domingo, fevereiro 15, 2009

Rumo ao mundo mágico

Admirar e contemplar a vida. Não aquela mesma conversa do texto anterior, mas acho que uma natural continuação.

Nesta minha saga de querer observar a vida, encontrei nos livros e na literatura meus aliados. É nos milhares de mundos presentes nos textos, nas histórias que consigo absorver tudo o que a vida tem a ofertar. Inúmeras perspectivas e novos ângulos presentes no mundo que nunca poderia deslumbrar ou sobre os quais nem poderia pensar, são caminhos que os livros me abrem.

A boa literatura, com toda a sua carga poética, suas metáforas, sua sensibilidade, conseguem nos pôr novos olhos para enxergar o viver. Adoro estar na pele de diversos personagens, percorrendo diferentes mundos reais, fictícios ou numa mescla dos dois, pensando sobre o que está ao meu redor, e não simplesmente captando tudo por osmose, mas filtrando e elaborando e ruminando e transformando...

É o mundo da linguagem, das línguas, símbolos, desenhos que se juntam num emaranhado, que dançam, se associam, pintam e bordam, e perfazem um sentido todo especial, manipulado com maestria pelos grandes escritores. Símbolos que têm sons próprios e fluem, voam, se chocam, se pronunciam ou travam, em conversas e falas e apresentações que se enchem de significado porque nós aprendemos na escola a capturá-los e a decodificá-los e a revertê-los em novos despejos de ruídos e rabiscos.

Um mundo mágico pelo qual sempre me fascinei e sobre o qual sempre quero saber mais e estudar e conhecer e destrinchar e passear por seus caminhos. Sempre estava em minha mente, mas por que não consegui perceber antes que ali estava minha verdadeira vontade? Por que fui seguir por outros papéis, também de letras e sons, mas não tão mágico e fascinante?

Medo, pressão, falta de jeito... vários fatores podem explicar... mas o amor volta e não é possível refrear. O desejo, a vontade, o ânimo, a instigação! Será só uma paixão, cuja chama, em certo momento, se extinguirá? Creio que não.

Creio que encontrei meu caminho, para este mundo mágico. Sempre tive pistas, vindas de amigos, professores, aulas, mas não queria dar ouvidos a elas e fingia não ver. Vou agora mergulhar. Rumo a águas mais profundas.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Frenesi

Um turbilhão de idéias. Um turbilhão de interesses. Minha mente fica a mil, pensando em várias coisas ao mesmo tempo.

Ora são livros, ora são filmes, ora é o blog, ora é o Twitter, ora são meus livros e histórias em quadrinhos, a Comunidade, o namoro, a UFRJ, a UERJ, a literatura, os amigos, a vida!

Tantas coisas pra fazer, tantos objetos interessantes, tanta imaginação, criatividade, vontade de escrever, de se divertir, de extravasar, de desenhar, de ensinar, de amar!

Sempre existem momentos de tédio, mas como ter tédio com tanta coisa? Numa hora, minha cabeça só pensa num assunto, na outra perdeu todo o interesse por ele e só pensa em outro; em um minuto tem preconceito sobre algo, no outro não sai daquilo...
Desconfiava que fosse bipolar, mas agora já vejo que não: na verdade sou multipolar!

Quero temas que me instiguem, atividades que incentivem meus pensamentos e idéias e alucinações e divagações, minhas viagens! Coisas que façam viver a vida, ainda que seja a meu modo, de forma mais introspectiva e contemplativa, mas também social e animada.

Por que esquecemos de admirar nossa vida, de ver o mundo como se fosse com olhos de criança, olhos virgens? Por que não podemos sentir e descobrir tudo de forma especial?

Em suas crônicas, Rubem Braga sempre busca esse alumbramento pelas coisas simples -mas tão importantes - da vida. A natureza, a solidão, a amizade.
E Jostein Gaarder, autor do famoso "O Mundo de Sofia", defende essa visão "filosófica" sobre a vida, como se nascêssemos de novo.

Questionar as coisas - os inúmeros "por quês" da criança -, deixar a beleza aflorar.

"Viver, e não ter a vergonha de ser feliz! Cantar a beleza de ser um eterno aprendiz!"

Pode não ser tão fácil, mas é sempre bom tentar.

terça-feira, janeiro 20, 2009

Na Casa Verde

Itaguaí. Um senhor alto, de óculos, está sentado em uma cadeira, absorto em suas reflexões. Sua mão apoia a cabeça, em meio ao emaranhado da barba, e seu olhar está fixo em um ponto qualquer da casa de paredes brancas e janelas verdes. Batem à porta.

Calmamente, o Dr. Simão Bacamarte se levanta e anda até a porta de entrada. Abre-a de supetão.
- Olá, caro doutor! – um homem moreno de cabelos revoltos exclama - Há tempos que não nos víamos! Posso entrar?
Diante de um esboço de sorriso do alienista, Hilário adentra a Casa Verde, olhando em volta.

- Oh, esta casa parece meio descuidada, vazia... Só você mora aqui, não?
- Meu caro Hilário – a voz gutural do doutor se faz ouvir – o senhor crê que perderia meu precioso tempo com futilidades? Os pensamentos e descobertas que estão por vir são muito importantes para minha vida e esses, sim, me nutrem.
- Sim, concordo com você. Os livros que escrevo e também minhas histórias em quadrinhos, desenhos, são os que me fortalecem. Meus personagens vivem em mim e ao meu redor e convivem comigo. Vejo-os sempre ao meu lado, mas... acho que deva ter bom senso!
- Creio que, tempos atrás, internaria o senhor aqui na Casa Verde, porém, agora, este lugar é reservado somente para mim, o único digno deste espaço sublime...

A campainha toca de novo, contradizendo o médico. Passos fortes e a porta se abre.
- Doutor Escopeta e meu amigo Cômico! Que bom vê-los! – um garoto super-risonho está na soleira, com os braços abertos.
- Ah, não, lá vem de novo ele com suas piadinhas! – Hilário exclama insatisfeito.
- Ora, ora, se vocês não gostassem não teriam me chamado aqui.
- Mas não fomos nós que te chamamos, Pacadinho. – o escritor retruca.
- De qualquer forma vou entrando, messieurs.

A porta se fecha e a luz exterior some, deixando o cômodo na penumbra.
- Vocês não acham que devíamos acender alguma luz, não? Não virei morcego ainda! – ironiza o menino.
- Somente consumo minhas velas, valiosas para o estudo, em circunstâncias especiais. E creio que este é o caso.

Dr. Bacamarte pega uma caixa de fósforos em cima da mesa de estudos e acende uma vela já quase toda consumida.
- Sentemo-nos em volta desta vela para aproveitarmos bem sua luz. Para usufruir dela ainda melhor, lerei algumas anotações minhas realmente geniais.
Hilário e Pacadinho se sentam e se entreolham, resignados.

Neste momento, um grito assustador se ouve e os dois quase caem de suas cadeiras. Somente o doutor está impassível, olhando seus manuscritos. Um homem baixo e gordinho aparece no raio de luz da vela, gargalhando.
- Seu idiota! – grita raivoso Hilário – Tinha que ser você, sua mala!
- Sr. Furtivo Bag, a seu dispor – o homenzinho estende a mão pegajosa, sarcasticamente – Ah, alguém tem um cigarro aí ou algo que se possa fumar?
- Isso, continue fumando bastante e bata logo as botas!
- Sempre o certinho irritadinho, né, Sr. Cumaddig? Não sei para que vim a esta joça!
- Não se impaciente, saberão agora. – uma voz diferente das outras é ouvida.

Um homem alto de cabelos negros surge da escuridão e se posta entre o doutor e o menino.
- Quem é você? – pergunta, insolente, Furtivo.
- Sentem-se. – todos se ajeitam sem questionar – Por que vocês vieram?
- Não sei. – falou Pacadinho - Só sei que tive uma vontade impressionante de vir, como se a Casa me atraísse. Achei que estava ficando lelé, que nem o Doutor Carabina.
Os outros concordaram.

- Pois bem, fui eu que os convoquei. – todos se entreolharam, menos o médico – Meu nome é Machado. Vocês, bem ou mal, se conhecem já. Esbarram-se por aí. Mas possuem uma ligação muito mais forte do que podem imaginar. Entre si e comigo.
Todos o olhavam em silêncio, até Dr. Simão se mostrava interessado.
- Vocês são como irmãos e são como meus filhos. Quando sou inventivo e criativo, recorro ao Hilário. Quando sou engraçadinho, recorro ao Pacadinho. Quando sou maluco ou casmurro, recorro ao Dr. Simão. E quando me viro ao avesso e me mudo... sou o Furtivo. Muitas vezes vocês não aparecem sozinhos, há momentos misturados, é inevitável, por isso já se conhecem. E vocês todos estão dentro de mim, fazem parte de mim, estão aqui – Machado coloca a mão no coração – e aqui – repousa a mão na cabeça. Não sei se existem outros, mas vocês farão parte da minha vida para sempre.

Havia uma grande emoção no ar.
Todos se aproximaram e Machado os abraçou de uma vez só.
Fechou os olhos. Soltou-os.
Olhou em volta e eles já se haviam ido. Sozinho mais uma vez na Casa Verde.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

A escrita correta

Todo mundo já escreveu texto sobre a reforma ortográfica, com destaque para os textos engraçadinhos cheio de palavras com tremas. Eu não queria ficar de fora. Mas não será um texto engraçadinho – por encreça que parível – pelo contrário: imagino que meus 435 desleitores irão “cabecear” de sono.

A mudança mais insignificante, sem penumbra de dúvida, é o anexo das letras K, W e Y ao alfabeto. Ué, mas elas já não faziam parte? Vejam os nomes bizarros que as pessoas gostam de colocar, com essas letras “estrangeiras”, além dos milhares de estabelecimentos que preferem usar um nome em inglês do que em nossa língua nativa – ridículos, diga-se de passagem. Nem incentivar um maior uso vai.

A transformação contra a qual mais me rebelei foi a do trema: como assim abolir o sinal que dá voz ao U? Podíamos aproveitar a emergência da letra K e escrever “trankilo”, afinal, para que serve essa droga desse U? Viraremos argentinos. OK, é exagero, será uma questão de prática e, como disse João Ubaldo, não se fala como se escreve. Aliás, será que agora vão parar de falar “qÜestão”? Seria uma bênção! Ainda assim, acho que o trema só facilitava a pronúncia.

Na verdade, a prática está envolvida em todas as mudanças. Aos poucos nos acostumamos... Mas e as pessoas que passaram pelo outro Acordo ainda não têm dúvidas e acham que se escreve “flôres”? Mas elas não devem escrever muito, sei lá. Vai ser difícil me acostumar com a idéia... opa, cai o acento! O mesmo caso da pronúncia. Mas “pera lá”: a gente não precisa de acento para falar “agora” com som aberto, então... mas que é estranho é. E também fica uma feiura só escrever assim. Mas está certo que não faz diferença sem acento.

Ainda no campo dos acentos, se esborracha no chão das palavras o acento de “averigúe”. Alguém usava isso? Para dizer a verdade, achava que era “averigüe”. Legal que agora as crianças ficarão ainda mais em dúvida, sem o acento e o trema possível. E os voos sem acento da Gol? Não acho um escândalo, não muda tanto. Só tem um perigo: criança ver as letras “estrangeiras” e pronunciar como inglês, “Eles ‘crim’ em Deus”. Tudo bem, é brincadeira.

Vou aproveitar a “unificação” do Português e vou começar a escrever “matrimÓnio” e colocar o verbo “andar” no passado como “andÁmos”. Com sotaque e tudo, ora pois. Contudo, o acento diferencial me tira do sério: para com isso! Para para pensar. Pior do que isso, só termos que escrever agora “coriano”! Caraca, a Coreia está revoltada! Primeiro perde o acento, depois o E!

Continuando os barbarismos, o sempre problemático caso do hífen. Ninguém sabia antes, agora parece que tem uma lógica. Vogal igual e H hifeniza; R e S dobram, a não ser que o prefixo termine com R (exemplos bizarros que vi no jornal: super-rato e supersaci). E tem uns prefixos que sempre são com hífen, aí trate de decorar e/ou ter bom senso. Mas parece que resolveram manter junto “coordenar” e “coabitar”. Assim não coopera com a gente! Não querem o nosso benquerer! (que junta!)

Porém, o mais inexplicável é a tal “noção de composição”: quando as palavras que formam um substantivo composto perdem seus significados e só sobra o significado da palavra como um todo, o hífen é morto pela Flora. Foi um tal de hífen tentando defender suas palavras compostas que não está no gibi – claro, a HQ ainda não está adequada ao Acordo. As vítimas foram justamente o mandachuva e o paraquedas (já sem acento). Realmente, o todo se perdeu em manda-chuva e só poderíamos denominar assim São Pedro. Entretanto, por que para-choques, para-lamas, para-brisa e para-raios continuarão com o hífen? A resposta é óbvia: porque a Flora está presa. E o mestre-sala continua salvo também.

Resta-nos viver nosso dia a dia (precisa dizer que perdeu hífen?) e não achar que os criadores deste Acordo são caras de pau – ainda mais que já estão mortos. Agora só não venha me dizer que Portugal sofrerá mais com com a reforma. Eles apenas vão tirar as letras que já não eram pronunciadas e o H de “húmido”, por exemplo. Ou seja, coisas que já não faziam diferença, pois outras mudanças já tinham sido feitas em 1945 lá.

O bom de tudo é que agora as pessoas acham que todos os acentos caíram e estão confusas. Quem não sabia escrever vai continuar sem saber, e quem sabe... não sabe mais. Espero que simplifique mesmo e traga a tão falada vantagem política e cultural.

terça-feira, janeiro 06, 2009

Ilda

19 de dezembro. Esse foi o dia da primeira ligação. No estágio. Atendo o celular. Ligação a cobrar. Espero - quem sabe se não é alguém mesmo? Escuto uma voz estranha de um homem, falando seu próprio nome. Que não entendi, mas dá pra perceber que é engano. Desligo sem falar nada.

Lá está o celular tocando de novo. Desligo sem cerimônia. Mas por que não aviso que é engano? Ah, já não é a primeira vez que alguém me liga direto por engano.

No ônibus, indo para uma festa. Celular. Já decorei o número do celular, lá está ele. Sem paciência, resolvo dar uma trégua. Atendo. Ligação sem cobrar. "Ilda?" Meu nome é Gabriel. Falo com o senhor, acho que entendo algo de hospital e esposa. Engano, desligo.
Muitas vezes o celular ainda toca, muitas vezes eu desligo.

Outro dia. O número fatídico. OK, eu atendo. "Ilda?" "Quero falar com minha esposa. Tá caindo errado." "Senhor, o número que está errado, não tem como cair várias vezes errado."

Fico com pena do homem. Ele tem um jeito de falar de pessoa humilde, parece de interior. Está realmente querendo achar Ilda. Parece algo urgente, premente. Será mesmo um hospital?

Mas como ele não sabe onde está a esposa? A esposa fugiu, ele tem um número falso. O meu número pertencia à esposa. Ela se livrou do número. Ele não está bem, está num hospital. Quer falar com ela.

O celular toca. Atendo. Ligação a cobrar. Os créditos sumiram. Continuo. "Ilda?" Explico novamente ao senhor.
Nova ligação. Mais desculpas. Ele não consegue, não quer entender o que se passa.

Sou muito curioso. Por que não pergunto o que está acontecendo? Mas pra quê? Em que me interessa de fato? Deixa o homem sofrer sozinho.

Ele não ligou mais. Acho que entendeu.

Descanse em paz.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Ano Novo, Canção Nova

Como alguns devem saber, fui à Canção Nova nesta passagem de ano. Para quem não sabe, é uma comunidade católica de Cachoeira Paulista, muito conhecida na Igreja, carismática, e que possui um terreno e um trabalho enormes.

Fui pela primeira vez, com minha família. Conheci a TV e a Rádio que eles possuem – e que farão parte de minha monografia – comprei algumas lembranças e vi um show. Para fechar o dia – pois só ficamos 1 dia por lá, infelizmente – a missa da “virada”, que começou às 23h30 do dia 31.

Na homilia, o padre vem nos falar do Ano Novo e das inúmeras promessas que se agregam a ele. Roupas brancas para chamar a prosperidade. Tudo isso em busca da “suprema” paz. Mas sem perceber que só existe uma verdadeira fonte: o Príncipe da Paz, Jesus Cristo. Que veio no Natal para nos dar a Paz, em sua humildade, pobreza e simplicidade.

“O Senhor volva o seu rosto para ti e te dê a paz!” (Números 6; 26) Isso é o que devemos desejar nesse início de ano. Mas não uma paz qualquer, mas a Shalom. Shalom abrange conforto, tranqüilidade, saúde, amor... Paz em plenitude. A Paz que só Deus pode dar.

“Não vos inquieteis com nada (...) A paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos.” (Filipenses 4; 6-7) Se você não permitir que Deus volte Sua Face para ti, não haverá a verdadeira paz. Mas esta Paz não significa ausência de conflitos e sofrimento, um mar de rosas, como apregoa a Teologia da Prosperidade. Você não vai parar de sofrer, porque também no sofrimento se encontram as lições da vida e o seu crescimento interior, dentre outros ganhos.

Porém, terá como sua segurança, seu refúgio, seu amparo, fiel ao seu lado, não apenas artefatos ou algo abstrato, mas uma Pessoa: Jesus e Deus. Que te acompanhará pelo resto da sua vida se você permitir, se você não se afastar – pois Ele nunca se afasta. Não pode haver Paz maior.

Como o coro de anjos cantou no Natal: “Glória a Deus nas alturas e Paz na terra aos homens de boa vontade.” Siga em frente e nunca se esqueça de que tem Alguém olhando e velando por ti.

Então, para este 2009, de modo especial, fica o meu desejo: “O Senhor volva o seu rosto para ti e te dê a Paz!” Shalom!

segunda-feira, dezembro 29, 2008

E os Pensamentos Desencontrados?

Contentes pelo desaparecimento dos Pensamentos Desencontrados?
Pois vocês vão receber uma ducha de água fria - o que nesse calor até que é bem-vinda.
Eles migraram para o Twitter, e agora saem desgovernadamente da mente de Pacadinho.

O que não impede que eles pintem por aqui. Ou bordem; ou cantem; ou dancem. São verdadeiros artistas.

domingo, dezembro 28, 2008

A panela e o ventilador

Claro que nem lembro disso, minha mãe que me contou. Com menos de 2 anos, passei por uma experiência que poderia ter sérias conseqüências. Estava na casa de minha tia, no colo de minha genitora. Uma panela de pressão estava no fogo, aparentemente em estado normal. Porém, alguma coisa se encontrava problemática no sistema dela. A pressão que deveria ser extravasada não estava saindo adequadamente.

A panela explode.
O fogão afunda.
A tampa voa.
Passa raspando a minha cabeça.
Bate com força no teto.
E cai com estardalhaço.

Imagino que deva ter sido um susto tremendo. Até hoje tem a marca lá no teto, e o fogão teve que ser trocado. E eu escapei.

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Hora da comunhão. Em pé, vestido com a túnica de acólito, para servir no altar na Nossa Senhora do Líbano, não estou fazendo nada, pois os outros coroinhas já foram ajudar os padres durante a Eucaristia. Um deles, ainda pequeno, está sentado numa cadeira no altar.

Subitamente, um barulho alto. Algo bate com força numa parede do altar e, tamanha a intensidade, voa e bate na outra, e cai perto de mim. Na verdade, acho que passou mais perto do menino do que de mim.

Assustado, vou ver o que é e percebo, espantado, ser a pá de um ventilador. Já estão correndo para desligar todos. O ventilador, preso a uma pilastra, perto dos bancos, nem está tão perto do altar.
As outras duas pás do ventilador também se soltaram e uma até bateu no púlpito do padre. Deus protegeu.


Parece até um filme antigo a que muita gente assistiu... Mas tenho uma premonição de que nada de ruim vai acontecer mais.

sábado, dezembro 27, 2008

Máquina mortífera

Esta semana fui ao banco encerrar minha conta - o estágio atual deposita em outro banco. Como de costume, o atendimento demora demais, tanto os caixas quanto as pessoas encarregadas do encerramento.

Estava eu na fila quando, de repente, começa a cantar uma cigarra. Não, o inseto não havia invadido a agência, era apenas o toque de um celular. Não era novidade pra mim, mas comecei a divagar, o que também não é surpresa. A mulher não demorou a atender, pois imagino que não seria aconselhável demorar. Quem sabe se a cigarra cantasse muito tempo o celular explodia?

Voltando ao ócio totalmente não-criativo, esperei impacientemente o único caixa atendendo. Subitamente, entro num filme de terror: começa a tocar a música de "Psicose". Aquele som agudo corta o ar e todos riem - de nervoso? O cara atende o celular. Deve ser a Samara.
Depois pergunto a ele onde conseguiu o toque. Talvez seja com a fornecedora The Ring tones.

Não sei mais quantas horas se passaram naquela fila. Devo ter criado varizes nesse tempo. Começa então a tocar a música do Plantão da Globo. A mulher atende. Com certeza ou é uma notícia importante ou alguém morreu. Nas circunstâncias atuais, com certeza algum falecido.

