus (Harry) Bosch, do autor Michael Connelly, que eu já estava para ler há um tempão, mas que não encontrava. Em breve, encontrarei Marlowe, de Raymond Chandler, e Spinoza, de Garcia-Roza, além do suspense de Koontz, que estão à espera de minha aprovação.
E, assim, vou seguindo lendo e conhecendo cada vez mais personagens únicos e autores ímpares, ou apenas simples personagens e simples autores, não me esquecendo de assistir também a filmes policiais, de suspense, de mistério, mas que não ultrapassam minha preferência pelos livros do gênero.
Sim, já estou para acabar. Se você conseguiu chegar até aqui é porque também tem um certo gosto por esse tipo de literatura, pois senão acho que não agüentaria ler tudo. Além do mais, em que a minha vida lhe interessa? Mas o suspense e o mistério sempre interessam a muita gente, com seu clima de surpresas e truques, de revelações e tramas bem urdidas. Mas isso nem sempre é o bastante para atrair de verdade pessoas para a leitura, ainda mais com diversos fatores negativos atrapalhando, como falta de incentivo e de bibliotecas, entre outros.
Porém, fico feliz que também haja gente que cultive esse gosto e que lerá tudo até a última linha. A linha onde sempre ficará um jogo de palavras ou letras, exceto nos dias de história. Dessa vez, o que surge é um pangrama, trecho curto que contém todas as letras do alfabeto, em inglês: