quarta-feira, junho 03, 2009

A incidência sonora das ondas fantasmagóricas

Cidadãos do meu território varonil!

Venho por meio desta conclamar-vos a usurpar a diferença dos pagãos. Não é cabível que escalafobéticos batráquios dominem tantas potestades hediondas! Basta de usura ignominiosa!

É claro como a água cristalina e límpida que proceder peremptoria e drasticamente acarretará um engavetamento colossal, contudo não podemos nos ater a soluções belicosas e catedráticas!

Proclamo, a partir de outrora, deveras cleptomaníaco e mentecapto todo aquele que escorregar pelas baias marginais da metrópole e ousar tropeçar nas franjas energúmenas dos pecados irrisórios!

Outrossim, outrem outorgará outros outeiros ou todos se arruinarão esdruxulamente. E o que sucederá à vida extraterrestre? Marcianos escaparão desabalados pela via magnética transatlântica e surgirão rola-bostas fosforescentes e transgênicos mutantes. Não presumo pânico e faniquitos megalomaníacos, todavia haverá bile sulfurosa durante a fotossíntese indígena. Oxalá!

Vossas Senhorias injetarão soporíferos suínos em clavículas pedintes, sem ardilosidade e conjecturas exegéticas, entretanto a hermenêutica herética sobressairá, mister assaz sotoposta e circuncidada, posto que abastecida.

Moiras desembestadas regurgitarão protozoários apocalípticos e múmias paralíticas tombarão milimetricamente petrificadas e fatiadas à francesa e com francesinha.

Sem mais, espectadores de palavras ordenadas como zumbis lançarão seu desenrolar dos minutos no receptáculo das porcarias.

domingo, abril 26, 2009

Ela

“Ela é bonita”, pensei, na terceira vez que a vi. Por que terceira? Não sei, das outras vezes não prestei muita atenção. Mas ali, em meio a um jogo na casa de uma amiga, olhei melhor.

E, desde então, do meu jeito, sempre tentava estar ali próximo e me tornei amigo. Mas, como sempre, só amigo mesmo; uma sina. A vantagem é que, regularmente, três vezes por semana eu a encontrava, em grupos da Igreja. Não adiantava.

Mandei depoimento pelo Orkut, demonstrando meu amor... “uma garota que conquista qualquer um, com seu jeitinho fofo e doce”. Ela gostou muito, ela sabia que eu tinha interesse, porém eu não fazia mais nada... Não vai dar em nada mesmo mais uma vez...

Os meses se passavam. Surgiu um acampamento, um retiro católico. Eu fiquei com muita vontade de ir, ainda mais que lá ela iria. Mas acabei trocando o preço e achei que não teria dinheiro. E desisti. Mas ela foi e, quando soube do erro, me arrependi.

Ela voltou pulando de alegria junto com nossos amigos, falando que era maravilhoso. Ah, no próximo eu ia, só que tinha perdido a grande oportunidade... Pois cada um apenas podia fazer uma vez.

Mais tempo se passou e lá estávamos nós em viagem: rumo a São Paulo, para ver o Papa, junto com muitos outros jovens. Mas por que eu estou contando isso? Todos já sabem que sou devagar e que aquilo tudo mais parecia casamento, de tanto “arroz de festa”. Então será que ia dar casamento?

Mês após mês, mês após mês... até que se aproximava novamente o tal acampamento. Agora eu não podia deixar de fazer. Sem ela, mas também não queria dar muita bola mais, já estava chateado.

Missa de Santa Teresinha na paróquia dela. Estava lotado. Encontrei uma amiga da faculdade. Fui junto com a menina para a frente da igreja e passei direto por ela. Hora da Paz de Cristo. Ah, vou lá dar a Paz! Deixei rapidamente a menina e ela já estava lá com seu grande sorriso, marca característica dela.

“É uma garota linda, sempre com seu sorriso que ilumina qualquer lugar para onde vá, que irradia ânimo e alegria para as pessoas ao redor.” Outra frase do depoimento do Orkut, que não pude deixar de enviar para ela de novo, no dia seguinte. “Amo seu sorriso!”

O retiro estava próximo e uma menina da igreja, que nem conhecia direito, se ofereceu para emprestar um saco de dormir – estaria muito frio e eu ia precisar. A menina levou-o num evento onde eu e ela estávamos e depois, durante o lanche, ficamos conversando. Porém, ela entrou no meio da conversa e ficou sozinha conversando com a menina. Depois com o tempo se percebem as coisas.

Chegou o tão esperado dia: dia de viajar para o acampamento. Cinco dias fora. Retiro realmente maravilhoso, de união, oração, amor. Ali me desliguei do mundo. Mas um dos ótimos momentos do acampamento aconteceu: em meio à forte escuridão, no meio do mato, os coordenadores falavam de forma impressionante: “Imagine que você fosse morrer agora. Pense em cinco minutos: O que você faria antes de ir embora?” No meio do turbilhão de diversos pensamentos, veio à minha cabeça: dizer a ela que a amo. Sim, nunca tinha dito isso diretamente.

O retiro foi se seguindo, até o último dia, de grande comoção, com o Espírito Santo agindo. Dia de se despedir do acampamento. No ônibus, um dos coordenadores veio fazer uma pesquisa sobre se eu indicaria alguém para o retiro. “A namorada, não?” “Não tenho.”

Ele voltou para seu lugar. Porém, resolveu me chamar para seu lado no ônibus.

- Eu não podia deixar de falar com você, não podia ficar guardado comigo. Sabe por que eu te fiz aquelas perguntas, perguntei se você tinha namorada? Durante o momento do Espírito Santo, quando estava impondo minhas mãos sobre você, Deus me falou que a sua namorada estava chegando.

Fui surpreendido.

- Isso quer dizer alguma coisa pra você?

- Não. – eu já havia perdido as esperanças e até estava um pouco irritado com isso.

Voltei para meu lugar, sem entender direito. Mas, ao mesmo tempo, também inconscientemente motivado para falar com ela.

Liguei no dia seguinte e falei bastante. Falei dos 5 minutos, que foram o único momento que lembrei de verdade dela. Ela ficou meio desapontada. Liguei no outro dia. “Posso ir aí?” Me arrumei todo. Dei um forte abraço nela. Falei, falei, falei. Nada de mais. Que droga, não consigo! Mais um telefonema, no dia seguinte. Tentei expressar o que estava guardado... não de forma satisfatória. Deprimente.

No domingo próximo, seria o churrasco pós-acampamento. Comentei com ela e ela falou que queria ir, mas tinha vergonha de chegar sozinha. Será? Pedi algumas orientações e fui buscá-la no dia. O caminho até o churrasco já estava traçado estrategicamente.

“Queria falar uma coisa com você. Vamos sentar aqui?” Era um banco de concreto, numa pracinha tranquila. Ela pareceu nervosa. Falei o que estava preso há meses. E foi o primeiro beijo.

Não começamos logo a namorar. Mas, dentro de pouco tempo, “minha namorada chegou”. Depois de 10 meses.

E hoje estou junto com ela, e cada dia mais com a certeza de que Deus está do nosso lado, e nada nem ninguém no mundo vai nos separar.

Não disse que dava casamento?

domingo, fevereiro 15, 2009

Rumo ao mundo mágico

Admirar e contemplar a vida. Não aquela mesma conversa do texto anterior, mas acho que uma natural continuação.

Nesta minha saga de querer observar a vida, encontrei nos livros e na literatura meus aliados. É nos milhares de mundos presentes nos textos, nas histórias que consigo absorver tudo o que a vida tem a ofertar. Inúmeras perspectivas e novos ângulos presentes no mundo que nunca poderia deslumbrar ou sobre os quais nem poderia pensar, são caminhos que os livros me abrem.

A boa literatura, com toda a sua carga poética, suas metáforas, sua sensibilidade, conseguem nos pôr novos olhos para enxergar o viver. Adoro estar na pele de diversos personagens, percorrendo diferentes mundos reais, fictícios ou numa mescla dos dois, pensando sobre o que está ao meu redor, e não simplesmente captando tudo por osmose, mas filtrando e elaborando e ruminando e transformando...

É o mundo da linguagem, das línguas, símbolos, desenhos que se juntam num emaranhado, que dançam, se associam, pintam e bordam, e perfazem um sentido todo especial, manipulado com maestria pelos grandes escritores. Símbolos que têm sons próprios e fluem, voam, se chocam, se pronunciam ou travam, em conversas e falas e apresentações que se enchem de significado porque nós aprendemos na escola a capturá-los e a decodificá-los e a revertê-los em novos despejos de ruídos e rabiscos.

Um mundo mágico pelo qual sempre me fascinei e sobre o qual sempre quero saber mais e estudar e conhecer e destrinchar e passear por seus caminhos. Sempre estava em minha mente, mas por que não consegui perceber antes que ali estava minha verdadeira vontade? Por que fui seguir por outros papéis, também de letras e sons, mas não tão mágico e fascinante?

Medo, pressão, falta de jeito... vários fatores podem explicar... mas o amor volta e não é possível refrear. O desejo, a vontade, o ânimo, a instigação! Será só uma paixão, cuja chama, em certo momento, se extinguirá? Creio que não.

Creio que encontrei meu caminho, para este mundo mágico. Sempre tive pistas, vindas de amigos, professores, aulas, mas não queria dar ouvidos a elas e fingia não ver. Vou agora mergulhar. Rumo a águas mais profundas.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Frenesi

Um turbilhão de idéias. Um turbilhão de interesses. Minha mente fica a mil, pensando em várias coisas ao mesmo tempo.

Ora são livros, ora são filmes, ora é o blog, ora é o Twitter, ora são meus livros e histórias em quadrinhos, a Comunidade, o namoro, a UFRJ, a UERJ, a literatura, os amigos, a vida!

Tantas coisas pra fazer, tantos objetos interessantes, tanta imaginação, criatividade, vontade de escrever, de se divertir, de extravasar, de desenhar, de ensinar, de amar!

Sempre existem momentos de tédio, mas como ter tédio com tanta coisa? Numa hora, minha cabeça só pensa num assunto, na outra perdeu todo o interesse por ele e só pensa em outro; em um minuto tem preconceito sobre algo, no outro não sai daquilo...
Desconfiava que fosse bipolar, mas agora já vejo que não: na verdade sou multipolar!

Quero temas que me instiguem, atividades que incentivem meus pensamentos e idéias e alucinações e divagações, minhas viagens! Coisas que façam viver a vida, ainda que seja a meu modo, de forma mais introspectiva e contemplativa, mas também social e animada.

Por que esquecemos de admirar nossa vida, de ver o mundo como se fosse com olhos de criança, olhos virgens? Por que não podemos sentir e descobrir tudo de forma especial?

Em suas crônicas, Rubem Braga sempre busca esse alumbramento pelas coisas simples -mas tão importantes - da vida. A natureza, a solidão, a amizade.
E Jostein Gaarder, autor do famoso "O Mundo de Sofia", defende essa visão "filosófica" sobre a vida, como se nascêssemos de novo.

Questionar as coisas - os inúmeros "por quês" da criança -, deixar a beleza aflorar.

"Viver, e não ter a vergonha de ser feliz! Cantar a beleza de ser um eterno aprendiz!"

Pode não ser tão fácil, mas é sempre bom tentar.

terça-feira, janeiro 20, 2009

Na Casa Verde

Itaguaí. Um senhor alto, de óculos, está sentado em uma cadeira, absorto em suas reflexões. Sua mão apoia a cabeça, em meio ao emaranhado da barba, e seu olhar está fixo em um ponto qualquer da casa de paredes brancas e janelas verdes. Batem à porta.

Calmamente, o Dr. Simão Bacamarte se levanta e anda até a porta de entrada. Abre-a de supetão.
- Olá, caro doutor! – um homem moreno de cabelos revoltos exclama - Há tempos que não nos víamos! Posso entrar?
Diante de um esboço de sorriso do alienista, Hilário adentra a Casa Verde, olhando em volta.

- Oh, esta casa parece meio descuidada, vazia... Só você mora aqui, não?
- Meu caro Hilário – a voz gutural do doutor se faz ouvir – o senhor crê que perderia meu precioso tempo com futilidades? Os pensamentos e descobertas que estão por vir são muito importantes para minha vida e esses, sim, me nutrem.
- Sim, concordo com você. Os livros que escrevo e também minhas histórias em quadrinhos, desenhos, são os que me fortalecem. Meus personagens vivem em mim e ao meu redor e convivem comigo. Vejo-os sempre ao meu lado, mas... acho que deva ter bom senso!
- Creio que, tempos atrás, internaria o senhor aqui na Casa Verde, porém, agora, este lugar é reservado somente para mim, o único digno deste espaço sublime...

A campainha toca de novo, contradizendo o médico. Passos fortes e a porta se abre.
- Doutor Escopeta e meu amigo Cômico! Que bom vê-los! – um garoto super-risonho está na soleira, com os braços abertos.
- Ah, não, lá vem de novo ele com suas piadinhas! – Hilário exclama insatisfeito.
- Ora, ora, se vocês não gostassem não teriam me chamado aqui.
- Mas não fomos nós que te chamamos, Pacadinho. – o escritor retruca.
- De qualquer forma vou entrando, messieurs.

A porta se fecha e a luz exterior some, deixando o cômodo na penumbra.
- Vocês não acham que devíamos acender alguma luz, não? Não virei morcego ainda! – ironiza o menino.
- Somente consumo minhas velas, valiosas para o estudo, em circunstâncias especiais. E creio que este é o caso.

Dr. Bacamarte pega uma caixa de fósforos em cima da mesa de estudos e acende uma vela já quase toda consumida.
- Sentemo-nos em volta desta vela para aproveitarmos bem sua luz. Para usufruir dela ainda melhor, lerei algumas anotações minhas realmente geniais.
Hilário e Pacadinho se sentam e se entreolham, resignados.

Neste momento, um grito assustador se ouve e os dois quase caem de suas cadeiras. Somente o doutor está impassível, olhando seus manuscritos. Um homem baixo e gordinho aparece no raio de luz da vela, gargalhando.
- Seu idiota! – grita raivoso Hilário – Tinha que ser você, sua mala!
- Sr. Furtivo Bag, a seu dispor – o homenzinho estende a mão pegajosa, sarcasticamente – Ah, alguém tem um cigarro aí ou algo que se possa fumar?
- Isso, continue fumando bastante e bata logo as botas!
- Sempre o certinho irritadinho, né, Sr. Cumaddig? Não sei para que vim a esta joça!
- Não se impaciente, saberão agora. – uma voz diferente das outras é ouvida.

Um homem alto de cabelos negros surge da escuridão e se posta entre o doutor e o menino.
- Quem é você? – pergunta, insolente, Furtivo.
- Sentem-se. – todos se ajeitam sem questionar – Por que vocês vieram?
- Não sei. – falou Pacadinho - Só sei que tive uma vontade impressionante de vir, como se a Casa me atraísse. Achei que estava ficando lelé, que nem o Doutor Carabina.
Os outros concordaram.

- Pois bem, fui eu que os convoquei. – todos se entreolharam, menos o médico – Meu nome é Machado. Vocês, bem ou mal, se conhecem já. Esbarram-se por aí. Mas possuem uma ligação muito mais forte do que podem imaginar. Entre si e comigo.
Todos o olhavam em silêncio, até Dr. Simão se mostrava interessado.
- Vocês são como irmãos e são como meus filhos. Quando sou inventivo e criativo, recorro ao Hilário. Quando sou engraçadinho, recorro ao Pacadinho. Quando sou maluco ou casmurro, recorro ao Dr. Simão. E quando me viro ao avesso e me mudo... sou o Furtivo. Muitas vezes vocês não aparecem sozinhos, há momentos misturados, é inevitável, por isso já se conhecem. E vocês todos estão dentro de mim, fazem parte de mim, estão aqui – Machado coloca a mão no coração – e aqui – repousa a mão na cabeça. Não sei se existem outros, mas vocês farão parte da minha vida para sempre.

Havia uma grande emoção no ar.
Todos se aproximaram e Machado os abraçou de uma vez só.
Fechou os olhos. Soltou-os.
Olhou em volta e eles já se haviam ido. Sozinho mais uma vez na Casa Verde.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

A escrita correta

Todo mundo já escreveu texto sobre a reforma ortográfica, com destaque para os textos engraçadinhos cheio de palavras com tremas. Eu não queria ficar de fora. Mas não será um texto engraçadinho – por encreça que parível – pelo contrário: imagino que meus 435 desleitores irão “cabecear” de sono.

A mudança mais insignificante, sem penumbra de dúvida, é o anexo das letras K, W e Y ao alfabeto. Ué, mas elas já não faziam parte? Vejam os nomes bizarros que as pessoas gostam de colocar, com essas letras “estrangeiras”, além dos milhares de estabelecimentos que preferem usar um nome em inglês do que em nossa língua nativa – ridículos, diga-se de passagem. Nem incentivar um maior uso vai.

A transformação contra a qual mais me rebelei foi a do trema: como assim abolir o sinal que dá voz ao U? Podíamos aproveitar a emergência da letra K e escrever “trankilo”, afinal, para que serve essa droga desse U? Viraremos argentinos. OK, é exagero, será uma questão de prática e, como disse João Ubaldo, não se fala como se escreve. Aliás, será que agora vão parar de falar “qÜestão”? Seria uma bênção! Ainda assim, acho que o trema só facilitava a pronúncia.

Na verdade, a prática está envolvida em todas as mudanças. Aos poucos nos acostumamos... Mas e as pessoas que passaram pelo outro Acordo ainda não têm dúvidas e acham que se escreve “flôres”? Mas elas não devem escrever muito, sei lá. Vai ser difícil me acostumar com a idéia... opa, cai o acento! O mesmo caso da pronúncia. Mas “pera lá”: a gente não precisa de acento para falar “agora” com som aberto, então... mas que é estranho é. E também fica uma feiura só escrever assim. Mas está certo que não faz diferença sem acento.

Ainda no campo dos acentos, se esborracha no chão das palavras o acento de “averigúe”. Alguém usava isso? Para dizer a verdade, achava que era “averigüe”. Legal que agora as crianças ficarão ainda mais em dúvida, sem o acento e o trema possível. E os voos sem acento da Gol? Não acho um escândalo, não muda tanto. Só tem um perigo: criança ver as letras “estrangeiras” e pronunciar como inglês, “Eles ‘crim’ em Deus”. Tudo bem, é brincadeira.

Vou aproveitar a “unificação” do Português e vou começar a escrever “matrimÓnio” e colocar o verbo “andar” no passado como “andÁmos”. Com sotaque e tudo, ora pois. Contudo, o acento diferencial me tira do sério: para com isso! Para para pensar. Pior do que isso, só termos que escrever agora “coriano”! Caraca, a Coreia está revoltada! Primeiro perde o acento, depois o E!

Continuando os barbarismos, o sempre problemático caso do hífen. Ninguém sabia antes, agora parece que tem uma lógica. Vogal igual e H hifeniza; R e S dobram, a não ser que o prefixo termine com R (exemplos bizarros que vi no jornal: super-rato e supersaci). E tem uns prefixos que sempre são com hífen, aí trate de decorar e/ou ter bom senso. Mas parece que resolveram manter junto “coordenar” e “coabitar”. Assim não coopera com a gente! Não querem o nosso benquerer! (que junta!)

Porém, o mais inexplicável é a tal “noção de composição”: quando as palavras que formam um substantivo composto perdem seus significados e só sobra o significado da palavra como um todo, o hífen é morto pela Flora. Foi um tal de hífen tentando defender suas palavras compostas que não está no gibi – claro, a HQ ainda não está adequada ao Acordo. As vítimas foram justamente o mandachuva e o paraquedas (já sem acento). Realmente, o todo se perdeu em manda-chuva e só poderíamos denominar assim São Pedro. Entretanto, por que para-choques, para-lamas, para-brisa e para-raios continuarão com o hífen? A resposta é óbvia: porque a Flora está presa. E o mestre-sala continua salvo também.

Resta-nos viver nosso dia a dia (precisa dizer que perdeu hífen?) e não achar que os criadores deste Acordo são caras de pau – ainda mais que já estão mortos. Agora só não venha me dizer que Portugal sofrerá mais com com a reforma. Eles apenas vão tirar as letras que já não eram pronunciadas e o H de “húmido”, por exemplo. Ou seja, coisas que já não faziam diferença, pois outras mudanças já tinham sido feitas em 1945 lá.

O bom de tudo é que agora as pessoas acham que todos os acentos caíram e estão confusas. Quem não sabia escrever vai continuar sem saber, e quem sabe... não sabe mais. Espero que simplifique mesmo e traga a tão falada vantagem política e cultural.

terça-feira, janeiro 06, 2009

Ilda

19 de dezembro. Esse foi o dia da primeira ligação. No estágio. Atendo o celular. Ligação a cobrar. Espero - quem sabe se não é alguém mesmo? Escuto uma voz estranha de um homem, falando seu próprio nome. Que não entendi, mas dá pra perceber que é engano. Desligo sem falar nada.

Lá está o celular tocando de novo. Desligo sem cerimônia. Mas por que não aviso que é engano? Ah, já não é a primeira vez que alguém me liga direto por engano.

No ônibus, indo para uma festa. Celular. Já decorei o número do celular, lá está ele. Sem paciência, resolvo dar uma trégua. Atendo. Ligação sem cobrar. "Ilda?" Meu nome é Gabriel. Falo com o senhor, acho que entendo algo de hospital e esposa. Engano, desligo.
Muitas vezes o celular ainda toca, muitas vezes eu desligo.

Outro dia. O número fatídico. OK, eu atendo. "Ilda?" "Quero falar com minha esposa. Tá caindo errado." "Senhor, o número que está errado, não tem como cair várias vezes errado."

Fico com pena do homem. Ele tem um jeito de falar de pessoa humilde, parece de interior. Está realmente querendo achar Ilda. Parece algo urgente, premente. Será mesmo um hospital?

Mas como ele não sabe onde está a esposa? A esposa fugiu, ele tem um número falso. O meu número pertencia à esposa. Ela se livrou do número. Ele não está bem, está num hospital. Quer falar com ela.

O celular toca. Atendo. Ligação a cobrar. Os créditos sumiram. Continuo. "Ilda?" Explico novamente ao senhor.
Nova ligação. Mais desculpas. Ele não consegue, não quer entender o que se passa.

Sou muito curioso. Por que não pergunto o que está acontecendo? Mas pra quê? Em que me interessa de fato? Deixa o homem sofrer sozinho.

Ele não ligou mais. Acho que entendeu.

Descanse em paz.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Ano Novo, Canção Nova

Como alguns devem saber, fui à Canção Nova nesta passagem de ano. Para quem não sabe, é uma comunidade católica de Cachoeira Paulista, muito conhecida na Igreja, carismática, e que possui um terreno e um trabalho enormes.

Fui pela primeira vez, com minha família. Conheci a TV e a Rádio que eles possuem – e que farão parte de minha monografia – comprei algumas lembranças e vi um show. Para fechar o dia – pois só ficamos 1 dia por lá, infelizmente – a missa da “virada”, que começou às 23h30 do dia 31.

Na homilia, o padre vem nos falar do Ano Novo e das inúmeras promessas que se agregam a ele. Roupas brancas para chamar a prosperidade. Tudo isso em busca da “suprema” paz. Mas sem perceber que só existe uma verdadeira fonte: o Príncipe da Paz, Jesus Cristo. Que veio no Natal para nos dar a Paz, em sua humildade, pobreza e simplicidade.

“O Senhor volva o seu rosto para ti e te dê a paz!” (Números 6; 26) Isso é o que devemos desejar nesse início de ano. Mas não uma paz qualquer, mas a Shalom. Shalom abrange conforto, tranqüilidade, saúde, amor... Paz em plenitude. A Paz que só Deus pode dar.

“Não vos inquieteis com nada (...) A paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos.” (Filipenses 4; 6-7) Se você não permitir que Deus volte Sua Face para ti, não haverá a verdadeira paz. Mas esta Paz não significa ausência de conflitos e sofrimento, um mar de rosas, como apregoa a Teologia da Prosperidade. Você não vai parar de sofrer, porque também no sofrimento se encontram as lições da vida e o seu crescimento interior, dentre outros ganhos.

Porém, terá como sua segurança, seu refúgio, seu amparo, fiel ao seu lado, não apenas artefatos ou algo abstrato, mas uma Pessoa: Jesus e Deus. Que te acompanhará pelo resto da sua vida se você permitir, se você não se afastar – pois Ele nunca se afasta. Não pode haver Paz maior.

Como o coro de anjos cantou no Natal: “Glória a Deus nas alturas e Paz na terra aos homens de boa vontade.” Siga em frente e nunca se esqueça de que tem Alguém olhando e velando por ti.

Então, para este 2009, de modo especial, fica o meu desejo: “O Senhor volva o seu rosto para ti e te dê a Paz!” Shalom!

segunda-feira, dezembro 29, 2008

E os Pensamentos Desencontrados?

Contentes pelo desaparecimento dos Pensamentos Desencontrados?
Pois vocês vão receber uma ducha de água fria - o que nesse calor até que é bem-vinda.
Eles migraram para o Twitter, e agora saem desgovernadamente da mente de Pacadinho.

O que não impede que eles pintem por aqui. Ou bordem; ou cantem; ou dancem. São verdadeiros artistas.

domingo, dezembro 28, 2008

A panela e o ventilador

Claro que nem lembro disso, minha mãe que me contou. Com menos de 2 anos, passei por uma experiência que poderia ter sérias conseqüências. Estava na casa de minha tia, no colo de minha genitora. Uma panela de pressão estava no fogo, aparentemente em estado normal. Porém, alguma coisa se encontrava problemática no sistema dela. A pressão que deveria ser extravasada não estava saindo adequadamente.

A panela explode.
O fogão afunda.
A tampa voa.
Passa raspando a minha cabeça.
Bate com força no teto.
E cai com estardalhaço.

Imagino que deva ter sido um susto tremendo. Até hoje tem a marca lá no teto, e o fogão teve que ser trocado. E eu escapei.

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Hora da comunhão. Em pé, vestido com a túnica de acólito, para servir no altar na Nossa Senhora do Líbano, não estou fazendo nada, pois os outros coroinhas já foram ajudar os padres durante a Eucaristia. Um deles, ainda pequeno, está sentado numa cadeira no altar.

Subitamente, um barulho alto. Algo bate com força numa parede do altar e, tamanha a intensidade, voa e bate na outra, e cai perto de mim. Na verdade, acho que passou mais perto do menino do que de mim.

Assustado, vou ver o que é e percebo, espantado, ser a pá de um ventilador. Já estão correndo para desligar todos. O ventilador, preso a uma pilastra, perto dos bancos, nem está tão perto do altar.
As outras duas pás do ventilador também se soltaram e uma até bateu no púlpito do padre. Deus protegeu.


Parece até um filme antigo a que muita gente assistiu... Mas tenho uma premonição de que nada de ruim vai acontecer mais.

sábado, dezembro 27, 2008

Máquina mortífera

Esta semana fui ao banco encerrar minha conta - o estágio atual deposita em outro banco. Como de costume, o atendimento demora demais, tanto os caixas quanto as pessoas encarregadas do encerramento.

Estava eu na fila quando, de repente, começa a cantar uma cigarra. Não, o inseto não havia invadido a agência, era apenas o toque de um celular. Não era novidade pra mim, mas comecei a divagar, o que também não é surpresa. A mulher não demorou a atender, pois imagino que não seria aconselhável demorar. Quem sabe se a cigarra cantasse muito tempo o celular explodia?

Voltando ao ócio totalmente não-criativo, esperei impacientemente o único caixa atendendo. Subitamente, entro num filme de terror: começa a tocar a música de "Psicose". Aquele som agudo corta o ar e todos riem - de nervoso? O cara atende o celular. Deve ser a Samara.
Depois pergunto a ele onde conseguiu o toque. Talvez seja com a fornecedora The Ring tones.

Não sei mais quantas horas se passaram naquela fila. Devo ter criado varizes nesse tempo. Começa então a tocar a música do Plantão da Globo. A mulher atende. Com certeza ou é uma notícia importante ou alguém morreu. Nas circunstâncias atuais, com certeza algum falecido.

O último dos caixas diz que tem amigo oculto no andar de cima e fala que já volta. As pessoas na fila estão entorpecidas e começam a criar teias de aranha e não reagem.
É, "O Amigo Oculto" combina bem com o clima geral. Acho que daqui a pouco vou conversar com o Charlie.

Parece que passaram dias. Olho em volta e vejo o cara do celular morto no chão em uma poça d'água. Sete dias então.
Ele está atrás de mim na fila. Droga, não faz diferença nenhuma.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Aquarela de 2009

"E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está. E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar. Não tem tempo nem piedade nem tem hora de chegar. Sem pedir licença muda a nossa vida e depois convida a rir ou chorar."

terça-feira, dezembro 23, 2008

Adeus ano velho... feliz Ano Novo?

Esse ano passou muito rápido. Não sei se é a "velhice" - pois com o envelhecer o tempo se acelera - mas os meses se seguiram em velocidade. Um ano de dilemas e lutas interiores, como prolongamento do que se iniciara em 2007. Profundamente desanimado com Jornalismo, cheguei até a pensar em trancar a faculdade este ano - quando passava ao 6º período - para cursar Letras-Espanhol, pois passara no vestibular. Mas uma confusão me fez passar para o 2º semestre na UERJ e deixar livre 6 meses.

Acabei continuando na UFRJ e, num ato de loucura, me inscrevi em matérias em 2 faculdades, ambas de manhã, em agosto. Como de praxe, a UERJ entrou em greve, me deixando mais aliviado, mas me legando aulas em janeiro e fevereiro, num calor de derreter! Estou adorando o curso, sempre adorei Português, mas, infelizmente, o monstro da Monografia já está me assolando e terei que trancar a UERJ para poder terminar a ECO com mais tranqüilidade, ainda que só no fim de 2009 – desânimo gera acúmulo de eletivas por fazer, capicce?

Ainda por cima, finalmente comecei a fazer estágio – em Jornalismo, obviamente – e o tempo torna-se ainda mais comprimido. Primeiro numa empresa de transportes, passei à Editora Record e estou adorando ficar em meio a livros e mais livros. Trabalhar numa assessoria de editora seria o máximo!
O meu lado Letras me puxa muito, mas também vejo que 4 anos seria muito. Que tal um mestrado, 2 anos? Falar é fácil, passar é difícil, fazer dissertação... melhor nem comentar.

Por conta dos estágios, tive que sair do coral, ficou mais apertada a coordenação da Comunidade - grupo da igreja - mas resistem firmes e fortes, graças a Deus, meu serviço na Nossa Senhora do Líbano e meu namoro com a Carlinha (1 ano!).


Descobri o Twitter ( twitter.com/pacadinho ), descobri meu gosto por contos e pela literatura de verdade.
Um dos livros que me marcaram foi “A menina que roubava livros”, e talvez eu esteja me transformando em um personagem.

Agora é esperar por 2009 e pelo que o Futuro, esse garoto brincalhão, me reserva.

Certos excertos

"para o [Javier] Bardem o filme veio muito em cima do seu papel anterior, como o bandido do cabelo armado dos irmãos Coen. Passei todo o filme [Vicky Cristina Barcelona] esperando que ele estrangulasse alguém." (Verissimo n'O GLOBO)

sexta-feira, agosto 01, 2008

435

Voltando com textos antigos só para entulhar isso aqui. Haja criatividade !
***
Em uma aula do curso de inglês, a professora, por um motivo que não consigo me lembrar, mandou que escrevêssemos números que tivessem a ver com nossa vida, que possuíssem algum significado para nós. E esse numerozinho bonito aí de cima me veio logo à cabeça – ou pode ter sido que demorou algum tanto – mas o fato é que surgiu. Muito provavelmente, você não conseguiria deduzir seu sentido, como meus colegas não conseguiram adivinhar, na continuação da dinâmica. Número de amigos? Esquece. Data de nascimento? 4/3/5... Ônibus? A mais cabível, mas não há relação.

Realmente há o ônibus 435, Grajaú-Gávea, que só peguei uma vez, e o aniversário de meu personagem, não à toa, é 12/6, que seria um 43/5, mas nada disso chega na resposta. Não precisa me bater, já vou dizer. 435 é... o meu número favorito! “Ah... agora sim tudo faz sentido!” E de onde esse número bizarro apareceu na minha mente? Boa pergunta. Também queria saber. Número tão insosso, não tendo nada de cabalístico ou algo de misterioso.

Mas a questão é que ele passou a me seguir e, sempre que me lembro, anoto as situações que o envolvem, como uma notícia de rádio sobre um roubo de 435 galinhas ou o fato de eu ter sido logo o 435º a assinar uma lista na Internet, além de recortar suas aparições. E acabei criando um código, meio ruinzinho, que se chama 435: separa-se as 4ª, 3ª e 5ª letras da palavra nessa ordem, juntando o resto; repete-se o processo com o resto até sobrar três letras no máximo. Veja as palavras tenebrosas que se formam, me forçando a usar o código alternativo 324.

Assim, percebo que um número favorito só serve para besteiras como procurar situações que o envolvam ou chegar ao cúmulo de inventar um código. E pode ser que algum dia eu consiga escrever um livro que está na minha mente, com o título “435”, ou ganhar dinheiro jogando-o na loteria, com variações. Um dia, vocês verão que o 435 sempre esteve na essência do mundo e está ligado aos mistérios insondáveis...

Como eu consigo falar tanta besteira! Eu poderia continuar aqui até alcançar a quantidade de 435 palavras, mas não costumo torturar meus 435 não-leitores; até a palavra “besteira”, foram 354 palavras (um anagrama de 435). Chega disso. Vou fechar com um acróstico maluco – a frase abaixo - que esconde palavras que têm muito significado. Tentem descobrir sozinhos, porque nem o significado de “acróstico” vou lhes dar. Tomem, é fácil:

Quando um alienado tiver roubado os caramelos esverdeados novos, todos os sonhos e tramóias ressurgirão incrivelmente num tempo alucinado e coisas inimagináveis nortearão cidadãos obtusos.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Pensamentos Desencontrados - O Sacrifício!

Sabiam que existe uma lei oposta à Lei de Murphy - quando tudo dá errado?
É a Lei de Smurf: quando tá tudo azul!

Fonte: Hilarious Enciclopedy

domingo, março 11, 2007

EU LEVO OU DEIXO?

Texto recebido por e-mail, que, por sugestão da Srta. Turola, resolvi postar.
Realmente não entendi a confusão do ladrão... este é o linguajar comum da Casa Verde...
***
Diz a lenda que Rui Barbosa, ao chegar em casa, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal.
Chegando lá, constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação.
Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus amados patos, disse-lhe:
- Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa.
Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à qüinquagésima potência que o vulgo denomina nada.
E o ladrão, confuso, diz:
- Dotô, eu levo ou deixo os pato?"

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Sem sentido

Vocês acham que eu só tenho uma ótima memória? Não, não, eu tenho muitos outros atributos. Os meus cinco sentidos, por exemplo. O que dizer do meu paladar, da minha audição, do meu olfato, da minha visão, do meu tato?

Minha visão é a mais patente: qualquer um logo vê que eu tenho algum problema no olho, pois ando de óculos de um lado para o outro. Desde o C.A. Com o tempo, minha miopia foi aumentando e os borrões ao longe também, chegando hoje a uns quatro graus, além de uns dois de astigmatismo. E as pessoas cismam em achar que posso ver coisas tão pequenas, enxergar palavras ao longe. Mas se elas, que nem precisam de óculos para longe, não vêem, não é porque eu uso óculos que distinguirei tudo. Não uso lunetas!

Outro dos piores é a audição. Sei que me dizem que “quando você quer, você escuta sim”, mas meu ouvido decididamente não é bom. Às vezes, pergunto tantas vezes o que me disseram que fico até com vergonha de indagar de novo e sem saber afinal o que fora dito. Por isso, não gosto de filmes dublados, por não entender todas as falas, e defendo o que é feito nos filmes alemães: colocar legandas em filmes nacionais; além da compreensão dos dizeres, é bom para ver a ortografia das palavras e para ler. E, também devido à minha audição apurada, o que tenho mais dificuldade em cursos de língua é... adivinhem... a parte de escuta, que ainda cai nos testes, com perguntas. Será a gravíssima poluição sonora das cidades? Ou falta de cotonete?

Na seqüência dos meus sentidos aguçados, é a vez do olfato. Identificar um aroma não é comigo, ainda mais contribuindo para isso eu viver resfriado e respirar mais pela boca que pelo nariz. E, como se diz que o olfato é essencial para o paladar, você já deve ter intuído que esse outro sentido também não funciona direito. Os outros aqui em casa podem confirmar.

Não sinta pena de mim, pois posso ainda estar a salvo em relação ao tato. Tal sentido não é tão valorizado e percebido no cotidiano, assim não tenho certeza se tenho algum problema. Mas, no máximo, ele deve ser normal. Na verdade, acho que ele não vai deixar de acompanhar os outros e acabar me deixando na mão numa ocasião mais necessária.

Quem sabe não sou como cegos e surdo-mudos? Na falta de um sentido, eles têm os outros mais aguçados, para compensar. Dessa forma, com a deficiência – mas não completa, graças a Deus – de pelo menos quatro sentidos, há a possibilidade de que eu seja recompensado. Será que tenho um sexto sentido desconhecido? E o que eu conseguiria fazer com ele? Leria mentes, veria o futuro? Ou veria pessoas mortas?

Bem, creio que, no final das contas, não recebi recompensa alguma. E entrar na justiça não deve ajudar em nada. O jeito é me conformar, olhar para o futuro, ouvir só os conselhos confiáveis, sentir cheiros e sabores diversos da vida e sempre ter tato. Se é que consigo.

“Peter Piper picked a peck of pickled peppers. A peck of pickled peppers Peter Piper picked. If Peter Piper picked a peck of pickled peppers, where's the peck of pickled peppers Peter Piper picked?” (Trava-língua)

terça-feira, fevereiro 06, 2007

INFÂMIA

Para espantar as teias de aranha do blog, resolvi voltar a postar os textos do blog antigo (vide meu 1° post neste blog para relembrar a história) e movimentar um pouco este antro (ainda que só receba "comentários" publicitários). Divirtam-se! - cof cof!
***
Receita para retirar a infâmia

Ingredientes:
- Material infame
- Um disseminador do material
- Vários contatos

Modo de preparar:
- Pegue o material e coloque-o na ponta da língua do disseminador.
- Faça com que ele espalhe o material pelos seus contatos, de forma bem leve, para não haver nenhum choque ou qualquer outro problema técnico.
- Deixe o material rolar livremente por duas semanas. Faça um teste para ver se já está bem grudado na mente dos contatos e subcontatos.
- Teste positivo, infâmia dissolvida: o material não tem mais fama.

O Ministério da Saúde adverte: ao persistir a infâmia, o piadista deverá ser executado.

***

Realmente um texto deplorável, que a princípio seria para um site que eu faria, mas que acabou não dando em nada. Pena que não exista receita para retirar a minha infâmia... Mas eu não sou o único. Veja o poema de autor desconhecido abaixo:

Eu cavo,
Tu cavas,
Ele cava,
Nós cavamos,
Vós cavais,
Eles cavam.
Não é bonito.
Mas é profundo.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Pensamentos Desencontrados - O Contra-ataque!

Poucos sabem, mas o celébre matemático da equação de 2° grau adorava se vestir com um terno amarelo e uma gravata listrada, e saía pelas ruas com o rosto pintado de verde.
Foi daí que surgiu o famoso desenho e sua frase de entrada:

"Eu sou o Bhaaaaaaaaaaaskara!!! Demais!"

Fonte: Hilarious History

segunda-feira, novembro 13, 2006

Pensamentos desencontrados - A Revanche!

Não que seja minha opinião, é apenas um... pensamento desencontrado! (totalmente infame por sinal...)

"Admito que sou gay quando se trata da namorada de um amigo. Porque namorada de amigo meu é homem!"

sexta-feira, novembro 10, 2006

Pensamentos desencontrados - A Ressurreição!

Não, eu não gosto de Sandy & Junior! Mas o que eu posso fazer se os pensamentos desencontrados vêm se chocar com mais uma música deles?

Nova versão da música "Vamos pular" (cantem no mesmo ritmo e melodia - pelo menos eu acho!):

Dó (13x)
Ré (13x)
Mi (11x)
Fá (8x)
Sol (5x)

"Vamo pru" Lá (4x)
"Vamo pru" Lá (4x)

Lá (13x)
Si (13x)
Dó (11x)
Ré (8x)
Mi (5x)

"Vamo pru" Fá (4x)
"Vamo pru" Fá (4x)

Fá (13x)
...

domingo, setembro 24, 2006

Paternostro

Uma homenagem ao queridissíssimo professor da ECO e sua matéria sem-noção:

Paternostro, que está na ECO, maldito seja o seu nome, afaste de nós a sua matéria, NÃO seja feita a sua vontade.
Assim no binário como no hexadecimal, o entendimento nosso de cada dia nos dê hoje.
Perdoe a nossa ignorância, assim como nós perdoamos a sua falta de didática. E não nos deixe cair em reprovação, mas livre-nos do mal.
41 6D 2C 65 6D 2E oops! Amém.

sexta-feira, setembro 01, 2006

"Seja o que Deus quiser..."

Realmente, acho que escapei de uma catástrofe... Leiam e formem suas opiniões:
Ontem, estava eu no ônibus, voltando da faculdade, sentado, quando, vinda de trás de mim, soou uma voz: "Seja o que Deus quiser...", num tom monótono, espaçando bem as palavras. Fiquei apreensivo com aquelas palavras, principalmente com o tom com que foram pronunciadas. "O que raios seria aquilo?", me perguntei, quase me virando para trás, pois percebi que o cara falava sozinho.
Meus pensamentos foram acalmados quando uma ambulância que tocava sirene passou ao lado do ônibus, querendo passar os carros. Aquela frase sinistra só poderia ser algum tipo de superstição quando apareciam ambulâncias, pois lá dentro se encontrava alguém doente ou ferido ou às vezes até às portas da morte, e o homem às minhas costas invocava Deus nessas horas. No final das contas, não era nada tenebroso, pelo contrário.
A ambulância ainda se mantinha perto, tocando sirene, tentando se afastar, e mais algumas vezes o cara repetiu seu mantra. O ônibus, então, acabou se distanciando e tomou seu rumo, longe do barulho da sirene. Porém, de súbito, as palavras aterradoras ressoaram em meus ouvidos novamente. "Não é possível! O que afinal significa isso?!" E mais outras tantas vezes o mantra se repetiu, no mesmo tom de sempre.
Desci na Praça Saens Peña, enquanto o homem se mantinha no ônibus. Será que ia ocorrer algum cataclisma? Seria o cara um homem-bomba que ia explodir o ônibus? Ou ele apenas estava nervoso com alguma situação de sua vida que iria ocorrer? Iria ele se matar? Ou era apenas um louco?
Nunca descobrirei isso, mas persiste a sensação em mim de que escapei de algo terrível...

domingo, julho 30, 2006

Desafio

Alguém conseguiu entender os textos "Pensamentos Desencontrados - A Missão!" e "A Vingança!" ?
Façam suas apostas nos comentários!

domingo, julho 23, 2006

Pensamentos desencontrados - [Sugestão de título?]

Quem estuda na ECO não tem as faculdades física nem mental boas...

Pensamentos desencontrados - A Vingança!

"Você não soube, Birmânia" (título original da música de sucesso "Você não soube, Mianmar", da Blitz)

...

Depois da eternidade, a morte... (lembrando dos tempos de Pedro II y del Psicópata de las Gafas Amarillas) :

Estaba oscuro
El maníaco llegó
Y con sus gafas
A tu amigo mató!
Entonces
Si alguién morió
Fue desa para mejor
Es sólo tú llamar
Buena Muerte llega allá!

Pensamentos desencontrados - A Missão!

O verdadeiro Murphy, até hoje, não recebeu o prestígio que lhe é devido por causa de suas Leis tão famosas mundo inteiro. O verdadeiro Murphy ainda tem Leis que não são difundidas, mas que são de importância capital, dentre elas estas duas:

- Todo produto químico tomado imprudentemente gera uma nova personalidade indesejável

- Cuidar muito de animais pode levar o veterinário a ouvir constantemente vozes deles

Decepcionado com seu ostracismo, o verdadeiro Murphy resolveu se dedicar à vida de ator, o que faz até hoje escondido sob um disfarce.

Reparem bem que alguns filmes têm Leis suas inseridas...

Fonte: Hilarious Journal

segunda-feira, julho 17, 2006

Pensamentos desencontrados - O Retorno!

Música antiga de Sandy & Junior, "Vai ter que rebolar", faz sucesso estrondoso atualmente, em nova versão, nas rádios israelenses:

"Vai ter Hezbollah"

quinta-feira, julho 13, 2006

...

Eterna mente é terna mente, é ter na mente eternamente éter na mente.

segunda-feira, julho 10, 2006

Mandarins, gaviões e borboletas

Sei que vocês já estavam "vivendo" de saudade dos meus textos grandes. Pois então tive a brilhante idéia de contar, para saciar o desinteresse geral, o que, afinal, aconteceu com meus mandarins após a fatídica morte de "Rabudinho", tão mal contada no texto "Um corpo na gaiola". Masoquistas, deleitem-se!
***
O passarinho anomeado havia morrido... Nicoll, a suposta Viuvinha-negra, estava mais uma vez sem marido. Mas não tardou a aparecer um pretendente, cinza-claro e com um olho grande como o da vizinha Janaína. Queríamos colocar um nome com a inicial "N" também (o velho problema do nome...), mas não entrávamos em consenso. Nilmar, Nalbert, Nabucodonosor? Dei a sugestão de Neo, inspirado em Matrix, mas minha irmã, que não gosta do filme, recusou. Contudo, minha mãe se apropriou do nome e o deturpou, colocando-o como Nil (bléé!!). O problema é que não chegamos a lugar nenhum e acabou ficando esse nome deplorável.
Com esse marido, ao contrário de com o anterior, Nicoll se deu muito bem, ambos ariscos e agitados. Além do mais, Nil lembra Zento (lembram-se dele, do texto "Sem noção"? Claro que não, né?), adora rasgar jornal para colocar no ninho e "pimbar" (nosso dialeto para "acasalar", "namorar"), ainda que ele e Nicoll adorem matar filhotes, e tem o canto parecido com o de Joe, seu vizinho. Notícia fresquinha para os senhores, visto que só se passaram 1 ano e 1 mês que Nil está conosco!
Tudo ia bem, até o dia derradeiro... Como meu pai sempre faz, ele tinha colocado os "meninos" (passarinhos) na sala, para verem a paisagem e para tomarem sol: as 2 gaiolas dos mandarins no parapeito da janela e o viveiro dos calafates em frente a esta. Enquanto isso, eu estava no computador, querendo saber se o Corel Draw estava instalado, devido ao Laboratório que fazia na faculdade (no período que acabei de terminar, o 2º). Assim, chamei meu pai, que se encontrava na sala, para tirar a dúvida. Quando estávamos vendo isso, no quarto da minha irmã, escutamos os Bicões (como chamamos os calafates, Bicão e Biquinha) fazendo barulho, seu "pic pic" costumeiro, só que mais frenético, mas pensamos que fosse só alguma palhaçada que eles faziam de vez quando e não demos bola.
Porém, depois de um tempo, meu pai resolveu ir ver o que era. Quando chegou na sala - depois ele me contou - ele viu algo grande voando de cima das gaiolas dos mandarins. Olhando para o céu, lá estava um gavião. E, dentro de uma das gaiolas, Joe estava morto. A princípio, meu pai pensou que ele tivesse morrido de susto, mas, depois, viu que faltava um pedaço do corpo, mais especificamente a cabeça... Ainda bem que eu não vi, deve ter sido horrível; meu pai até contou pra minha irmã e pra minha mãe a primeira versão, para não chocar.
Nessa época, eu estava meio depressivo e fiquei pensando que tinha sido minha culpa o Joe ter sido atacado. Eu tinha feito besteira ao escolher o Laboratório (caíra num que não queria) e, por causa dele, tinha que instalar o tal Corel Draw. Assim, chamara meu pai, que, se estivesse na sala na hora, teria evitado a tragédia, já que o gavião não faria nada com um humano por perto. Fiquei pensando em mil e uma coisas, como no (ótimo) filme "Efeito Borboleta", em que pequenos detalhes geram um grande acontecimento, o bater de asas de uma borboleta que gera um furacão. Claro que depois vi ser tudo bobagem da minha mente, pois a vida toda é fruto desse tipo de coisa e não havia razão de eu ser culpado por nada.
Jana ficou, então, por muito tempo, sozinha. Isso porque não havia mandarim para comprar – o único disponível era careca e caolho – e porque não queríamos arriscar comprar um, que iria querer "namorar" e podia prejudicar Jana, que já tinha problema numa das patas, sem dedos (para quem não sabe, o acasalamento é feito com o macho subindo na fêmea). Contudo, chegou o dia em que surgiu um macho e ele veio pra casa. É o oposto de Joe: grande, gordo e com voz de grossa, e, como naturalmente, imitou o canto de Nil. O problema era esse: Jana sempre gostara de Joe, o seu oposto, e ainda o vira ser assassinado na sua frente.
Jana e Carlinhos (ou Charlie, nome dado a muito custo) não pararam de brigar um minuto, foi preciso fazer um ninho novo pra eles domirem separados, mas, depois de muito tempo, eles se conciliaram. Dá para perceber que não é a mesma coisa que com Joe, ainda brigam de vez em quando, mas está bem melhor. Jana soube se defender e não deixou ele vir com segundas intenções para cima dela - literalmente.
E assim continua até hoje, praticamente 2 meses depois de Charlie ter chegado aqui (08/05). É, ocorreram muitas emoções nesse ínterim e finalmente pude relatá-las, ainda que não sejam de interesse de ninguém. Algum dia ainda eu conto todas as histórias de meus passarinhos, suas diversas mortes e vários casais. Dá até pra fazer uma novela...

sexta-feira, julho 07, 2006

Acidente de desenho animado

Ingredientes:

- Um banheiro minúsculo
- Uma lâmpada que demora a acender
- Um rodo
Obs: uma pessoa alta e de óculos é requerida para preparar esta receita

Modo de preparar:

Aperte o interruptor da luz. Já sabendo que ela demora a acender, adiante-se para dentro do banheiro, se abaixando um pouco para levantar a tampa do vaso. Ainda na escuridão, pise na “base” do rodo, que está apoiado na parede. Deixe que o cabo deste siga direto em direção a sua cara. O baque deve produzir um repentino clarão e entortar ainda mais os óculos.

Rendimento: incontáveis porções de idiotice.

quarta-feira, julho 05, 2006

Torneira na cabeça

Não sei qual surgiu primeiro, ou se as duas surgiram juntas, no meu nascimento, mas a questão é que tenho duas torneiras na cabeça.
Vejamos: a primeira que eu descobri eu nem sabia que tinha, mas com o tempo ela se desenvolveu e aflorou destacadamente (ninguém pode dizer que não sabe de sua existência). Ela foi descoberta nos livros do Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato, pois uma das personagens também a tem: é a torneirinha de asneiras. Quanta infâmia, quanta besteira eu já falei na minha vida, principalmente desde o início de meu Ensino Médio, quem me conhece sabe que não deve ter sido pouca.
A segunda deve ser genética e descobri com o livro "A casa da madrinha", da Lygia Bojunga Nunes. Eu adoro os livros dela e devo ter sido o único aluno do Pedro II que gostei desse livro; não sei qual o preconceito. Na história, há um pavão que passou por uma operação, em cuja cabeça foi colocada uma torneira para controlar seus pensamentos, de acordo com a intensidade do fluxo. Por isso, ele tinha pensamento pingado (é, a história era assim, surreal). Não podia haver algo mais parecido comigo, com minha lerdeza.
Na verdade, não sei se são duas torneiras, ou apenas uma, multifuncional, mas que elas existem, existem.
Acredite se quiser!

terça-feira, julho 04, 2006

Copa do Mundo 2006

Volta pra casa, Alemanha! Quer dizer, bem... ah, vocês entenderam!

quinta-feira, junho 22, 2006

Pensamentos desencontrados

Pensem comigo:

Hitler nasceu em 20/04 - por sinal, minha mãe também, porque a parteira não queria que ela nascesse no mesmo dia que Getúlio Vargas (19/04), por não gostar dele, mas a situação foi ainda pior.
Logo, o ditador (me refiro ao primeiro) é do signo de Áries.
Por isso que, para Hitler, a raça superior se chamava ariana?

P.S.: Que falta do que fazer... Ou não!

sábado, junho 17, 2006

Ó, Suzana (nova versão)

Ó, Suzane
Não chores por seus pais
Pra não entrar em cana
É só pagar cem mil reais

domingo, maio 07, 2006

Paixão aprisionada

Um milagre divino! Ainda que os internautas não tenham nem notado diferença, eu fiquei uma eternidade fora do blog e agora, por um problema, resolvi voltar (estranho, não?). Ia participar do concurso Contos do Rio, organizado por O GLOBO, com o texto abaixo, mas como é normal comigo, acabei deixando para cima da hora, o que até não seria um empecilho se meu conto não acabasse passando do máximo de caracteres permitido no concurso. Tentei colocar nos padrões, mas não deu certo e não deu tempo.
Pois bem, desse jeito acabei conseguindo criar um texto e aproveito para postá-lo aqui (ainda que eu pudesse ter postado meus textos antigos). Má leitura!
***
Finalmente chegara o momento de agir. Ele não mais poderia esperar.
O carcereiro pega seu molho de chaves e, com o prato seguro na outra mão, abre a cela. A comida é colocada de qualquer jeito no chão de concreto e a porta é novamente trancada. Ouvindo os passos do carcereiro ressoarem à distância, o presidiário pega com avidez o prato e leva a colher à boca repetidamente, sofregamente, em uma velocidade surpreendente.
Largando o prato no chão, ele limpa sua longa barba desgrenhada com as costas da mão e emite um sonoro arroto. Tudo bem que a comida era uma porcaria, mas que diferença fazia isso agora? Esperando ainda um pequeno tempo, ele resolve que já está na hora. Apoiando-se na balaustrada da cama miserável, o velho enfia, num rompante, o dedo indicador na goela. O vômito é lançado a seus pés e ele desaba de joelhos, quase em cima da imundície.
Os sons chamam a atenção do carcereiro, que surge à porta e vê o homem ajoelhado, tiritando, uma poça a sua frente.
- Mas que diabos está acontecendo, cara? Vem aqui!
Com um braço apoiando-o, o guarda leva o cambaleante presidiário para um pequeno quarto, ao mesmo tempo em que brada por seu companheiro. Depois de acomodarem mal e mal o preso, os carcereiros decidem limpar-lhe os resquícios do vômito e aquecê-lo com um cobertor. Quando estão contactando um médico, vêem, aliviados, o doente adormecer. Apesar disso, um deles fica de guarda à porta fechada do quarto, enquanto outro vai vigiar os demais delinqüentes.
Dentro do cômodo, o presidiário abre os olhos lentamente. Perscrutando o ambiente, ele se certifica de que está sozinho e se levanta, se livrando do cobertor, que já o fazia suar. Sem o mínimo sinal de debilidade, anda com decisão para perto da janela e começa a trabalhar. Como as instalações ali são precárias e não são fiscalizadas há muito tempo, não havia problema algum em forçar uma passagem. É preciso menos de um minuto para escancarar a janela e pular para fora.
Correndo em desabalada carreira, ele escala o muro e cai do outro lado, rolando pela calçada. Logo se levanta e continua correndo pelas ruas, como se ainda estivesse na flor da idade. Raimundo não iria esperar que o médico chegasse e os carcereiros se dessem conta de sua burrice. Burrice, sim, ainda que eles estivessem há apenas duas semanas naquela prisão, pois a rotatividade no cargo era grande. E o presidiário se valeu disso para enganar mais uma vez a lei. O delegado, que já estava há um bom tempo trabalhando ali, não era muito de aparecer e nem devia se importar com suas fugas.
Agora seu objetivo está bem próximo. Já podia avistá-lo, grandioso, pessoas e mais pessoas a sua volta, um coro de vozes reboando, o êxtase alimentando sua agilidade. Raimundo já sabe para onde deve se dirigir. Embrenhando-se na multidão para despistar seus perseguidores, mas depois se afastando dela, ele chega a um recanto abandonado. Olhando ao redor, o presidiário se aproveita de sua magreza e se espreme por entre as grades. Ainda que saiba o caminho a seguir, Raimundo tem toda a precaução do mundo e espera ansiosamente.
Depois do que parece uma eternidade, um homem atarracado aparece no terreno e abre um sorriso. Os dois se abraçam e querem saber como o outro está, mas isso não demora e logo ambos estão andando por um caminho estreito, em silêncio. Chegam a uma porta depois de certo tempo e Raimundo não consegue se controlar. Passando à frente de seu amigo, ele ultrapassa o portal e se vê em meio à multidão novamente. A porta bate às suas costas e o presidiário, ao olhar para baixo, percebe que chegara no momento glorioso.
O coro à sua volta aumenta mais ainda quando surgem de uma escada vinte e dois homens, acompanhados de crianças, quase todos vestindo a mesma camisa que Raimundo tem no corpo, camisa essa da qual ele se separaria só quando morresse, ainda que estivesse bem gasta e suja. Olhando para os milhares de pessoas aglomeradas naquele grande estádio que era o Maracanã, para a multidão vibrante e multicolorida, ele sente uma paz maravilhosa.
Mas uma paz que não iria durar muito tempo. Logo se inicia um dos jogos mais aguardados pelo presidiário, a final do Estadual entre Flamengo e Fluminense, e Raimundo passa a ser o torcedor que mais sofre, que mais cobra, que não tira os olhos da bolinha que rola e salta de um lado para outro do campo. O espetáculo o hipnotiza e o leva às lágrimas quando seu time, mesmo sob pressão do adversário, abre o placar aos 15 minutos. Raimundo pula mais que todos os outros torcedores, gritando como um alucinado, abraçando todo mundo.
Mas o jogo se mantém equilibrado, os dois times atacando e contra-atacando. O intervalo entre os tempos chega e, só aí, o detento resolve verificar se algum policial está vindo em seu encalço, se ele corre perigo. Porém, tudo parece tranqüilo, como sempre.
O segundo tempo começa e a alegria de Raimundo não dura muito, pois o Fluminense empata em jogada espetacular, calando o presidiário e a torcida ao seu redor. Ainda haveria várias jogadas de tirar o fôlego, bolas na trave e até brigas que resultariam em expulsões para os dois lados, mas nada de gol. Com as unhas bastante roídas, o velho torcedor vê, sem acreditar, o juiz concluir o jogo, levando-o para os pênaltis.
Raimundo se senta e fecha os olhos, sem querer olhar as angustiantes cobranças. Sabendo que o Flamengo iria começar, ele adivinha os acontecimentos pelas reações dos torcedores. Vibra intimamente com os acertos de seu time e os erros do outro, até que não agüenta mais ficar sem ver. Abre os olhos e aguarda a cobrança do Flamengo, que pode garantir o título. Apesar de ser ateu, ele pede a Deus que o jogador acerte.
O atleta corre para a bola e chuta. O goleiro se joga e espalma a bola. Enquanto ele comemora, Raimundo se desespera. Contudo, o inimaginável acontece: a bola faz uma curva e, espetacularmente, sem que o goleiro tenha tempo de reagir, adentra o gol.
O presidiário não se contém e grita tresloucado. Pleno de alegria, ele corre por entre a multidão e sai do estádio, pulando e cantando o hino do Flamengo com toda a força. Agora que seu sonho se realizara, agora que conseguira ver seu tão amado time, ainda mais sendo campeão, ele podia voltar em paz para a prisão, pois estava satisfeito.
Todavia, nem precisa se esforçar muito, pois um policial se aproxima dele e lhe coloca as algemas, pondo-o com facilidade na viatura. Raimundo já se regozija só de pensar que terá novas oportunidades de rever seu time, pois suas fugas, uma vez por mês pelo menos, são infalíveis. Ele só não sabe é que tudo isso é possível porque os carcereiros sempre são preparados pelo delegado para deixar Raimundo fugir e voltar feliz da vida à prisão.
***
Em tempo: o concurso exigia que o conto se passasse no Rio de Janeiro e que tivesse como assunto o futebol. Só queria não estragar a surpresa antes.

quinta-feira, março 30, 2006

"Diga-me com quem conversas e eu te direi quem és"

É, a faculdade já está atrapalhando meus posts aqui e, logo, não prometo nenhuma regularidade. Este texto não deixa de ser uma homenagem e, por "encreça que parível", acho que poderia listar muito mais características e nuances das personalidades das pessoas de quem trato, mas não queria escrever uma tese sobre o assunto. Quem sabe algum dia eu detalhe mais? Não, não fiquem desesperados, é apenas uma hipótese...
***
A primeira, e mais velha, tem um nariz grande e uma cara gorda, com um corpo esbelto e pernas sexies. Gosta de resmungar com sua voz grossa e é muito charmosa, mimada - adora que dêem comida na sua boca - metida e preguiçosa (dorme em qualquer situação).
A segunda tem um corpo bem grande e uma voz que mais parece de gay, suave - não consegue nem gritar - além de dar indícios de que gosta da primeira, despertando, assim, suspeitas quanto a sua sexualidade. É muito sensível e medrosa e se acha uma gata, mas adora ficar suja. Adora comer e tomar sol.
A terceira tem uma cabeça muito grande e um olho maior ainda, com perninhas finas. Adora irritar os outros com sua teimosia e sua voz fina e histérica, repetindo frases e palavras, além de ser hiperativa e geniosa.
A última, que é gêmea da segunda e da terceira, tem um corpo bem pequeno para sua idade e olhos puxadinhos, e é meiguinha e lerda de pensamento, com uma voz que parece de "lesada". Adora andar para trás.
Todas essas quatro são pessoas com quem converso. Na verdade, não são exatamente pessoas, mas consideradas como tais: são meus animais de estimação, jabotas, as ditas "meninas". Seus nomes são até bem humanos: respectivamente Thalita, Vitória, Zilda e Magali. Não olhe para mim desse jeito, como se eu fosse maluco. O que tem de mais conversar com seus bichos? Com certeza, você também faz isso com seu cachorro, gato ou outro animal que tenha. Não é porque meu animal de estimação não é tão comum - a propósito, jabota é a fêmea do jabuti, como já me cansei de dizer, não tartaruga - que vou ser mais maluco.
Tudo bem que dar vozes e verdadeiras personalidades para elas não deve ser tão normal assim. Pode-se falar que isso, assim como a mãe de um amigo meu falou, é "o princípio do começo". Se é que você me entende. Mas é verdade que travamos verdadeiros diálogos com elas, pois até fazemos suas falas, grossas, finas, suaves e "lesadas". Não, nunca fomos internados, mas acho que não falta muito para isso.
Mais do que nossos passarinhos, que sempre estão morrendo e, dessa forma, não formam um vínculo tão forte - à exceção de Zento - nossas jabotas fazem mesmo parte de nossa família, como acontecem com muitos animais, visto que as mais novas já estão há seis anos conosco. Suas personalidades foram tão solidificadas que até originaram as minhas histórias em quadrinhos, em que elas são as protagonistas, super-heroínas habitantes de uma ilha do Pacífico, Super Gorda e Super Trigêmeas. Ou pode-se dizer também que as histórias contribuíram para essa solidificação.
Dessa forma, vemos que os animais não são simples seres inferiores, mas seres vivos que merecem respeito e que nos acompanham e também ajudam, ainda que, às vezes, não sejam animais convencionais. Eles não merecem ser maltratados só porque temos poder e alguns deles não podem se defender ou falar nossa língua. Apesar disso, uma conversa não é nada anormal.

"Se rir fosse bom, hiena não comia carniça" (Hilário V. B. Cumaddig)

quinta-feira, março 23, 2006

...munMUNmundoDOdo...

Estou de volta com meus textos "reeditados", com mais uma história, que nem sei bem se está bem elaborada. Mas foi apenas uma ideiazinha que quis colocar na tela. Deixem de ler!
***
Nudmo Odnum adora ler. Não perde a oportunidade de ler em todos os lugares onde está, não importa a situação. Até no caminho que faz a pé de um lugar a outro, lá está ele lendo. E é por isso que Nudmo caminha pela praça nesse momento, alheio a tudo, apenas concentrado no livro em frente ao seu rosto. Transeuntes se irritam com seu descaso e muitos esbarram nele. Mas ele não se importa, nem quando um motorista o xinga, passando rente ao menino.
A história é muito interessante e tem muito a ver com ele: conta sobre um garoto que, gostando muito de ler, resolveu andar perto de casa, até o dentista, lendo um livro, não se preocupando com o resto ao redor. Seu livro trata de um menino apreciador da leitura, que não larga o livro um minuto, até quando anda pelas ruas num tremendo frio.
Mas Nudmo não pôde saber do assunto do livro do garoto que estava na história do livro do menino, cuja história era contada no livro de Nudmo. Dessa vez o esbarrão é mais forte e o menino leitor cai no chão, só vendo que dois homens correm pela praça a sua frente, levando o livro. Nudmo esquece-se completamente do dentista e, aficionado pela história misteriosa, corre em desabalada carreira atrás dos ladrões.
O garoto vê os dois desaparecerem ao dobrarem a esquina e, aflito, aumenta a velocidade, sentindo o vento gelado fustigar seu corpo. Na rua seguinte, ele avista um vendedor de rua anunciando promoções e, de relance, vê a capa de seu livro. Rapidamente, ele pára e, com sua mesada, compra-o. Agora Nudmo não precisa mais se preocupar. Só precisa reiniciar de onde parara.
O livro do segundo menino diz ser sobre um menino que adora ler... mas era a mesma coisa! Achando que a seqüência interminável ocuparia o livro todo, Nudmo se espanta ao ler que o menino do livro não conseguira ler o resto porque fora derrubado e roubado. Mas, sem se importar com os compromissos, o garoto perseguiu os delinqüentes até dar de cara, por acaso, com o livro desejado.
Nudmo já está zonzo com aquilo tudo. Ele segue mais no livro e percebe que teria de interrogar o vendedor acerca dos bandidos. Só um teste, pois a resposta já está estampada nas páginas do livro.
- Viu dois homens correndo com um livro na mão?
- É claro, foram para lá. - ele aponta uma porta estreita numa casa verde ali perto - Roubaram você?
Nudmo nem responde, espantado que está com os fatos iguais, assim como acontecia com o menino do livro, ao ler seu próprio livro. Será que o livro teria sua vida toda? Mas ele é bem pequeno. Então iria até que parte? Ele resolve não olhar mais à frente, deixando a curiosidade de lado; não quer saber do futuro próximo. Quem sabe ele não morreria daqui a pouco? "Estou ficando maluco!", pensa o garoto, adentrando a casa verde com o livro na mão, marcado na parte em que parara.
Agora ele se encontra num hospício. Nudmo está assustado diante dos homens e mulheres que o fitam com olhares débeis e que agem de modo estranho. Um dos enfermeiros surge, saindo de um quarto, com o livro de Nudmo nas mãos. Mas ele não é um dos ladrões. O menino corre para o enfermeiro, mas é barrado por outro no corredor.
- O que você está fazendo aqui? Os loucos já te deram esse maldito livro? Muitos deles vieram parar aqui por causa dele. Largue isso! Não leia!
Ele arranca o livro da mão de Nudmo e se afasta, decidido. Estarrecido, o garoto só consegue olhar para o lado, para dentro do quarto ao lado, cuja porta está aberta. Lá dentro, estão os bandidos que Nudmo perseguia, mas com camisas-de-força. Ou haviam lido o livro ou queriam continuar a lê-lo, depois de loucos.
"Puxa, será que isso é verdade? Um mero livro não vai fundir a cabeça de ninguém!" Um paciente se aproxima e lhe estende furtivamente outro exemplar do livro que o enfermeiro levou embora. Dizendo "com os cumprimentos de Napoleão", o maluco se distancia.
A curiosidade é mais forte e Nudmo folheia o livro até a parte em que o vendedor respondia a sua pergunta. Depois disso, os acontecimentos se repetiam detalhadamente. O menino já está assustado, imaginando se ele mesmo não estaria na verdade num livro, uma vida inventada por outros. Da mesma forma que o menino do livro agia.
A história continua depois com a reaparição do enfermeiro, repreendendo Nudmo e dizendo:
- Garoto, você está ficando maluco! Esse livro está te prendendo, não percebe? Ele não vai te revelar nada! Me dê ele aqui. É sério!
Parecia a Nudmo que ele ouvia um eco da fala do livro. Pensando que a maluquice já está agindo, o menino levanta a cabeça e dá de cara com o mesmo enfermeiro que lhe confiscou o livro. Ele volta a olhar para o livro e vira a página, ávido por saber do resto. Mas só há uma folha em branco, sem nenhuma letra. O que aquilo quer dizer?
Olha novamente para o enfermeiro, no exato momento em que a palavra "sério" sai de sua boca. Seu rosto enfurecido é a última coisa que vê antes que tudo se torne alvo. Para sua mente, tudo ao redor, até seu próprio corpo, some. E ele perde a noção do mundo.

segunda-feira, março 20, 2006

Econotícias - 1ª edição

Sim, pode ter sido um erro colocar tal texto aqui, mas só quis expor minha aventura "jornalística". Como um amigo meu da faculdade viajou na 1ª semana de aula da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ, e eu fiquei encarregado de informá-lo dos acontecimentos, tive a idéia de fazer um jornal virtual, que o informou diariamente, não muito ortodoxamente, mas bem, a meu ver. Como acho que a publicação de um texto como este é um suicídio, pela restrição da compreensão geral, postarei apenas este, falando do dia 13/3, 1º dia de aula, para conhecimento do público. Entediem-se! (o melhor de tudo são as onomatopéias iniciais)
***
Pã nãnã nãnãnã pã nãnã nãnãnã tãtãtãtãtãtãtãtãtãtã tã nãnãnãnã tãnãnãnã!
Bom dia! Por motivos muito graves - um aniversário de um amigo - que não se repetirão, este jornalista não pôde informar o internauta das notícias da ECO ontem à noite.
Ontem, o repórter que vos fala chegou atrasado ao 1º tempo e não pode dar informações detalhadas sobre o início da aula. A 1ª aula consistia na matéria Sistema e Tecnologia de Comunicação, ou simplesmente STC, presidida pelo prof. Diego London. Este, antes do jornalista chegar, já citara as avaliações que seriam feitas, entre elas um seminário, mas não passou oficialmente nenhuma delas. O professor falou sobre tecnologia, sobre questões muito profundas, como "O que é máquina?" e "Os animais se comunicam?", sobre o mito de Prometeu, entre outras coisas. Ele também passou 2 textos, que já estão em sua pasta na xerox do C.A., para ler para quarta-feira, próximo dia de aula dele.
Após tal aula, seria Língua Portuguesa II. Como mostra o horário afixado perto da entrada da ECO, só existem mesmo as turmas EC1, EC2 e ECE e não havia problema algum na inscrição. Porém, embaixo do nome da matéria, só estava escrito "Prof", sem o nome do docente. Os alunos ficaram divididos quanto a quem seria tal professor: Agostinho novamente ou uma tal professora. Como o professor não aparecesse, os discentes já tinham como quase certo que fosse Agostinho, faltando de novo, e ficaram pelos corredores, conversando.
Já tendo passado das 15h30, uma mulher interpela o grupo onde estava o repórter se nossa turma tinha aula de LPII naquele horário e, como uma garota já nos perguntara isso antes, o jornalista pensou se tratar de uma aluna. Porém, para surpresa nossa, ela diz ser nossa professora de Português e fala que dará um recado. Adentramos a sala e ouvimos a desculpa da nossa nova professora, que se chama Érica: ela entrara na turma errada, uma turma de 1º período, e começara a dar aula, sem saber de seu erro. Já no final do tempo, os calouros informaram à professora que ela não deveria estar dando aula ali, mas parece que a deixaram dando aula apenas porque estavam com tempo vago (aparentemente teriam LPI). A professora enganada saiu correndo para nossa sala, a tempo de comentar a situação e entregar sua ementa, dizendo também que haverá um seminário, mas não passou nada oficialmente.
E, dentro deste contexto, afiguram-se algumas notícias: enquanto esperávamos o professor de LPII, Luísa, da nossa turma, resolveu ir à livraria ao lado de nossa ex-sala (a propósito, nossa sala mudou de lugar; se não me falha a memória, é a 1ª sala "grande" depois do C.A.) perguntar sobre a pasta com nossos trabalhos do Agostinho. Ela descobriu que o tal professor pegara os trabalhos antes do Carnaval, ou seja, há mais ou menos 2 semanas! Agora só nos resta esperar ele corrigir.
E, ainda continuando neste assunto, uma garota que estava na aula de LPII, mas que não é da nossa turma, disse que, quando teve aula de LPI, com Agostinho, faz um tempo, o tal professor não faltava e entregou as notas no prazo certo. Ou seja, aparentemente ele teve algum problema período passado - talvez o problema da visão - que o prejudicou, ou foi apenas preguiça e cara-de-pau mesmo.
Depois de tantas emoções, ainda restou-nos fôlego para mais uma aula, agora de Comunicação e Economia. Havia boatos de que o professor, Eduardo Reffkalefsky (saúde!), ou simplesmente Reff, como ele mesmo falou, é um picareta, que só fala contra a IgrejaUniversal, que fica falando sobre diversos assuntos que não têm nadaa ver com a matéria e que passa boa parte da aula lendo os textos que passa para fotocopiar, além de passar milhares de textos. Este repórter pôde conferir que o professor realmente fala sobre diversos assuntos que aparentemente não têm relação com o curso, fica lendo os textos e citou duas vezes a IgrejaUniversal, falando mal dela.
Mas ainda é cedo para dizer se realmente ele é um picareta ou sua aula foi apenas uma introdução, e se haverá milhares de textos, porém tudo leva a crer. Mas, por enquanto, ele só passou para a xerox textos que parecem ser leves e divertidos, além de pequenos, como o "Manual do cara-de-pau",totalizando 5 textos que devem ser lidos para 5ª-feira. Este jornalista já encomendou todos os textos na xerox, mas ainda não os recebeu, o que o levou a pensar em processar o dito estabelecimento.
Como, aparentemente, não me resta notícia alguma para ser dada, o seu jornal virtual fica por aqui.
Bom dia e boa viagem!

sexta-feira, março 17, 2006

“Um corpo na gaiola" II

Não, não vá embora! Não é o que você está pensando! Eu não vou continuar aquela história modorrenta da morte do meu passarinho. Só estou fazendo uma alusão ao assunto tratado por mim no post anterior. Acredite se quiser, mas aquela “historinha” de antes era para ser só uma introdução para o tema em mente. Imagine você lendo um texto monstruoso, de 1000 km, uma "tonelada" de comprimento. Eu não iria fazer tamanha tortura. A não ser que pudesse ser pior.
Mas você deve estar pensando: qual será o assunto? Passarinhos assassinos? Bichos de estimação interesseiros? Ou, ainda, conflitos familiares por um nome? Bem, realmente esses seriam assuntos muito interessantes, mas não é nada tão edificante assim. Prefiro falar de histórias do mesmo gênero que a que contei: histórias policiais.
Desde que me entendo por gente, gosto de ler. Influenciado pela minha mãe - é difícil achar algum familiar próximo que goste de ler mesmo, além dela - fui cultivando meu gosto pela leitura e descobrindo um prazer que muitíssimas pessoas não enxergam - o que é uma pena. Com o tempo, fui filtrando meu gosto, percebendo os meus maiores prazeres dentro daquele prazer. Além de livros de aventura e fantasia, com certeza um dos meus "subprazeres", o principal é o gênero policial. Bem junto a ele, lá também estão histórias de suspense, mistério, não necessariamente policiais.
Estive perscrutando minha mente, à procura de uma possível origem, de um provável incentivo inicial para minha preferência. Minha memória não me ajuda muito, mas dessa vez consegui lembrar de indícios muito importantes. Na 5ª série, um dos livros paradidáticos chamava-se "O gênio do crime", do autor J. C. Marinho Silva. Era a história de um grupo de meninos, Edmundo, Pituca, Bolachão e Berenice, que investigavam a identidade do personagem-título, juntamente com o detetive inglês Mister, passando pelo rapto de Bolachão pelo criminoso. É um livro muito lembrado pelos ex-alunos do Pedro II que o leram, como eu. Mas é claro que todos esses detalhes só foram reavivados quando desencavei o livrinho do meu armário.
Mas mais importante ainda é a biblioteca pública de que sou sócio desde 96. Começando naturalmente pela seção infanto-juvenil, encontrei livros de mistério como os de Stella Carr, Marcos Rey (Coleção Vaga-lume!) e Pedro Bandeira - os tão conhecidos livros do grupo dos Karas, formado por Magrí, Calú, Chumbinho, Miguel e Crânio, com o Código Vermelho, o Tênis Polar, num total de cinco livros (e dizem que o sexto vem por aí!). Nessa biblioteca, estava minha iniciação aos policiais, complementando a biblioteca do Sesc, aonde comecei a ir ainda pequeno. Felizmente, depois de algumas mudanças, moro bem pertinho da biblioteca pública e a freqüento sempre.
E o que dizer de "O caso dos dez negrinhos", da Agatha Christie? Para mim, o melhor livro da autora, com uma trama engenhosa, sem precisar de detetives para sustentá-la. Li também outros dela que tenho aqui em casa - livros da minha mãe - mas foi esse livro, principalmente, que me levou a policiais mais "adultos" - apesar de quase ter desistido de ler Agatha Christie devido ao final de "Assassinato no Expresso do Oriente".
Os casos de Hercule Poirot, Miss Marple e Tommy e Tuppence me levaram aos de Sherlock Holmes e Watson, o que é elementar. Cheguei às aventuras do ladrão de casaca Arsène Lupin, do autor Maurice Leblanc, agora levado por um grande amigo meu, também apreciador de policiais - esses livros são muito antigos, mas, pelo menos na minha querida biblioteca, achei vários deles; não há só em sebos.
Na feira de livros na praça perto de casa, descobri um autor pouco divulgado por aqui: James Patterson. É difícil achá-lo em português em livrarias e em bibliotecas, sendo que geralmente são os mesmos poucos livros, apesar de existirem muitos livros publicados. Só fui tomar conhecimento dele por um filme, que na Net quase não passa: "Na teia da aranha". Comprei o livro em que foi baseado - como de praxe, muito melhor que o filme - e, depois, não pude deixar de levar outros dois: "O beijo da morte" - que também virou filme - e "Caçada ao predador", os três com o detetive Alex Cross, além de ler "Esconde-esconde".
Que eu me lembre agora, esses são os meus principais conhecidos de leitura, e já estou me familiarizando agora com Hieronymus (Harry) Bosch, do autor Michael Connelly, que eu já estava para ler há um tempão, mas que não encontrava. Em breve, encontrarei Marlowe, de Raymond Chandler, e Spinoza, de Garcia-Roza, além do suspense de Koontz, que estão à espera de minha aprovação.
E, assim, vou seguindo lendo e conhecendo cada vez mais personagens únicos e autores ímpares, ou apenas simples personagens e simples autores, não me esquecendo de assistir também a filmes policiais, de suspense, de mistério, mas que não ultrapassam minha preferência pelos livros do gênero.
Sim, já estou para acabar. Se você conseguiu chegar até aqui é porque também tem um certo gosto por esse tipo de literatura, pois senão acho que não agüentaria ler tudo. Além do mais, em que a minha vida lhe interessa? Mas o suspense e o mistério sempre interessam a muita gente, com seu clima de surpresas e truques, de revelações e tramas bem urdidas. Mas isso nem sempre é o bastante para atrair de verdade pessoas para a leitura, ainda mais com diversos fatores negativos atrapalhando, como falta de incentivo e de bibliotecas, entre outros.
Porém, fico feliz que também haja gente que cultive esse gosto e que lerá tudo até a última linha. A linha onde sempre ficará um jogo de palavras ou letras, exceto nos dias de história. Dessa vez, o que surge é um pangrama, trecho curto que contém todas as letras do alfabeto, em inglês:
“The quick brown fox jumps over a lazy dog”
***
Este texto até que não tem muitos problemas, mas queria acrescentar alguns aspectos que o tempo modificou, ou nem tanto: a biblioteca do Sesc não mais empresta para não-sócios (como eu) e não pude mais ir lá, porém já a substituí pela Biblioteca Popular do Rio Comprido, um pouco afastada, mas boa; já li todos os livros do Michael Connelly que estavam ao meu alcance nas bibliotecas, são difíceis de encontrar, mas gostei muito, porém ainda nem li nada dos outros autores que citei, só um livro da P.D. James e mais uns do James Patterson e do Dennis Lehane (que estou lendo agora).

quinta-feira, março 16, 2006

"Um corpo na gaiola"

Juntando-se a meu habitual esquecimento, veio o início da faculdade para desestabilizar meus posts aqui, mas estou de volta agora. Este é outro dos textos meio desatualizados, mas que vale a pena postar, ainda mais que é um gancho para outro post. Aqui relato a morte de meu passarinho e suas "consequências". Não leiam!
***
Num sábado de manhã, fui dar uma olhada nos "meninos" - como chamamos nossos passarinhos - e me deparei com uma cena imprevisível: na gaiola da direita, um deles estava estendido no chão, imóvel. Olhei bem e percebi que havia sangue junto às patas e ao bico dele, além de no pote de areia, que estava no canto oposto a ele, um pouco acima do fundo. O sangue era maior perto de seu bico aberto.
Desconfiei da esposa do falecido, Nicoll, uma linda mandarim parda, que brigara muitas vezes com o marido e dava muita bola para o macho vizinho, Joe. Numa daquelas brigas, ela poderia ter machucado "Rabudinho", o esposo, só para ficar com o outro. Olhei prontamente para ela, procurando vestígios de sangue, mas nada vi. Era pouco provável que ela conseguisse fugir de uma gaiola para outra, ainda tendo que brigar com a outra fêmea, Janaína. A não ser que tivesse um plano engenhoso em mente.
Resolvi chamar um médico para me informar melhor e, quando telefonava, minha irmã chegou. Tive de informá-la da má notícia, dizer-lhe que o pássaro durara pouco mais que um mês e meio. Triste, ela retirou cuidadosamente o corpo da gaiola e, juntos, analisamos. Logo vimos como ele morrera: o bico por dentro estava todo sujo de sangue, logo ele cuspira sangue por causa de hemorragia. Daí a grande quantidade de sangue junto ao bico. Mas por que isso acontecera? E como o sangue fora parar no pote, junto à base, justamente do lado oposto para onde o bico estava virado?
De repente, a campainha tocou. Quem seria? Abri-a de chofre e dei de cara com o médico, acompanhado por dois tiras. Ele encarregou-se de explicar que achara melhor chamarem policiais para investigar. Assenti e deixei-os entrarem. Os três foram para a sala, onde minha irmã colocara o corpo num papel-toalha, em cima de um móvel. A luz batia próximo ao morto, incidindo também nas "meninas" - dessa vez, são as nossas jabotas - que tomavam banho de sol. Nessa cena pitoresca, o médico-legista analisou o corpo detidamente e confirmou nossa hipótese, além de supor que o pássaro morrera há pouco tempo, entre uma hora e duas horas atrás. Mesmo assim, ainda iria fazer uma autópsia para tirar qualquer dúvida.
Agora era a vez de olhar a cena do crime. O médico e os policiais criticaram minha irmã por não deixar o corpo do jeito que estava, ainda mais que ela não usara luvas, estragando possíveis digitais. Ela colocou o corpo de volta ao seu lugar, e nossas suposições continuaram a ser confirmadas, mas o sangue do pote, por enquanto, continuava indecifrável.
Os policiais chamaram a mim e a minha irmã para nos fazerem perguntas. Afastados das gaiolas, nos revelaram que Nicoll era a principal suspeita, ainda mais que era muito parecida com a famosa assassina procurada pela lei, apelidada de Viuvinha-negra. Olhei espantado para Nicoll, que me lançou um olhar indiferente. Os tiras a interrogaram e tiraram suas digitais para comparar com as da assassina. Todos os outros pássaros, inclusive os calafates que vivem no viveiro em baixo, deram depoimentos, mas não se chegou a nada: eles estavam tomando banho ou comendo ou fazendo cafuné um no outro, em suas vidas atarefadas e estressantes. Até as meninas depuseram, mas elas alegaram que tinham uma visão muito ruim, além de nem terem orelhas.
Desanimados, os três foram embora, prometendo ligar para dar notícias, e deixaram um telefone de contato. Ficamos em casa sem fazer nada, encucados com aquilo tudo, enquanto os passarinhos ficaram torrando nosso saco, pedindo recompensas por responderem perguntas tão enfadonhas, querendo que trocassem a água da banheira ou dessem arrozinho ou vitamina. As jabotas resolveram repetir a tática e começaram a pedir peixe. Irritado, coloquei-as na cozinha e tranquei a porta, enquanto nos refugiávamos na sala.
Nessa hora, foi a vez de meu pai chegar, depois de andar de bicicleta. Espantado, ele foi bombardeado por informações que começamos a dar sobre a morte de "Rabudinho", que meu pai cismava de chamar de Zento; o pássaro novo não recebera um nome fixo, por não entrarmos em consenso, e acabara morrendo assim. Nosso pai observou a gaiola, intrigado, sem entender o que acontecera.
Depois de muita reflexão, ele entendeu tudo - ou pensava que tinha entendido - quando o telefone tocou. Era um dos tiras, dando o resultado da autópsia e fornecendo as hipóteses. Meu pai conversou com ele e confirmou tudo: o passarinho morrera por causa de um fio de náilon do ninho, que ele gostava de ficar puxando. O fio acabou machucando-o e assim ele morreu. Já sabendo que Nicoll não era a Viuvinha-negra, o tira chamou nosso pai para depor.
Porém, ele não voltou da delegacia. Liguei para lá e descobri que ele fora preso por homicídio doloso, pois comprara aquele ninho e, mesmo sabendo do fio, não fez nada para tirá-lo. Com raiva, fomos para o lugar onde ele estava temporariamente encarcerado e, lá, começamos a discutir com os policiais, argumentando. Os tiras nos acalmaram, dizendo que logo, logo meu pai iria sair da cela, pois ninguém ficava muito tempo na prisão.
Ainda com raiva, saímos da delegacia e fomos para casa. Eu ainda estava desconfiado da Nicoll, mas não tinha provas. Zento, o verdadeiro, o pseudo-imortal, sempre vivera bem até Nicoll chegar e acabara morrendo, talvez por causa do amante Joe. E agora, o substituto dele, "Rabudinho", morrera. Muita coincidência. Para mim, não importava: continuaria a chamá-la de Viuvinha-negra.
Hoje, uma semana depois, Nicoll continua sem marido, mas ainda não fez nenhuma tentativa de fugir de sua gaiola. O corpo já foi enterrado num vaso com terra por minha mãe. Meu pai já está livre e, dentre em pouco, comprará outro mandarim para fazer companhia a Nicoll. Talvez uma maldição pese sobre ela e, depois de um tempo, haverá a terceira vítima...

quinta-feira, março 09, 2006

Sou todo olvidos

Às vezes penso que exagerei um pouco neste texto, ainda que minha memória seja bem ruinzinha, sim. Para saberem, só realmente convivendo comigo. Mas eu não desejo isso nem para meu pior inimigo...
***
Vocês devem não ter percebido que fiquei ausente por um tempo. Depois que voltei de viagem, só postei uma vez e olhe lá! É... bem... admito que não tenho desculpa, foi apenas distração, esquecimento, ou como vocês quiserem chamar.
Durante esse ínterim, meus 435 não-leitores ficaram preocupados comigo e também interessados por palíndromos, anagramas e afins, depois do post "Palavras". Fui bombardeado pelos pedidos deles, principalmente do meu xará Gabriel Gusmão, da minha admiradora Thayllanny Nayara, e da minha jabota heroína, Super Gorda. Mas quem me convenceu mesmo foi meu grande amigo Hilário. Pois, a partir de hoje, ao final dos posts, colocarei tais "jogos" de palavras. Sei que vocês não vão adorar muito.
E agora... do que eu ia falar mesmo? Ah, sim! Sobre a minha ótima memória. Sem sombra de dúvida, a frase que mais falo é "Ih, esqueci!". Se é que não olvidei de alguma outra – vou ser obrigado a usar palavras alternativas. O esquecimento começa pelos objetos: já perdi mais de um guarda-chuva, botando minha mãe fora do sério, além de esquecer coisas variadas em diversos lugares, como material escolar, casaco, até o celular. Sorte que eu conto com a sorte, senão teria que ser gasta uma dinheirama. Sempre procuro colocar os objetos os mais próximos possíveis de mim, evitando, por exemplo, colocar o guarda-chuva para secar num canto. Ainda bem que eu sinto falta dos meus óculos, senão eu perigava perdê-los.
Mas é claro que meu esquecimento não se resume a meros objetos. Acho que o pior é o que tem que guardar na mente, o que não deixa de estar ligado com o fato de lembrar que o objeto tem que voltar para casa, e não ficar abandonado ou ter um novo dono. É muito perigoso falarem para mim: "Me lembra de tal coisa?". Não confiem na minha memória atrofiada, eu aconselho de pronto. Lembrar de fazer algo ou de algum fato ou de quando aconteceu certa coisa: não contem comigo para isso. Só quando é algo bem marcante, que fica incrustado na minha mente, ainda que não tenha um motivo certo, ainda que seja uma lembrança totalmente desimportante; de qualquer jeito, tem que estar gravado mesmo.
O problema é que isso tudo não é um problema só meu. Claro que eu sou ruim mesmo, mas milhares de pessoas têm, atualmente, um sério problema de memorizar as coisas. Em parte pelo estresse, em parte pela avalanche de informações, dados, palavras e mais palavras invadindo nossa mente, entrando na minha mente já não tão eficiente. O jeito é filtrar tudo, pegar uma Penseira - leitores de Harry Potter sabem do que estou falando - e tacar fora tudo de porcaria ou de pouco importante, ou pelo menos esvaziar um pouco o cérebro.
Sempre exercitar a memória é muito bom, tanto em palavras cruzadas e demais jogos próprios para isso - como o velho joguinho com cartelas e pares de desenhos iguais - quanto em exercícios que você mesmo pode criar para malhar o cérebro – não é só tórax, bíceps e todo o resto propalado pelos fisioculturistas. Bem, todos os diversos métodos de ajudar a memória já foram muito divulgados pela mídia e muita gente já conhece vários, mas não põe em prática. Como já devem ter deduzido, eu também não sou adepto de jogos de memória, apesar de até gostar deles, palavras cruzadas em especial.
Tenho que me preocupar é com o passar dos anos. A tendência é que minha memória vá piorando, à medida que a preocupação, o estresse, as informações vão aumentando. Vou chegar num ponto em que não vou saber nem quem sou, de onde vim, para onde vou. Aliás, isso ninguém sabe. Acho que vou ter de contratar lembradores para mim ou gastar pilhas de papel com lembretes; fitas presas nos dedos e Lembrol não servem para droga nenhuma.
Ufa, escrevi demais! Agora é deixar o meu "joguinho" - hoje um palíndromo - e ir-me embora. Desde agora, farei isso sempre. Se eu não esquecer, é claro.

"Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos!"

sexta-feira, março 03, 2006

ADIV

Não se desesperem, mas eu voltei mesmo! Retornei de uma viagem e já estou pronto para outra, pelos textos que escrevi. Não aproveitem!
***
"Do pó vieste, para o pó voltarás." O citado pó começa a se juntar, a tomar corpo, formando a carne, constituindo o ser. Gradualmente, se chega ao resultado final: um ser humano. Ele está usando uma roupa predominantemente preta, sapatos, e está enclausurado num grande compartimento de madeira.
Outros seres humanos, em meio a blocos de pedra, mármore, granito, começam a cavar e, findo o trabalho, retiram da terra o receptáculo. Este é aberto e o ser vivo é carregado até um hospital, sem esboçar movimento algum. Logo que é tirada sua roupa e colocada uma nova, toda branca, o homem abre os olhos e seu rosto demonstra sofrimento e dor. Tudo conseqüência da falta da roupa preta: esta o protegia do mundo e de suas intempéries; agora ele está frágil.
Davi, é o nome do homem, é tratado bem, recebendo visitas dos parentes, até que sara e sai do hospital. Ele é um homem idoso, cheio de rugas e cabelos brancos, e ainda tem muito o que viver, apesar de todo o conhecimento em sua mente. Depois de um tempo, começa a trabalhar e a viver mais intensamente.
Lentamente, com o passar do tempo, sua pele se alisa e seus cabelos vão ficando mais escuros. Ele começa seus estudos, vai à escola e encontra seus amigos, sem grandes preocupações, recompensado pelos vários anos de trabalho.
Com o tempo, quanto mais Davi rejuvenesce e encolhe, menos conhecimento ele tem do mundo e mais admirado com ele Davi fica. Mas chega a um ponto em que nem mais andar e falar ele sabe. Chegou a hora decisiva. Davi é levado para um hospital e cuidadosamente tratado por médicos. Uma mulher, Triz Rage, que sempre os ajuda, já está de prontidão.
Deitada no leito de operação e anestesiada, ela tem sua barriga cortada e, no buraco misterioso, Davi desaparece. Tudo é costurado e Triz sai do hospital para voltar a sua vida. Durante 270 dias, Davi vai involuindo e, gradualmente, volta ao pó.
...
Todo esse processo maravilhoso, e verdadeiro, que acabou de ser relatado só foi possível graças à tecnologia inovadora, de última geração, da Assistência Dirigida à Inversão da Vivência, ou simplesmente ADIV. Nossa equipe sempre está à disposição, pronta a atender possíveis interessados. Confie em nós e tenha uma vida fora de série.