O último dos caixas diz que tem amigo oculto no andar de cima e fala que já volta. As pessoas na fila estão entorpecidas e começam a criar teias de aranha e não reagem.
É, "O Amigo Oculto" combina bem com o clima geral. Acho que daqui a pouco vou conversar com o Charlie.

Parece que passaram dias. Olho em volta e vejo o cara do celular morto no chão em uma poça d'água. Sete dias então.
Ele está atrás de mim na fila. Droga, não faz diferença nenhuma.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Aquarela de 2009

"E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está. E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar. Não tem tempo nem piedade nem tem hora de chegar. Sem pedir licença muda a nossa vida e depois convida a rir ou chorar."

terça-feira, dezembro 23, 2008

Adeus ano velho... feliz Ano Novo?

Esse ano passou muito rápido. Não sei se é a "velhice" - pois com o envelhecer o tempo se acelera - mas os meses se seguiram em velocidade. Um ano de dilemas e lutas interiores, como prolongamento do que se iniciara em 2007. Profundamente desanimado com Jornalismo, cheguei até a pensar em trancar a faculdade este ano - quando passava ao 6º período - para cursar Letras-Espanhol, pois passara no vestibular. Mas uma confusão me fez passar para o 2º semestre na UERJ e deixar livre 6 meses.

Acabei continuando na UFRJ e, num ato de loucura, me inscrevi em matérias em 2 faculdades, ambas de manhã, em agosto. Como de praxe, a UERJ entrou em greve, me deixando mais aliviado, mas me legando aulas em janeiro e fevereiro, num calor de derreter! Estou adorando o curso, sempre adorei Português, mas, infelizmente, o monstro da Monografia já está me assolando e terei que trancar a UERJ para poder terminar a ECO com mais tranqüilidade, ainda que só no fim de 2009 – desânimo gera acúmulo de eletivas por fazer, capicce?

Ainda por cima, finalmente comecei a fazer estágio – em Jornalismo, obviamente – e o tempo torna-se ainda mais comprimido. Primeiro numa empresa de transportes, passei à Editora Record e estou adorando ficar em meio a livros e mais livros. Trabalhar numa assessoria de editora seria o máximo!
O meu lado Letras me puxa muito, mas também vejo que 4 anos seria muito. Que tal um mestrado, 2 anos? Falar é fácil, passar é difícil, fazer dissertação... melhor nem comentar.

Por conta dos estágios, tive que sair do coral, ficou mais apertada a coordenação da Comunidade - grupo da igreja - mas resistem firmes e fortes, graças a Deus, meu serviço na Nossa Senhora do Líbano e meu namoro com a Carlinha (1 ano!).


Descobri o Twitter ( twitter.com/pacadinho ), descobri meu gosto por contos e pela literatura de verdade.
Um dos livros que me marcaram foi “A menina que roubava livros”, e talvez eu esteja me transformando em um personagem.

Agora é esperar por 2009 e pelo que o Futuro, esse garoto brincalhão, me reserva.

Certos excertos

"para o [Javier] Bardem o filme veio muito em cima do seu papel anterior, como o bandido do cabelo armado dos irmãos Coen. Passei todo o filme [Vicky Cristina Barcelona] esperando que ele estrangulasse alguém." (Verissimo n'O GLOBO)

sexta-feira, agosto 01, 2008

435

Voltando com textos antigos só para entulhar isso aqui. Haja criatividade !
***
Em uma aula do curso de inglês, a professora, por um motivo que não consigo me lembrar, mandou que escrevêssemos números que tivessem a ver com nossa vida, que possuíssem algum significado para nós. E esse numerozinho bonito aí de cima me veio logo à cabeça – ou pode ter sido que demorou algum tanto – mas o fato é que surgiu. Muito provavelmente, você não conseguiria deduzir seu sentido, como meus colegas não conseguiram adivinhar, na continuação da dinâmica. Número de amigos? Esquece. Data de nascimento? 4/3/5... Ônibus? A mais cabível, mas não há relação.

Realmente há o ônibus 435, Grajaú-Gávea, que só peguei uma vez, e o aniversário de meu personagem, não à toa, é 12/6, que seria um 43/5, mas nada disso chega na resposta. Não precisa me bater, já vou dizer. 435 é... o meu número favorito! “Ah... agora sim tudo faz sentido!” E de onde esse número bizarro apareceu na minha mente? Boa pergunta. Também queria saber. Número tão insosso, não tendo nada de cabalístico ou algo de misterioso.

Mas a questão é que ele passou a me seguir e, sempre que me lembro, anoto as situações que o envolvem, como uma notícia de rádio sobre um roubo de 435 galinhas ou o fato de eu ter sido logo o 435º a assinar uma lista na Internet, além de recortar suas aparições. E acabei criando um código, meio ruinzinho, que se chama 435: separa-se as 4ª, 3ª e 5ª letras da palavra nessa ordem, juntando o resto; repete-se o processo com o resto até sobrar três letras no máximo. Veja as palavras tenebrosas que se formam, me forçando a usar o código alternativo 324.

Assim, percebo que um número favorito só serve para besteiras como procurar situações que o envolvam ou chegar ao cúmulo de inventar um código. E pode ser que algum dia eu consiga escrever um livro que está na minha mente, com o título “435”, ou ganhar dinheiro jogando-o na loteria, com variações. Um dia, vocês verão que o 435 sempre esteve na essência do mundo e está ligado aos mistérios insondáveis...

Como eu consigo falar tanta besteira! Eu poderia continuar aqui até alcançar a quantidade de 435 palavras, mas não costumo torturar meus 435 não-leitores; até a palavra “besteira”, foram 354 palavras (um anagrama de 435). Chega disso. Vou fechar com um acróstico maluco – a frase abaixo - que esconde palavras que têm muito significado. Tentem descobrir sozinhos, porque nem o significado de “acróstico” vou lhes dar. Tomem, é fácil:

Quando um alienado tiver roubado os caramelos esverdeados novos, todos os sonhos e tramóias ressurgirão incrivelmente num tempo alucinado e coisas inimagináveis nortearão cidadãos obtusos.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Pensamentos Desencontrados - O Sacrifício!

Sabiam que existe uma lei oposta à Lei de Murphy - quando tudo dá errado?
É a Lei de Smurf: quando tá tudo azul!

Fonte: Hilarious Enciclopedy

domingo, março 11, 2007

EU LEVO OU DEIXO?

Texto recebido por e-mail, que, por sugestão da Srta. Turola, resolvi postar.
Realmente não entendi a confusão do ladrão... este é o linguajar comum da Casa Verde...
***
Diz a lenda que Rui Barbosa, ao chegar em casa, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal.
Chegando lá, constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação.
Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus amados patos, disse-lhe:
- Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa.
Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à qüinquagésima potência que o vulgo denomina nada.
E o ladrão, confuso, diz:
- Dotô, eu levo ou deixo os pato?"

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Sem sentido

Vocês acham que eu só tenho uma ótima memória? Não, não, eu tenho muitos outros atributos. Os meus cinco sentidos, por exemplo. O que dizer do meu paladar, da minha audição, do meu olfato, da minha visão, do meu tato?

Minha visão é a mais patente: qualquer um logo vê que eu tenho algum problema no olho, pois ando de óculos de um lado para o outro. Desde o C.A. Com o tempo, minha miopia foi aumentando e os borrões ao longe também, chegando hoje a uns quatro graus, além de uns dois de astigmatismo. E as pessoas cismam em achar que posso ver coisas tão pequenas, enxergar palavras ao longe. Mas se elas, que nem precisam de óculos para longe, não vêem, não é porque eu uso óculos que distinguirei tudo. Não uso lunetas!

Outro dos piores é a audição. Sei que me dizem que “quando você quer, você escuta sim”, mas meu ouvido decididamente não é bom. Às vezes, pergunto tantas vezes o que me disseram que fico até com vergonha de indagar de novo e sem saber afinal o que fora dito. Por isso, não gosto de filmes dublados, por não entender todas as falas, e defendo o que é feito nos filmes alemães: colocar legandas em filmes nacionais; além da compreensão dos dizeres, é bom para ver a ortografia das palavras e para ler. E, também devido à minha audição apurada, o que tenho mais dificuldade em cursos de língua é... adivinhem... a parte de escuta, que ainda cai nos testes, com perguntas. Será a gravíssima poluição sonora das cidades? Ou falta de cotonete?

Na seqüência dos meus sentidos aguçados, é a vez do olfato. Identificar um aroma não é comigo, ainda mais contribuindo para isso eu viver resfriado e respirar mais pela boca que pelo nariz. E, como se diz que o olfato é essencial para o paladar, você já deve ter intuído que esse outro sentido também não funciona direito. Os outros aqui em casa podem confirmar.

Não sinta pena de mim, pois posso ainda estar a salvo em relação ao tato. Tal sentido não é tão valorizado e percebido no cotidiano, assim não tenho certeza se tenho algum problema. Mas, no máximo, ele deve ser normal. Na verdade, acho que ele não vai deixar de acompanhar os outros e acabar me deixando na mão numa ocasião mais necessária.

Quem sabe não sou como cegos e surdo-mudos? Na falta de um sentido, eles têm os outros mais aguçados, para compensar. Dessa forma, com a deficiência – mas não completa, graças a Deus – de pelo menos quatro sentidos, há a possibilidade de que eu seja recompensado. Será que tenho um sexto sentido desconhecido? E o que eu conseguiria fazer com ele? Leria mentes, veria o futuro? Ou veria pessoas mortas?

Bem, creio que, no final das contas, não recebi recompensa alguma. E entrar na justiça não deve ajudar em nada. O jeito é me conformar, olhar para o futuro, ouvir só os conselhos confiáveis, sentir cheiros e sabores diversos da vida e sempre ter tato. Se é que consigo.

“Peter Piper picked a peck of pickled peppers. A peck of pickled peppers Peter Piper picked. If Peter Piper picked a peck of pickled peppers, where's the peck of pickled peppers Peter Piper picked?” (Trava-língua)

terça-feira, fevereiro 06, 2007

INFÂMIA

Para espantar as teias de aranha do blog, resolvi voltar a postar os textos do blog antigo (vide meu 1° post neste blog para relembrar a história) e movimentar um pouco este antro (ainda que só receba "comentários" publicitários). Divirtam-se! - cof cof!
***
Receita para retirar a infâmia

Ingredientes:
- Material infame
- Um disseminador do material
- Vários contatos

Modo de preparar:
- Pegue o material e coloque-o na ponta da língua do disseminador.
- Faça com que ele espalhe o material pelos seus contatos, de forma bem leve, para não haver nenhum choque ou qualquer outro problema técnico.
- Deixe o material rolar livremente por duas semanas. Faça um teste para ver se já está bem grudado na mente dos contatos e subcontatos.
- Teste positivo, infâmia dissolvida: o material não tem mais fama.

O Ministério da Saúde adverte: ao persistir a infâmia, o piadista deverá ser executado.

***

Realmente um texto deplorável, que a princípio seria para um site que eu faria, mas que acabou não dando em nada. Pena que não exista receita para retirar a minha infâmia... Mas eu não sou o único. Veja o poema de autor desconhecido abaixo:

Eu cavo,
Tu cavas,
Ele cava,
Nós cavamos,
Vós cavais,
Eles cavam.
Não é bonito.
Mas é profundo.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Pensamentos Desencontrados - O Contra-ataque!

Poucos sabem, mas o celébre matemático da equação de 2° grau adorava se vestir com um terno amarelo e uma gravata listrada, e saía pelas ruas com o rosto pintado de verde.
Foi daí que surgiu o famoso desenho e sua frase de entrada:

"Eu sou o Bhaaaaaaaaaaaskara!!! Demais!"

Fonte: Hilarious History

segunda-feira, novembro 13, 2006

Pensamentos desencontrados - A Revanche!

Não que seja minha opinião, é apenas um... pensamento desencontrado! (totalmente infame por sinal...)

"Admito que sou gay quando se trata da namorada de um amigo. Porque namorada de amigo meu é homem!"

sexta-feira, novembro 10, 2006

Pensamentos desencontrados - A Ressurreição!

Não, eu não gosto de Sandy & Junior! Mas o que eu posso fazer se os pensamentos desencontrados vêm se chocar com mais uma música deles?

Nova versão da música "Vamos pular" (cantem no mesmo ritmo e melodia - pelo menos eu acho!):

Dó (13x)
Ré (13x)
Mi (11x)
Fá (8x)
Sol (5x)

"Vamo pru" Lá (4x)
"Vamo pru" Lá (4x)

Lá (13x)
Si (13x)
Dó (11x)
Ré (8x)
Mi (5x)

"Vamo pru" Fá (4x)
"Vamo pru" Fá (4x)

Fá (13x)
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